
Carreiras devem ser cada vez mais longas com profissionais idosos mais 'antenados'
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A ideia tradicional de construir uma carreira, se aposentar aos 60 anos e encerrar a vida profissional está se tornando um conceito do passado para grande parte dos brasileiros. Com o aumento da longevidade e as rápidas transformações tecnológicas, o mercado de trabalho exige uma nova postura dos profissionais: a preparação para trajetórias que podem ultrapassar quatro ou cinco décadas de atividade.
Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) confirmam que a população brasileira envelhece rapidamente, com a projeção de que, até 2030, o número de idosos supere o de crianças e adolescentes. Esse cenário demográfico, somado aos avanços na qualidade de vida, obriga os trabalhadores a permanecerem produtivos por muito mais tempo.
"Durante muito tempo, a lógica era estudar, trabalhar e se aposentar. Hoje, o aprendizado precisa acompanhar toda a carreira. As transformações tecnológicas, as mudanças econômicas e o surgimento de novas profissões tornam a atualização constante uma necessidade", aponta Alexandre Weiler, consultor de carreira e negócios da ESIC Internacional.
A obsolescência de habilidades
A necessidade de atualização não é apenas uma percepção, mas um dado de mercado. O relatório Future of Jobs 2025, do Fórum Econômico Mundial, estima que cerca de 39% das competências utilizadas hoje pelos trabalhadores sofrerão mudanças significativas até 2030. Isso coloca a requalificação no centro da agenda de empresas e profissionais.
Para o especialista, a educação não pode mais ser vista como um ciclo que termina na graduação. A busca por MBAs, especializações e cursos de curta duração torna-se, portanto, uma estratégia de proteção profissional indispensável.
Carreiras não lineares
Outro fenômeno em ascensão é o das múltiplas carreiras. Devido à velocidade com que a tecnologia transforma setores inteiros, a trajetória profissional deixou de ser uma "linha reta" previsível. O profissional moderno frequentemente precisa se reinventar, iniciando novos negócios ou migrando para áreas distintas após décadas de experiência em um mesmo segmento.
Diversidade geracional
Felizmente, as empresas começam a mudar seu olhar sobre a maturidade profissional. A discussão sobre diversidade geracional tem ganhado espaço, com organizações valorizando o repertório e a visão estratégica que profissionais experientes agregam aos times.
O desafio para os próximos anos, segundo Weiler, é consolidar uma cultura de aprendizado permanente. "Quem entender que aprender continuamente será parte da vida profissional terá mais condições de aproveitar as oportunidades que surgirão nas próximas décadas", conclui.

