Medicina multidisciplinar muda a forma de atender pacientes no Brasil

Busca por equipes integradas cresce e acompanha mudança no modelo de cuidado, cada vez mais centrado no paciente

Da redação
DA REDAÇÃO

15/06/2026 • 11:00 • Atualizado em 15/06/2026 • 11:00

Para especialistas, integração entre profissionais melhora resultados e humaniza o atendimento

Para especialistas, integração entre profissionais melhora resultados e humaniza o atendimento

Band

O interesse pelo termo “equipe multidisciplinar” no Google cresceu de forma expressiva na última década e reflete uma mudança no comportamento dos pacientes e na prática médica. O dado foi apresentado durante o episódio 38 do podcast Quero Estudar Medicina, transmitido ao vivo pelas redes sociais do Band Jornalismo.

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Assista ao episódio completo:

Segundo dados do Google Trends, o volume médio de buscas relacionadas ao tema nos últimos dez anos é mais de três vezes maior que o registrado na década anterior. Entre os termos em alta estão “tratamento multidisciplinar”, “equipe multiprofissional” e “atendimento integrado”, indicando que o público busca compreender como diferentes áreas da saúde podem atuar em conjunto.

Esse movimento acompanha uma transformação no modelo de cuidado, que deixa de ser centrado apenas na doença e passa a considerar o paciente de forma integral. A própria Organização Mundial da Saúde (OMS) tem defendido abordagens integradas, que reúnem profissionais de diferentes especialidades para lidar com problemas complexos de saúde.

Como funciona o trabalho em equipe na prática

O episódio conta com a participação da médica Isabela Andrade, especialista em Medicina do Esporte, e da nutricionista esportiva Ana Paula Hikazudani. As profissionais relatam que a atuação conjunta surgiu da percepção de que o cuidado individualizado exige múltiplos olhares.

Segundo elas, a ideia tradicional de um médico que concentra todas as decisões já não corresponde à realidade. “É muito raro conseguir fazer um atendimento completo sozinho. O paciente precisa de diferentes profissionais trabalhando juntos”, afirmam.

Na prática, o modelo adotado por elas consiste em consultas simultâneas, em que médico e nutricionista atendem o paciente no mesmo ambiente. Durante o atendimento, decisões sobre dieta, medicação e estilo de vida são discutidas em conjunto, com participação ativa do paciente.

A proposta busca evitar falhas de comunicação comuns em atendimentos fragmentados, além de aumentar a adesão ao tratamento. “O paciente se sente mais cuidado e entende melhor o processo”, destacam.

Os desafios da integração e a mudança no perfil do paciente

As especialistas também apontam que, apesar do avanço, a prática multidisciplinar ainda enfrenta desafios. Não existe um modelo único de atendimento integrado, e muitos profissionais ainda não estão habituados a trabalhar de forma colaborativa.

Além disso, pacientes frequentemente chegam com experiências negativas de atendimentos anteriores, o que exige um processo de reconstrução da confiança. “Muitos já passaram por vários profissionais e não tiveram resultado. É preciso recomeçar do básico”, explicam.

Por outro lado, há uma mudança clara no comportamento do público. Cada vez mais pessoas buscam prevenção em vez de tratamento, especialmente após a pandemia de Covid-19, que ampliou a percepção sobre saúde e qualidade de vida.

Esse novo perfil inclui desde jovens até idosos. Segundo as profissionais, há pacientes com mais de 70 anos adotando rotinas de exercícios e alimentação orientada, além de atletas que procuram acompanhamento detalhado para melhorar desempenho.

Humanização, prevenção e o futuro da medicina

Para as convidadas, o modelo multidisciplinar representa um caminho sem volta na medicina. A integração entre profissionais não apenas melhora resultados clínicos, mas também fortalece a relação com o paciente.

Elas defendem que o diferencial do atendimento no futuro será justamente o olhar humano e integrado, algo que nem a tecnologia nem a inteligência artificial conseguem substituir.

Como orientação para estudantes e futuros médicos, as especialistas reforçam a importância de ir além da formação acadêmica, buscar experiências práticas e desenvolver uma visão ampla da saúde.

Também destacam a necessidade de equilíbrio durante a formação. “Ter uma válvula de escape, como o esporte, faz diferença não só na vida pessoal, mas também na construção da carreira”, afirmam.

Não perca o próximo episódio sobre direito médico

No episódio de amanhã, da série Especialidades Médicas, o Quero Estudar Medicina recebe o médico Denizar Vianna e o advogado Bruno Marcelos para discutir como funciona o direito médico e os impactos de erros na atuação dos profissionais de saúde.

O programa será transmitido ao vivo, nesta terça-feira (16), às 20h, no canal Band Jornalismo no YouTube. O público poderá acompanhar a conversa em tempo real e entender como questões jurídicas, segurança do paciente e regulação influenciam o exercício da medicina no Brasil.