Mulheres devem ser 55,7% dos médicos no Brasil até 2035, diz estudo

Levantamento da Demografia Médica revela crescimento feminino na profissão, mas áreas cirúrgicas ainda concentram até 80% de homens

Da redação
DA REDAÇÃO

06/03/2026 • 16:11 • Atualizado em 06/03/2026 • 16:11

Em média, as médicas especialistas são cinco anos mais jovens que os homens

Em média, as médicas especialistas são cinco anos mais jovens que os homens

Freepik

Os dados da Demografia Médica no Brasil 2025 projetam que, até 2035, as mulheres representarão 55,7% dos médicos em atividade no país. Atualmente, elas correspondem a 50,9% dos profissionais da área.

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Embora a presença feminina esteja em ascensão nos últimos anos, o avanço ainda revela fortes divisões entre as especialidades médicas e entre os novos residentes. O perfil das especialidades com maior número de títulos emitidos em 2024 mostra contrastes marcantes.

A dermatologia lidera a presença feminina, com 80,6% de mulheres, seguida pela pediatria (76,8%) e pela ginecologia e obstetrícia (63,4%).

No extremo oposto, a urologia registra a maior proporção masculina, com 96,5% de homens. Áreas como ortopedia e traumatologia (92%) e cirurgia geral (75,6%) também permanecem predominantemente ocupadas por profissionais do sexo masculino.

O perfil da nova geração

A população de médicos residentes em 2024 já reflete o processo de feminização nas gerações mais jovens. Atualmente, as mulheres representam 58,2% do total de residentes no país, com forte presença em programas de clínica médica e pediatria.

Nas subespecialidades que exigem formação prévia, o público feminino chega a 71,2% do total. Esse número é influenciado, principalmente, pela alta procura feminina por áreas de atuação ligadas à pediatria.

Diferença geracional e áreas cirúrgicas

A análise aponta que os homens ainda são maioria em 35 das 55 especialidades médicas reconhecidas. A predominância masculina é considerada extrema em áreas cirúrgicas de alta complexidade, como neurocirurgia e cirurgia cardiovascular, nas quais eles somam mais de 80% dos profissionais.

O estudo indica que a entrada massiva de mulheres é um fenômeno geracional recente. Em média, as médicas especialistas são cinco anos mais jovens que os homens, com idade média de 46,2 anos, contra 51,2 anos entre os colegas do sexo masculino.