'Achei que medicina não era para mim': enfermeira realiza sonho aos 41 anos

Após 18 anos na enfermagem, Dalila Barbosa conciliou trabalho, família e estudos até conquistar uma vaga na faculdade de medicina

PRISCILLA VIERROS

04/07/2026 • 11:00 • Atualizado em 04/07/2026 • 11:00

Dalila relata que a medicina é muito mais desafiadora do que imaginava

Dalila relata que a medicina é muito mais desafiadora do que imaginava

Arquivo Pessoal

Aos 41 anos, a mineira Dalila Barbosa Delfino, natural de Belo Horizonte, carrega uma trajetória marcada por trabalho intenso, decisões difíceis e um sonho que atravessou décadas: cursar medicina. Hoje, ela é estudante do 5º período na Faculdade da Saúde e Ecologia Humana (FASEH), após anos atuando como enfermeira e convivendo diariamente com a rotina hospitalar.

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“Sou enfermeira de formação e sempre trabalhei muito cedo, conciliando trabalho, família e estudos”, resume Dalila, que construiu sua carreira na área da saúde, especialmente na cirurgia vascular.

O desejo de seguir na medicina surgiu justamente nesse ambiente. A proximidade com pacientes e equipes médicas foi decisiva. “Minha vivência profissional dentro do hospital teve um peso muito grande. Estar próxima dos pacientes despertou ainda mais essa vontade”, conta.

O caminho na medicina não foi linear

Ainda no fim do ensino médio, Dalila chegou a tentar vestibular para medicina na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), mas uma doença durante o processo a impediu de concluir a prova. O episódio marcou o início de um longo período de frustração e adaptação.

Passei muitos anos acreditando que medicina não era para mim. Dalila Barbosa

Ela seguiu na enfermagem e construiu carreira sólida na saúde. Ainda assim, o desejo permanecia. “Durante muito tempo achei que esse seria meu caminho definitivo, mas a medicina continuava sendo um desejo muito presente.”

A decisão de tentar novamente veio em meio a uma rotina intensa, dividida entre trabalho, responsabilidades familiares e estudos. A preparação foi baseada na constância: “Estudava todos os dias um pouco, mesmo cansada.”

Os desafios, segundo ela, foram principalmente conciliar a rotina e o desgaste emocional. Em alguns momentos, pensou em desistir, principalmente pelo cansaço e pela insegurança. O que a manteve firme foi uma escolha consciente: “Entender que eu me arrependeria mais de não tentar do que de tentar.”

Dalila também destaca o peso do planejamento financeiro na decisão. Atualmente, ela cursa medicina com financiamento estudantil e conta que a trajetória exigiu organização e apoio. “Minha família sempre teve preocupação, mas também me apoiou emocionalmente. E tive um incentivo muito importante do meu chefe, que acreditou em mim.”

A aprovação veio como um marco emocional. “Foi uma mistura de alegria, alívio e incredulidade. Parecia que finalmente eu tinha permitido viver um sonho antigo.” A primeira notícia foi compartilhada com a família e com o chefe, pessoas que acompanharam sua trajetória profissional.

Ao entrar na faculdade, Dalila diz ter entendido rapidamente a dimensão do desafio. O ritmo intenso e a cobrança constante exigiram adaptação emocional. “A medicina hoje é muito mais humana, intensa e desafiadora do que eu imaginava.”

Entre os momentos mais marcantes até agora, ela cita os primeiros contatos reais com pacientes como estudante. Também destaca o aprendizado emocional: “O curso exige equilíbrio emocional além do conhecimento técnico.”

Hoje, ela afirma que aprendeu a respeitar seus limites e a lidar com a pressão. “Ninguém sabe tudo o tempo inteiro.” Para ela, o mais importante é saber que está se formando uma médica humana, técnica e atenta ao paciente.

Com a experiência acumulada na área da saúde, Dalila mantém especial interesse pela cirurgia vascular, área em que já atua há 18 anos. Para quem sonha com medicina, ela reforça: “Não espere o momento perfeito para começar. Ele provavelmente nunca vai existir”, finaliza.