Pediatria vai além do consultório e envolve o cuidado com toda a família

No último episódio do podcast Quero Estudar Medicina, médicas explicam a complexidade da pediatria e revelam bastidores da atuação

Da redação
DA REDAÇÃO

25/05/2026 • 11:00 • Atualizado em 25/05/2026 • 11:00

Pediatras detalham a prática clínica e os desafios de cuidar de crianças e suas famílias

Pediatras detalham a prática clínica e os desafios de cuidar de crianças e suas famílias

Crédito: Redação

O Quero Estudar Medicina desta semana mergulhou na realidade da pediatria para além dos estereótipos. Conduzido por Babi Fava, o episódio recebeu as médicas Renata Castro, pediatra com foco em acompanhamento infantil, e Natália Souza, pediatra e neonatologista com atuação em UTI neonatal e consultório.

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A conversa destacou que a pediatria vai muito além da ideia comum de “gostar de criança”. A especialidade envolve acompanhar o desenvolvimento infantil, orientar famílias, lidar com emergências e tomar decisões críticas desde os primeiros minutos de vida de um paciente.

Assista ao episódio completo:

Escolha pela medicina e construção da carreira

A trajetória das convidadas mostra que o caminho até a pediatria pode ser diverso. Natália Souza teve forte influência familiar, ao crescer acompanhando a rotina do pai, também pediatra. A decisão, no entanto, se consolidou durante um trabalho voluntário com crianças ainda no ensino médio.

Já Renata Castro relata uma escolha mais intuitiva. Sem influência direta na família, descobriu o interesse pela medicina ainda na infância e, ao longo da graduação, explorou diferentes áreas até se identificar com a pediatria.

Ambas destacam que o processo de formação é também um exercício de autoconhecimento. Durante a faculdade e o internato, o contato com diferentes especialidades ajuda o estudante a entender suas aptidões e preferências.

Rotina médica: entre UTI, consultório e maternidade

A prática da pediatria se mostrou ampla e dinâmica. Enquanto Natália divide sua atuação entre UTI neonatal e consultório, Renata também transita entre assistência, gestão hospitalar e educação médica.

A rotina inclui desde atendimentos ambulatoriais até situações de alta complexidade, como o cuidado com recém-nascidos prematuros. Na UTI neonatal, decisões precisam ser tomadas com rapidez e precisão, muitas vezes em cenários imprevisíveis.

Além da atuação profissional, as médicas também abordaram os desafios de conciliar a carreira com a maternidade. Ambas são mães e relatam que a experiência pessoal transformou a forma de lidar com pacientes e familiares, especialmente no que diz respeito à empatia e à comunicação.

Empatia e comunicação com famílias

Um dos pontos centrais da discussão foi o papel da comunicação na pediatria. Segundo as médicas, o atendimento não se limita ao paciente, mas envolve toda a família: pais, avós e outros cuidadores.

Elas destacam que, em momentos de tensão, como internações ou diagnósticos delicados, a informação nem sempre é assimilada com clareza. Por isso, é fundamental repetir orientações, adaptar a linguagem e garantir que os familiares compreendam o quadro clínico.

A experiência pessoal, como viver situações médicas com os próprios filhos, contribuiu para ampliar essa sensibilidade no atendimento.

Muito além de consultas simples

Durante o episódio, as convidadas também desconstruíram mitos sobre a especialidade. A ideia de que pediatria se resume a tratar doenças comuns, como gripe e febre, foi classificada como equivocada.

A área exige conhecimento aprofundado sobre desenvolvimento infantil, além de habilidades para lidar com diferentes faixas etárias — de recém-nascidos a adolescentes.

Outro ponto destacado foi a complexidade da neonatologia. No caso de bebês prematuros, o médico lida com organismos ainda em formação, o que torna o acompanhamento ainda mais delicado e técnico.

As médicas ressaltam que a pediatria tem um papel estratégico na saúde pública. A orientação adequada durante a infância pode influenciar diretamente a qualidade de vida na fase adulta.

Questões como alimentação, sono, desenvolvimento emocional e hábitos familiares são trabalhadas desde cedo. Nesse sentido, o pediatra atua não apenas como clínico, mas também como agente de transformação na saúde das famílias.

Conselhos para futuros médicos

Ao final do episódio, as convidadas deixaram recomendações para quem deseja seguir carreira na medicina. Entre os principais pontos, destacam-se a importância da vocação, da disposição para o cuidado e da atualização constante.

Segundo elas, a medicina exige dedicação contínua, tanto no estudo quanto no relacionamento com pacientes. Mais do que domínio técnico, é necessário desenvolver empatia e capacidade de escuta.

A pediatria, em especial, demanda sensibilidade para lidar com crianças e suas famílias, além de preparo para atuar em diferentes contextos. O episódio reforça que, embora desafiadora, a carreira médica pode ser profundamente gratificante para quem encontra propósito no cuidado com o outro.

Não perca: amanhã tem episódio ao vivo sobre perícia médica

No próximo episódio da série Especialidades Médicas, o Quero Estudar Medicina recebe o médico Alberto Felipe Gomez da Costa para discutir a atuação em perícias médicas, área estratégica no campo jurídico e trabalhista.

O programa será transmitido ao vivo, nesta terça-feira (19), às 20h, no canal Band Jornalismo no YouTube. O público pode acompanhar a conversa em tempo real e tirar dúvidas diretamente com o especialista sobre rotina, desafios e mercado de trabalho na área.