Medicina em SP tem mais mulheres, negros e alunos em faculdades privadas

Estudo da USP mostra crescimento da diversidade, expansão das faculdades privadas e mudanças na formação médica paulista

Da redação
DA REDAÇÃO

23/07/2026 • 11:00 • Atualizado em 23/07/2026 • 11:00

Universidades recebem estudantes com trajetórias cada vez mais diferentes

Universidades recebem estudantes com trajetórias cada vez mais diferentes

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Os cursos de medicina em São Paulo estão passando por uma transformação. Mais mulheres, maior diversidade racial e um número crescente de estudantes em instituições privadas desenham um novo perfil dos futuros médicos do estado.

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Os dados fazem parte da “Demografia Médica do Estado de São Paulo”, estudo realizado pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP). O levantamento analisou estudantes matriculados entre o primeiro e o sexto ano da graduação e mostra como a formação médica mudou entre 2010 e 2024.

Além da mudança no perfil dos alunos, houve uma forte expansão dos cursos. O número de estudantes matriculados passou de 17.879 para 58.919 no período, um crescimento de 229%, distribuídos em 82 escolas médicas.

Mulheres ampliam maioria na graduação

A presença feminina, que já era predominante, tornou-se ainda mais expressiva. Em 2010, as mulheres representavam 55,9% dos estudantes de medicina. Em 2024, elas passaram a responder por 64,9% das matrículas, o equivalente a 38.262 alunas.

O avanço é mais evidente nas instituições privadas, onde as mulheres representam 66,5% dos estudantes. Já nas universidades públicas, a distribuição permanece mais equilibrada entre homens e mulheres.

A chamada feminilização da medicina acompanha uma tendência observada em diversas áreas da saúde e reforça a crescente participação feminina em uma profissão historicamente ocupada por homens.

Diversidade racial cresce, mas ainda está distante da realidade paulista

Outro movimento identificado pelo estudo é o aumento da presença de estudantes negros (pretos e pardos) nos cursos de medicina. Entre 2015 e 2024, essa participação passou de 8% para 12,6%, elevando o número de alunos negros de 1.433 para 6.824.

Apesar do avanço, a pesquisa mostra que a graduação médica ainda não reflete a composição da população paulista. Segundo o Censo 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 41% dos moradores do estado se autodeclaram negros, enquanto esse grupo representa pouco mais de um em cada dez estudantes de medicina.

Ensino privado concentra nove em cada dez estudantes

A expansão da medicina em São Paulo ocorreu, principalmente, por meio das instituições privadas. Enquanto as universidades públicas registraram crescimento de 11,1% no número de alunos entre 2010 e 2024, as faculdades particulares ampliaram suas matrículas em 307,5%. Como resultado, elas passaram a concentrar 91,1% dos estudantes de medicina do estado.

O levantamento também mostra que a maioria dos alunos ainda concluiu o ensino médio em escolas particulares (65,4%). No entanto, a participação de estudantes oriundos da rede pública aumentou na última década.

Nas universidades públicas, as políticas de cotas contribuíram para esse movimento. Em 2024, 25,2% dos estudantes ingressaram por meio de ações afirmativas. Nas instituições privadas, o financiamento estudantil beneficiou 21,5% dos matriculados.

Estudantes estão mais velhos

A pesquisa identificou ainda uma mudança na faixa etária dos futuros médicos. Embora a maioria dos estudantes tenha até 24 anos (62,5%), essa participação diminuiu em relação a 2010. Em contrapartida, aumentou o número de alunos com 35 anos ou mais, que passou de 1,7% para 7,1%, indicando que cada vez mais pessoas ingressam na medicina após outras experiências acadêmicas ou profissionais.

O que os dados mostram

Os números revelam que a medicina paulista está se tornando mais diversa e plural, ainda que persistam desafios relacionados à representatividade racial e ao acesso ao ensino superior. Ao mesmo tempo, a expansão das instituições privadas ampliou o número de vagas e criou novos caminhos para quem sonha em seguir a carreira médica.

Para os estudantes que se preparam para o vestibular, o levantamento reforça que o perfil da medicina está em constante transformação. Mais do que acompanhar essas mudanças, os futuros candidatos passam a fazer parte de uma geração que tende a construir uma profissão cada vez mais representativa da sociedade brasileira.