Plantão, concurso ou clínica? Como médico recém-formado inicia a carreira

Plantões costumam ser a principal porta de entrada, mas clínicas e concursos também entram no radar

PRISCILLA VIERROS

07/06/2026 • 11:00 • Atualizado em 07/06/2026 • 11:00

Médicos recém-formados encontram nos plantões a principal porta de entrada no mercado de trabalho

Médicos recém-formados encontram nos plantões a principal porta de entrada no mercado de trabalho

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Depois de anos de preparação para entrar na faculdade e mais seis anos de formação, o início da carreira médica traz uma nova dúvida: por onde começar? Plantões, concursos públicos ou atuação em clínicas privadas aparecem como caminhos possíveis, cada um com vantagens, limitações e impactos diferentes na rotina e no futuro profissional.

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Na prática, a escolha costuma ser menos idealizada e mais estratégica. Recém-formado, o médico Carlos Silva relata que, por ter feito financiamento estudantil, as responsabilidades financeiras tornaram a urgência por trabalho um fator decisivo.

Minha primeira preocupação foi conseguir renda, mas também ganhar experiência com plantões ou qualquer outro tipo de serviço médico. Carlos Silva

Para ele, outro fator que pesou na escolha foi a possibilidade de ter um horário mais flexível. “Considerei fazer plantões em vez de me fixar em uma unidade de saúde, porque não descartei prestar residência e, com esse tipo de trabalho, consigo tempo para os estudos”, complementa.

Por onde começar

O médico observa que o cenário para a entrada no mercado de trabalho está bem concorrido e desafiador. Para ele, conseguir um emprego que atenda a todos os requisitos é raro.

No entanto, Silva destaca a importância de construir um bom networking ainda durante a faculdade. “Ter uma boa relação com quem se formou antes de você possibilita mais oportunidades, porque ainda é um mercado muito de indicação”, enfatiza.

A proximidade com estudantes veteranos fez com que Silva conseguisse se inserir no mercado de trabalho com mais facilidade. Hoje, ele atua no Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), fazendo plantões.

Segundo ele, os plantões são, de fato, a principal porta de entrada para médicos recém-formados. Isso porque há maior oferta de vagas que exigem apenas o registro profissional e permitem uma inserção mais rápida no mercado.

“No começo da carreira, é mais comum fazer coberturas de plantões ou atuar em eventos esportivos e shows, locais que, em geral, têm baixa demanda de emergência médica.” Ainda assim, ele pondera que é fundamental ter uma boa formação em medicina de emergência para atuar nesses contextos.

Clínicas ou concursos: plano a médio e longo prazo

O ingresso direto em clínicas costuma ser mais limitado para recém-formados. Sem uma especialização ou título de residência, as oportunidades são menores e, em geral, dependem de indicação. “Dificilmente uma clínica vai contratar um clínico generalista recém-formado. Mas, com bons contatos, essa possibilidade aumenta”, afirma.

Embora menos imediatos, os concursos públicos também entram no radar. A principal vantagem é a estabilidade financeira e a previsibilidade de carreira, fatores valorizados em um mercado cada vez mais competitivo.

“Pensar em concurso público sempre é uma possibilidade. Mas não é simples, porque nem sempre há edital aberto quando você se forma”, pondera Carlos. Para ele, o caminho exige planejamento e atenção constante às oportunidades.

Há ainda outras alternativas dentro desse eixo, como a atuação nas Forças Armadas, que vem sendo considerada por médicos em início de carreira em busca de segurança profissional.

O início exige equilíbrio entre expectativa e realidade

Outro fator que pesa é a expectativa financeira. Ao contrário do imaginário comum, o início da carreira nem sempre garante altos rendimentos. “Existe diferença entre o que se espera ganhar e a realidade. No começo, é difícil preencher o mês inteiro de plantões”, relata. Segundo ele, a evolução acontece gradualmente, à medida que surgem mais contatos e oportunidades.

Não desanime se você ainda não conseguiu fazer, no primeiro mês, mais de R$ 10 mil, por exemplo. O cenário vai melhorando conforme os meses de formado. Carlos Silva

O médico também destaca que o início da carreira envolve um aspecto emocional relevante: a insegurança. A transição da faculdade para a prática clínica traz o peso da responsabilidade individual.

“O carimbo é seu. É a sua decisão que vai impactar a vida do paciente”, afirma. Apesar disso, ele vê o desconforto como parte do processo. “Você não pode esperar o medo passar para começar. Tem que ir com coragem e vontade de aprender.”

No fim das contas, o médico reforça que não existe um único caminho ideal. A escolha entre plantões, concursos ou clínicas depende de fatores como necessidade financeira, objetivo de especialização, perfil profissional e busca por qualidade de vida.

Para quem ainda está na graduação, ele aconselha aproveitar a formação para além da sala de aula. “Faculdade de medicina não é só assistir aula. É construir relações, viver experiências e desenvolver habilidades que vão fazer diferença lá na frente."