
Histórias reais mostram que empatia, propósito e resiliência estão no centro da decisão de cursar medicina
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Escolher medicina vai muito além de uma decisão profissional. Para muitos futuros médicos, trata-se de um chamado que nasce cedo, amadurece com o tempo e se confirma ao longo da formação acadêmica. Em comum, estão histórias marcadas por propósito, desafios e, principalmente, pela vontade de transformar vidas.
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Para a ginecologista e obstetra Beatriz Tupinambá, a escolha veio ainda na adolescência. Aos 15 anos, após um banho, escreveu em um papel que faria medicina para cuidar de mulheres, especialmente aquelas com dificuldade para engravidar.

Beatriz Tupinambá I Crédito: Arquivo pessoal
“Esse chamado me guiou”, afirma. A decisão precoce não eliminou dúvidas. Beatriz chegou a cogitar Direito e Medicina Veterinária, mas o objetivo inicial permaneceu ao longo da formação. “Fiz teste vocacional na época e o resultado nem deu Medicina, então eu tinha muita dúvida. Mas essa vontade de fazer ginecologia, obstetrícia e fertilização me guiou”, relembra.
Já a ginecologista Fernanda Torras aponta a influência familiar como fator determinante. Ela cresceu admirando a mãe pediatra e o ambiente hospitalar. O ponto de virada ocorreu após a leitura de um livro de obstetrícia, que despertou o interesse pela ciência da gestação. “Decidi ainda na infância e não pensei em outra profissão”, diz.
A decisão da ginecologista Aline Marques também foi impactada pelo exemplo materno. Filha de médica, ela acompanhou de perto a rotina da profissão, inclusive os desafios. “Via minha mãe sair de eventos por causa de emergências e pensava que não queria isso”, relembra. Ainda assim, a afinidade com o cuidado prevaleceu. Durante a formação, mudou de perspectiva e escolheu justamente a especialidade que inicialmente evitava.
Se a escolha pela medicina pode surgir cedo, a definição da especialidade nem sempre é linear. A ginecologista Fernanda Nassar não ingressou na faculdade com essa decisão tomada. Foi ao longo do curso que percebeu o impacto da área na vida das pacientes. “Não tratamos só o físico, mas autoestima, identidade e história de vida”, afirma.

Fernanda Nassar I Crédito: Arquivo pessoal
Além da técnica, uma escolha guiada por propósito
Os relatos revelam pontos em comum: empatia e conexão com o paciente aparecem como competências centrais. “A capacidade de transformar a vida de uma mulher é o que me mantém motivada”, diz Beatriz. Para ela, o retorno vai além do aspecto financeiro e se traduz na sensação diária de fazer a diferença.
Na prática, os desafios também fazem parte da rotina. Aline destaca que a escolha da especialidade deve considerar o estilo de vida e a dinâmica profissional, e não apenas o interesse por procedimentos. “A maior parte do tempo é fora da mesa cirúrgica. É preciso gostar de lidar com pessoas”, afirma.
A constante evolução da medicina também surge como fator de motivação. Fernanda Torras ressalta o avanço dos estudos em saúde da mulher, especialmente nas áreas de perimenopausa e menopausa. Já Aline destaca a possibilidade de se reinventar dentro da própria especialidade ao longo da carreira.

Fernanda Torras I Crédito: Arquivo pessoal
Para quem ainda tem dúvidas sobre por que escolher medicina, as médicas são diretas: a decisão deve estar ancorada em propósito. “Não escolha por modismo”, alerta Fernanda Torras. Fernanda Nassar reforça que a profissão exige responsabilidade sobre decisões que impactam profundamente a vida de outras pessoas.
Ao final, as trajetórias convergem para um ponto em comum: a medicina é uma escolha exigente, mas carregada de sentido. Entre desafios, renúncias e aprendizados, o que sustenta essas profissionais é a certeza de que, todos os dias, alguém depende do trabalho que elas realizam.
