A União de Maricá é a nova campeã da Série Ouro e deve desfilar no Grupo Especial em 2027. A definição ocorreu nesta quinta-feira (19), quando a LigaRJ fez a apuração. Confira todas as notas e como ficou a classificação.
Veja tudo sobre a escola abaixo!
Enredo
A União de Maricá levou à Sapucaí o enredo “Berenguendéns e Balangandãs”, celebrando a força, a beleza e a resistência das mulheres negras. A partir dos balangandãs, joias-amuletos de proteção, fé e identidade, o desfile exalta a ancestralidade e a independência econômica feminina. Com uma leitura afrocentrada, a escola destaca a sofisticação da joalheria negra como símbolo de liberdade e poder.
Comissão de frente
Claro tinha que ser PretoComposta exclusivamente por mulheres negras, a Comissão de Frente da União de Maricá está intimamente ligada à ideia de empoderamento feminino e à construção simbólica da mulher negra como vitrine para o luxo e a exuberância das joias. O traje aponta para a memória africana de negras engalanadas, cobertas por adornos de ouro. Simbolicamente, o dourado presente no figurino lança luz, de forma poética, sobre o acúmulo de poder traduzido pelas joias, enquanto o vermelho que tinge a saia das componentes remete, de maneira metafórica, às lutas individuais de mulheres negras que se tornaram protagonistas de suas próprias emancipações. É conveniente salientar que o elemento cenográfico que serve de “palco” para a apresentação remete ao espaço público das ruas — local onde um grande contingente de mulheres negras desenvolveu suas atividades de trabalho — em um misto de arquitetura colonial acrescida de artigos diretamente associados ao imaginário afro-brasileiro. Coreograficamente, a luta das mulheres negras é apresentada com garra e exuberância, enquanto o balangandã, artigo fundamental dentro do enredo, é revelado em meio a imaginários de ancestralidade e devoção.
Primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira
Realeza e IdentidadeVestindo-se à moda africana, o primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira ostenta signos de realeza para mencionar o universo estético que o enredo aborda. Reforçando a ideia de que o uso de joias revela status e poder, o traje emplumado, luxuoso e ornamentado por búzios e joias douradas que veste o primeiro casal impõe a narrativa de empoderamento negro proposta pelo enredo debruçado sobre o balangandã. o exibir o corpo preto como vitrine de luxo, ostentação e beleza — mesmo em meio às limitações raciais de uma sociedade marcada pelo sistema escravocrata — a dupla Giovanna Justo e Fabrício Pires inaugura uma narrativa que nos convida a mergulhar em uma história banhada de ancestralidade, unindo negritude, devoção, estética, luta e resistência.
Abre-alas
Nêga da Ladeira do PelôA alegoria que inaugura o desfile reproduz cenograficamente o espaço público das ruas da Bahia colonial. Inspirado nos registros de artistas como Jean-Baptiste Debret (1768–1848), o conjunto cênico recria, de maneira carnavalesca, os velhos casarões que testemunharam mulheres escravizadas realizando o comércio ambulante nas ruas. Conhecidas como ganhadeiras, essas mulheres tornaram-se agentes de suas próprias emancipações à medida que circulavam com seus tabuleiros pelas ruas da negra Bahia, exercendo a prática comercial de inúmeros artigos alimentícios. Fundamentais para o entendimento da narrativa do enredo, foram essas mulheres que, à medida que acumulavam capital, passaram a adquirir a joia que, além de seus aspectos ancestrais, identitários e religiosos, também podia servir como forma de poupança financeira: o balangandã. Ainda sobre a alegoria, convém destacar que, em sua porção frontal, o conjunto escultórico recria o perfil estético da peça apresentada como enredo. Em destaque, e em escala agigantada, o balangandã — em toda a sua exuberância, construído em ornatos barrocos, ladeado por pássaros metálicos e ostentando artigos metálicos à guisa de pingentes — revela um rosto feminino e retinto que sintetiza, em uma única imagem, a história de luta, beleza, ancestralidade e resistência feminina que a peça guarda e ostenta.
Destaque Central — “Realeza e Identidade”Na porção frontal da alegoria, ostentando artigos dourados e o predomínio da cor amarela, o figurino que veste a destaque Evelyn Bastos evoca a ideia de opulência e riqueza, apresentando o corpo feminino e negro como vitrine para o luxo, o poder e o empoderamento.
Composições Gerais — “Nêga do Pelô” Espalhadas por toda a alegoria que carnavaliza o espaço público das ruas da Bahia colonial, as brincantes evocam o imaginário dos trajes femininos das mulheres negras que, por meio da prática do “ganho”, advinda da comercialização de artigos alimentícios, experimentaram a possibilidade de acúmulo de capital e, por consequência, construíram caminhos particulares de emancipação.
Rainha de bateria
Rayane Dumont
Samba-enredo
Compositores: Babby do Cavaco, Rafael Gigante, Marcelo Adnet, Hélio Porto, Jefferson Oliveira e André do Posto 7
Nêga da Ladeira do PelôTens o som de SalvadorE a magia que fulguraRevolucionar é seu papelE a arte do cinzelTu carregas na cinturaJunto ao tabuleiro nas manhãsHá o sonho das irmãsQue anseiam liberdadeEcoa toda Nzinga de MatambaA mandinga e a demandaRealeza, identidade
Balanço que lembra meu adarrrumNa armadura de Ogum, memória ancestralAdorno que guardo no meu ilêHerança dos Malês... é forja do metal!
Santa luz da rebeldia que moldou o LivramentoSomos joias da princesa, filhas do empoderamentoPenduricalho que te entrego de lembrançaGuarda a fé, o fogo e o talho... resplandece a esperançaEu peço aos meus orixásEntrego todo axéA nêga pode e vai ter o que quiserTantas pretas consagradasMeu espelho com orgulhoA quem renega a mulherada:Vá dormir com esse barulho!
Balangandãs, berenguendénsCanta Maricá o que a baiana temPertencimento que reluz no amuletoClaro, tinha que ser preto!
Newsletter Entretenimento
Inscreva-se na nossa newsletter e receba as notícias mais importantes do dia direto no seu e-mail.
Selecione os seus temas favoritos:

