Band Entretê

Como era o Brasil em 1990, quando "Rainha da Sucata" estreou? Relembre

Novela foi ao ar em abril de 1990, menos de 3 semanas após o confisco da poupança e com inflação recorde

Da redação
DA REDAÇÃO

02/11/2025 • 15:42 • Atualizado em 02/11/2025 • 15:42

Rainha da Sucata estreou na Globo em 1990

Rainha da Sucata estreou na Globo em 1990

Band

Resumo

Estreia e contexto econômico: "Rainha da Sucata" estreou em 2 de abril de 1990, durante um período de intensa instabilidade econômica no Brasil, logo após a implementação do Plano Collor por Fernando Collor de Mello e sua ministra da Economia, Zélia Cardoso de Mello.

Impacto do Plano Collor: O plano visava estabilizar a economia com ações como a mudança da moeda para o Cruzeiro, o congelamento de preços e salários, e um programa de privatizações. As medidas mais drásticas foram o confisco de depósitos bancários e o congelamento geral de preços.

Trama de "Rainha da Sucata": A novela narra a história de Maria do Carmo, uma nova-rica que busca aceitação na alta sociedade paulistana através de seu casamento com o playboy falido Edu Figueroa. A rivalidade central ocorre entre ela e Laurinha Figueroa, uma socialite que despreza a protagonista.

"Rainha da Sucata" estreou na televisão brasileira em 2 de abril de 1990. O início da novela ocorreu em um dos momentos mais turbulentos da história econômica do país: menos de três semanas após a posse do presidente Fernando Collor de Mello e a implementação do drástico Plano Collor.

Compartilhar

O Brasil que acompanhou o primeiro capítulo da trama vivia um cenário de extremo choque econômico e instabilidade. Na época, o país enfrentava uma hiperinflação aguda, que o novo governo tentou combater com um pacote radical.

A posse de Fernando Collor de Mello ocorreu em 15 de março de 1990. Apenas um dia depois, em 16 de março, sua ministra da Economia, Zélia Cardoso de Mello, anunciou o "Plano Collor", oficialmente chamado de Plano Brasil Novo. A novela, portanto, foi ao ar enquanto a população ainda absorvia o impacto das medidas.

Os números da época ilustram o caos econômico. Em março de 1990, mês do plano, o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) registrou a maior variação mensal de sua história, atingindo 82,39%. A hiperinflação chegava a 80% ao mês.

A escalada de preços foi tão severa que a inflação acumulada apenas no ano de 1990 alcançou, aproximadamente, 1.476,56%.

O confisco da poupança

A medida mais impactante e notória do Plano Collor foi o bloqueio de depósitos bancários, que também afetou as aplicações. O governo determinou o confisco imediato de saldos em cadernetas de poupança e contas correntes que excedessem o limite de 50 mil cruzeiros novos, a moeda vigente da época, por 18 meses.

Enquanto, na TV, o público assistia aos conflito entre a elite tradicional paulistana e os "novos-ricos" emergentes, na vida real as pessoas eram impedidas de acessar o próprio dinheiro. Trinta anos depois, em 2020, o próprio Collor pediu desculpas públicas pela medida.

Um plano de muitas frentes

Embora o confisco tenha sido a ação mais lembrada, o Plano Collor foi um pacote amplo que visava zerar o déficit público. O plano promoveu, por exemplo, a mudança imediata da moeda, abandonando o Cruzado Novo e reintroduzindo o Cruzeiro.

Além da troca monetária, o governo estabeleceu o congelamento geral de preços e salários, em uma tentativa de frear a escalada inflacionária de forma abrupta.

O pacote econômico anunciado em março de 1990 também incluiu o anúncio de um programa de privatizações. A intenção declarada pelo novo governo era extinguir diversas empresas estatais.

Qual é a história da novela “Rainha da Sucata”?

A trama central de "Rainha da Sucata" gira em torno de Maria do Carmo, interpretada por Regina Duarte. Ela é uma "nova-rica" que ganhou dinheiro como sucateira, transformando o ferro-velho de seu pai em um negócio milionário.

Seu grande objetivo de vida é ser aceita pela alta sociedade, sonhando em se mudar para um bairro luxuoso.

Para alcançar esse status, Maria do Carmo decide se casar com Edu Figueroa (Tony Ramos). Ele é descrito como um playboy falido que aceita a união por puro interesse financeiro.

O principal obstáculo da protagonista é a socialite Laurinha Figueroa, vivida por Glória Menezes. Laurinha é a amante de Edu e nutre um profundo desprezo pela sucateira. A origem desse ódio é antiga: a socialite culpa o pai de Maria do Carmo, Seu Onofre (Lima Duarte), pela ruína financeira de sua família no passado.

“Rainha da Sucata” volta à TV em 2025

A partir de segunda-feira, 03 de novembro, a Globo irá reprisar a novela em “Vale a Pena Ver de Novo”. De segunda a sexta-feira, a obra irá ao ar às 17h05.

Tópicos relacionados