A história de Maria Clara se confunde com a evolução do tratamento do HIV no Brasil. Nascida com o vírus e acolhida ainda bebê pelo projeto Vida Positiva, em Brasília, ela é hoje o símbolo de uma vitória da medicina e do afeto: a possibilidade de uma mulher soropositiva ter uma gestação segura e livre do risco de transmissão para o filho.
Na reportagem de Bárbara Guimarães para o Melhor da Noite, a jovem compartilhou sua trajetória ao lado de sua mãe adotiva e fundadora da instituição, Vicky. O relato emocionante destacou que, graças ao avanço dos medicamentos antirretrovirais e ao acompanhamento médico rigoroso, o pequeno Nicolas, seu bebê, não herdará a condição da mãe.
O avanço contra a transmissão vertical
Diferente de Maria Clara, que contraiu o vírus por transmissão vertical (de mãe para filho) e pela amamentação em uma época de menos informação, o cenário atual é de esperança. Com a carga viral indetectável, o risco de transmissão durante a gravidez é praticamente nulo.
Vicky, conhecida como vovó no projeto, celebrou essa conquista como uma vitória coletiva. Ela ressaltou que a transição vertical está praticamente zerada entre os assistidos pela instituição.
Os menores já vêm com mais saúde, sem o HIV, e estamos muito felizes com isso, afirmou.
Uma rede de apoio que gera vida
Maria Clara chegou aos braços de Vicky com apenas quatro meses de vida, enfrentando uma pneumonia gravíssima e já sob tratamento. Criada dentro da Vida Positiva, ela encontrou no acolhimento a força necessária para seguir o tratamento e, anos depois, tornar-se protagonista de campanhas do Ministério da Saúde.
A jovem destaca que o acolhimento foi fundamental para que ela tivesse coragem de se expor e ajudar outras pessoas. Agora, ela se prepara para apresentar ao filho a história de superação da família. "Ele vai conhecer a nossa trajetória, onde a gente chegou e essa família que nos acolheu", disse emocionada.
Enfrentando o estigma com informação
Apesar dos avanços na saúde pública, o preconceito ainda é um obstáculo. Maria Clara e Vicky relataram que a discriminação muitas vezes é dupla, somando o estigma do HIV ao racismo. A exposição pública da história de Maria Clara tem servido como ferramenta de combate à desinformação.
Para os apresentadores Pâmela Lucciola e Felipeh Campos, casos como o de Maria Clara reforçam a importância do SUS e das políticas públicas de dignidade humana. O Brasil, que já foi referência mundial no tratamento gratuito, segue provando que o diagnóstico não é mais uma sentença, mas um detalhe em trajetórias de sucesso.
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