
Dissexualidade define pessoas que sentem fetiche e prazer por personagens criados por inteligência artificial
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Resumo
Reportagem discute o fenômeno da digissexualidade, termo criado em 2017 para definir pessoas que sentem prazer por personagens de inteligência artificial, destacando o crescimento desse comportamento e o impacto nas relações modernas.
Apresentadores e convidados do programa Melhor da Noite analisam como indivíduos estabelecem vínculos afetivos com IA, alertando para a dificuldade de discernir entre realidade e tecnologia, além do risco de isolamento emocional.
Debate aponta a solidão como fator motivador para a busca por relacionamentos digitais, contrapondo a imprevisibilidade dos laços humanos ao controle oferecido pela IA, e ressaltando a importância do contato físico para o bem-estar emocional.
Você já ouviu falar em digissexualidade? O termo, que surgiu por volta de 2017, define pessoas que sentem fetiche e prazer por personagens criados por inteligência artificial (IA). O assunto foi tema de debate no Melhor da Noite desta sexta-feira, 14/11, e os apresentadores discutiram como esse fenômeno reflete as complexidades das relações modernas.
A discussão começou com a dúvida de um espectador, que questionou se as pessoas estão, de fato, se apaixonando por inteligência artificial. "Não tem mulher nem pra mim. Quem dirá agora com a inteligência artificial aí no mercado?", brincou.
Segundo a análise do programa, o fenômeno é real e crescente. Muitas pessoas acabam se apaixonando não pela máquina em si, mas pela relação que estabelecem com a IA.
O problema é que, durante esse processo, a pessoa pode perder a capacidade de discernir a realidade. Elas não conseguem nem enxergar que ali não tem uma pessoa. Que ali tem uma máquina.
Reflexo de uma sociedade solitária
Para Pâmela Lucciola, a ascensão da digissexualidade é um sintoma de um problema social mais profundo: a solidão. "As pessoas estão muito sozinhas a ponto de buscar uma invenção", disse a apresentadora.
O debate levantou a principal diferença entre os dois mundos: o relacionamento humano é imprevisível. Ele exige lidar com sofrimento, alegrias, contato físico e a possibilidade de realização ou frustração.
A inteligência artificial, por outro lado, oferece uma relação controlada, livre dos "imprevistos" da vida real.
Felipeh Campos ponderou que, sob essa ótica, a atitude do digissexual pode ser compreendida como uma busca por simplicidade. "O digissexual, ele também não tá tão errado assim, né?", refletiu Felipeh. "Às vezes também a gente... ele só quer resolver ali o negócio, entendeu?"
Pâmela, no entanto, rebateu a ideia, defendendo a necessidade do contato físico. "Mas tem que ter um corpo quente, entendeu? Pra dormir numa conchinha", brincou.
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