Esporte na Band

Diretor da Fifa se posiciona contra proposta de Infantino para vender Copa

Kevin Lamour é o segundo dirigente da entidade máxima do futebol a se manifestar sobre criação de "enterprise"

Da redação
DA REDAÇÃO

31/07/2026 • 14:00 • Atualizado em 31/07/2026 • 14:05

Gianni Infantino, presidente da Fifa

Gianni Infantino, presidente da Fifa

REUTERS/Lisi Niesner

Resumo

O posicionamento público do diretor de operações da Fifa, Kevin Lamour, foi contrário à proposta do presidente Gianni Infantino de comercializar participações da Copa do Mundo com investidores privados, após a renúncia de Carlos Cordeiro ao cargo de assessor da presidência.

A manifestação do dirigente francês apontou falta de transparência no planejamento do projeto, classificando a iniciativa como um projeto individual e defendendo que líderes políticos do futebol questionem e tomem decisões corretas, sem renunciar ao cargo, mas aceitando possíveis consequências.

A proposta de criação do grupo Fifa Forward Enterprise, avaliada em cerca de R$ 102,5 bilhões, dividiu as confederações continentais e levantou debates sobre governança, transparência e autonomia, em um momento de definição política e possibilidade de concorrência à presidência da entidade.

O diretor de operações da Fifa, Kevin Lamour, se posicionou publicamente contra a proposta do presidente da entidade, Gianni Infantino, de vender participações comerciais da Copa do Mundo a investidores privados. As declarações foram feitas em comunicado à agência de notícias Associated Press, após a renúncia de Carlos Cordeiro ao cargo de assessor da presidência.

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Na manifestação, o dirigente francês afirmou que a equipe da entidade foi enganada pela falta de transparência do mandatário no planejamento do projeto com investidores privados. Para o diretor de operações, os funcionários da entidade merecem mais do que desprezo e intimidação.

Falta de transparência na proposta

O funcionário, que é colega de longa data do mandatário tanto na Fifa quanto na Uefa, classificou a iniciativa como um projeto de uma só pessoa. O dirigente destacou que o plano não deve seguir adiante e avalia que chegou o momento de os líderes políticos do futebol fazerem as perguntas certas e tomarem as decisões corretas.

Apesar dos posicionamentos, o executivo francês informou que não renunciou ao cargo que ocupa desde 2024. Ele ressaltou que possui um dever para com os seus colegas de trabalho e declarou que entenderá e respeitará a decisão caso venha a perder o emprego por causa do posicionamento.

É um projeto de uma só pessoa. Não apenas este projeto não deve seguir adiante... mas chegou a hora de os líderes políticos do futebol fazerem a si mesmos as perguntas certas e tomarem as decisões corretas. E se isso significar que perderei meu emprego, que assim seja. Entenderei e respeitarei essa decisão. Pelo menos dormirei bem esta noite - Kevin Lamour, à AP.

Impactos no futebol mundial

A proposta da entidade consiste na criação do grupo Fifa Forward Enterprise (FFE) e na venda de participações comercialmente minoritárias das principais competições por meio do novo programa de negócios, avaliado em cerca de R$ 102,5 bilhões. A medida, que prevê a manutenção do controle da governança sob o comando gerido por Infantino, dividiu as seis confederações continentais e gerou debates sobre governança, transparência e autonomia das federações nacionais.

A crise ocorre em um período de definição política na entidade máxima do futebol. Infantino preside a instituição há mais de 10 anos e parecia ter a reeleição garantida para o próximo mês de março, sem concorrentes. A Fifa estabeleceu o dia 18 de novembro como prazo final para o surgimento de eventuais oponentes ao cargo.