
Carlos Cordeiro renuncia cargo de conselheiro da Fifa após polêmica sobre venda de ações da Copa do Mundo
DHS photo by Tia Dufour/Divulgação
Resumo
Acontecimentos recentes envolveram a renúncia de Carlos Cordeiro, conselheiro da Fifa e representante no grupo da Casa Branca para a Copa do Mundo, em protesto contra o plano da entidade de permitir investimentos privados em suas principais competições, especialmente a Copa do Mundo.
Pessoas centrais incluem Carlos Cordeiro, presidente Gianni Infantino, o investidor Joshua Kushner e seu irmão Jared Kushner, além do ex-presidente dos EUA, Donald Trump, com quem Cordeiro esteve em reuniões relacionadas à Fifa.
Ideias centrais abordam críticas de Cordeiro à criação de uma subsidiária de 20 bilhões de dólares para separar ativos comerciais, à venda de 20% para investidores privados e à falta de justificativa para captar US$ 4,2 bilhões diante das reservas financeiras da Fifa, com apelo para que outros dirigentes se manifestem em defesa dos interesses do futebol.
Carlos Cordeiro, um dos principais conselheiros da Fifa e representante da entidade no grupo de trabalho da Casa Branca para a Copa do Mundo, renunciou ao seu cargo nesta sexta-feira (31). O desligamento ocorre em forma de protesto contra o plano da organização de abrir espaço para investimentos privados em suas principais competições.
Não posso ficar de braços cruzados enquanto a Fifa considera vender uma participação na Copa do Mundo.
O ex-banqueiro do Goldman Sachs divulgou a declaração no comunicado em que anunciou sua saída do posto de conselheiro do presidente da entidade, Gianni Infantino, aproveitando o momento para instar outros altos funcionários da entidade máxima do futebol mundial a se manifestarem.
Nos últimos anos, Cordeiro esteve frequentemente ao lado de Infantino em visitas de trabalho para reuniões com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na Casa Branca.
Deixe-me ser claro. Não participei desta proposta e me oponho a ela inequivocamente.
Críticas ao modelo financeiro e ao valor de mercado
O ex-presidente da Federação de Futebol dos EUA criticou abertamente a subsidiária comercial de 20 bilhões de dólares projetada pela entidade, classificando-a como "um mau negócio para o futebol."
O futebol tem sido fundamental na minha vida e, depois de mais de 35 anos no setor bancário, compreendo tanto o valor deste ativo quanto as consequências de abrir mão de uma parte dele. É por isso que esta proposta deve ser rejeitada.
A proposta formulada por Infantino prevê a separação dos ativos comerciais da Fifa — englobando as Copas do Mundo Masculina e Feminina, além do Mundial de Clubes — em uma nova subsidiária avaliada em 20 bilhões de dólares. Deste total, 20% seriam transferidos para o controle de investidores privados.
O "investidor âncora", conforme descrição da própria Fifa, é uma empresa sediada em Nova York criada por Joshua Kushner, irmão mais novo de Jared Kushner, genro de Donald Trump.
Reservas financeiras e apelo à liderança
Ao contestar a necessidade de captar recursos externos, Cordeiro relembrou a situação das contas da entidade, citando os 15 bilhões de dólares arrecadados no ciclo recente da Copa do Mundo:
A Fifa já tem acesso a recursos financeiros extraordinários. A organização possui bilhões de dólares em reservas e nenhuma dívida.
Nesse contexto, vender uma participação permanente no ativo mais valioso do futebol para arrecadar US$ 4,2 bilhões faz pouco sentido. É hipotecar o futuro do futebol sem qualquer justificativa convincente.
Cordeiro destacou que, ao longo dos cinco anos em que atuou na Fifa ao lado de Infantino, conviveu com "pessoas comprometidas e íntegras que se importam profundamente com o esporte."
Espero que eles também se manifestem, porque decisões dessa magnitude devem ser tomadas no interesse do futebol, não daqueles que buscam lucrar com ele.
Com informações da Estadão Conteúdo
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