Resumo
O projeto de venda de ações das operações comerciais da Fifa provocou forte reação entre confederações e dirigentes.
A Uefa ameaça boicotar competições da entidade, medida que poderia atingir a Copa do Mundo Feminina de 2027, no Brasil.
Segundo a “Sky Sports”, a crise aumentou as dúvidas sobre a permanência de Gianni Infantino na presidência da Fifa.
A tentativa de abrir a organização comercial das competições da Fifa a investidores privados colocou Gianni Infantino diante de uma das maiores crises desde que assumiu a presidência da entidade.
Segundo a emissora inglesa Sky Sports, dirigentes de diferentes países passaram a questionar a continuidade do suíço no cargo. A reação ganhou força após Uefa e Concacaf rejeitarem o projeto apresentado pela Fifa.
A confederação europeia endureceu o discurso e ameaçou retirar suas 55 seleções das competições organizadas pela entidade caso a proposta seja aprovada. Juntas, Uefa e Concacaf reúnem 96 das 211 associações filiadas à Fifa.
A votação está prevista para 19 de setembro.
Confederações pressionam a Fifa
A Confederação Asiática de Futebol ainda não anunciou uma posição definitiva, mas publicou críticas ao projeto. África e Oceania convocaram reuniões extraordinárias para discutir o tema, enquanto a Conmebol não se manifestou oficialmente.
De acordo com a Sky Sports, cresce entre dirigentes a avaliação de que Infantino pode não resistir politicamente à crise. A reportagem aponta uma revolta aberta entre membros da organização, embora não exista um processo definido para afastá-lo da presidência.
Infantino foi eleito em 2016, após Joseph Blatter antecipar a saída do cargo durante o escândalo do Fifagate. O suíço acabou reeleito por aclamação em 2019 e 2023. O mandato atual termina em 2027.
Boicote ameaça competições da Fifa
A Uefa afirmou que poderá boicotar qualquer torneio da Fifa caso investidores privados passem a controlar parte das operações comerciais das competições.
A medida afetaria diretamente a Copa do Mundo Feminina de 2027, marcada para o Brasil, e poderia alcançar outros eventos do calendário internacional.
Em nota, a entidade europeia declarou que a Copa do Mundo não pode ser tratada como um produto financeiro. Também criticou a falta de consulta às confederações e classificou o processo conduzido pela Fifa como incompatível com uma decisão democrática.
Entenda a proposta de Infantino
O projeto prevê a criação da Fifa Forward Enterprise, empresa que concentraria a organização comercial e a exploração das principais competições da entidade.
A Fifa estima que a companhia poderia alcançar um valor de US$ 20 bilhões, cerca de R$ 102,3 bilhões. A proposta prevê a venda de US$ 4,2 bilhões em ações, o equivalente a aproximadamente R$ 21,5 bilhões, mantendo investidores privados como acionistas minoritários.
Infantino afirma que o dinheiro permitiria ampliar os repasses destinados às federações nacionais. O valor distribuído a cada associação poderia subir de US$ 8 milhões para US$ 20 milhões.
A Fifa também sustenta que o capital privado ajudaria a elevar as receitas de direitos de transmissão e patrocínio das competições masculinas, femininas e de base.
O presidente apresentou seus argumentos em vídeo divulgado pela entidade e afirmou que a proposta será analisada pelas associações filiadas e pelo Conselho da Fifa.
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