Copa do mundo

Uefa ameaça boicote à Copa do Mundo caso Mundial seja vendido; entenda

Fifa anunciou possibilidade de venda de parte da competição para investidores nesta terça

3 min

28/07/2026 17:04 • Atualizado há 3 horas

Gianni Infantino, presidente da Fifa, na Copa do Mundo de 2026

Gianni Infantino, presidente da Fifa, na Copa do Mundo de 2026

REUTERS/Dylan Martinez

Resumo

Conflito entre Uefa e Fifa se intensifica após anúncio da possível comercialização da Copa do Mundo por meio da criação da Fifa Forward Enterprise (FFE), empresa que venderia direitos do torneio para investidores e acionistas, com potencial de arrecadar mais de R$ 200 bilhões.

Reação da Uefa inclui rejeição pública à proposta, ameaça de boicote à Copa do Mundo e convocação de reunião emergencial para discutir medidas, com apoio de declarações contrárias do primeiro-ministro britânico Andy Burnham e ênfase na defesa do futebol como patrimônio dos torcedores.

Plano da Fifa prevê venda de 20% a 30% da competição para investidores das 211 associações filiadas, com Infantino atuando como comissário da FFE, participação de acionistas ligados a Donald Trump e coordenação financeira do JP Morgan, gerando críticas sobre transparência e governança do esporte.

A Uefa voltou a subir o tom e pode ameaçar boicotar a Copa do Mundo da Fifa caso a entidade máxima do futebol confirme os planos de vender parte do Mundial para acionistas e investidores. A informação foi divulgada pela TV Sky Sports nesta terça-feira (28).

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A ideia da comercialização do torneio surgiu de Gianni Infantino e foi oficializada pela Fifa durante o início desta tarde. A ideia da entidade máxima do futebol é criar uma enterprise - a Fifa Forward Enterprise (FFE) -, que seria responsável pela comercialização de parte do torneio, como direitos de transmissão e ingressos. O mandatário italiano funcionaria como uma espécie de comissário dessa nova empresa, que poderia chegar mais de R$ 200 bilhões.

Por que a Uefa pode boicotar a Copa do Mundo?

Em pronunciamento oficial, a Uefa rejeitou a ideia proposta pela Fifa e afirma que tal pretexto “cruza uma linha que as instituições que comandam o futebol nunca deveriam cruzar". De acordo com a Sky Sports, a entidade europeia fará uma reunião emergencial nesta semana para discutir os próximos passos.

A Uefa ainda ameaça boicotar a Copa do Mundo caso a Fifa siga com a ideia de criar a FFE. O primeiro-ministro do Reino Unido, Andy Burnham, foi a público nas redes sociais para fazer um pronunciamento contra a entidade máxima do futebol.

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Deixe-me dizer isto de forma muito direta. O futebol não pertence aos investidores. Ele pertence às pessoas que enchem as bancadas e que estão na linha lateral semana após semana, chuva ou sol. A Copa do Mundo não é um produto. É a maior competição do desporto mundial, e nunca foi de alguém para vender. Enfeite o negócio como quiser. Uma vez que tenha vendido uma parte dele, você se vendeu. O futebol pertence aos torcedores. Sempre pertenceu, e sempre pertencerá. - Andy Burnham, primeiro-ministro do Reino Unido

Entenda o que é a FFE e como ela funcionaria

A Fifa seria a principal acionista da Copa do Mundo. A ideia de Infantino é vender entre 20% e 30% da competição para investidores das 211 associações que fazem parte da entidade máxima do futebol. O acordo poderia render 15 bilhões de libras (R$ 201 bilhões).

Infantino seria um comissário dessa nova empresa que comandaria parte da Copa do Mundo. O presidente da Fifa, inclusive, já teria entrado em contato com alguns acionistas próximos à gestão de Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, aliado forte do italiano. A JP Morgan coordena o processo.

Veja o comunicado da Uefa sobre a FFE:

"Isso ultrapassa uma linha que as instituições governantes do futebol nunca deveriam ultrapassar. A UEFA leva isso extremamente a sério. Todas as Associações Nacionais de Futebol também deveriam levar. Assim como todas as partes interessadas: ligas, clubes, jogadores, torcedores, governos e todos os que se importam com o futuro do esporte.

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A alma e a governança do futebol não são bens para serem negociados — especialmente com zero transparência sobre quem ganha financeiramente. Nenhum de nós é dono do futebol. Ele não pertence à FIFA para ser vendido."