Quando a temporada 2022 da Fórmula 1 começou, a Ferrari despontava como a principal favorita aos títulos. Nas três primeiras corridas do campeonato, foram duas vitórias, dois segundos lugares e uma terceira posição. Mas as coisas não deram certo depois disso, e a Red Bull passou a dominar a F1 até o final de 2024, quando viu a McLaren tomar o posto.
Desde o começo de 2023, a escuderia de Maranello conquistou apenas seis vitórias na categoria, sendo uma em 2023 e cinco em 2024. Em 2025, o time apostou alto e tirou Lewis Hamilton da Mercedes, mas os resultados ainda não vieram. O heptacampeão só brilhou ao vencer a corrida sprint do GP da China, e nem mesmo conseguiu um pódio nas corridas principais. Enquanto isso, Charles Leclerc teve como melhor momento o segundo lugar no GP de Mônaco.
Mas a Ferrari vem tendo motivos para comemorar de 2023. Só que no WEC, e não na F1.
A temporada 2023 marcou o retorno da Ferrari às corridas de endurance, depois de um hiato de 50 anos. Naquele ano, o hypercar da marca venceu as 24 Horas de Le Mans com o trio formado por James Calado, Antonio Giovinazzi e Alessandro Pier Guidi. O trio terminou o campeonato em quarto lugar, atrás do outro trio da Ferrari AF Corse formado por Antonio Fuoco, Miguel Molina e Nicklas Nielsen.
Em 2024, o trio Fuoco-Molina-Nielsen levou as 24 Horas de Le Mans e ficou com o vice-campeonato na divisão hypercar do WEC. E o tricampeonato em La Sarthe veio em 2025, agora com o trio Robert Kubica, Yifei Ye e Phil Hanson, da AF Corse – que, embora não seja operação oficial da Ferrari, corre com o mesmo modelo 499P usado pela equipe da marca.
Enquanto a Ferrari ainda busca a primeira vitória na temporada 2025 da Fórmula 1, o cenário no WEC é exatamente o oposto: nas quatro primeiras provas da temporada, a marca italiana venceu todas. O carro número 51 (Calado, Giovinazzi e Pier Guidi) venceu as 6 Horas de Ímola e as 6 Horas de Spa-Francorchamps, enquanto o carro 50 (Fuoco, Molina e Nielsen) venceu a 1812 km do Catar na abertura da temporada. Sem surpresa, os três trios que correm com a Ferrari 499P ocupam os três primeiros lugares do campeonato da hypercar.
Frédéric Vasseur pode cair na Ferrari?
Diante deste cenário, a temperatura na operação da Ferrari na Fórmula 1 voltou a subir. Na semana anterior ao Grande Prêmio do Canadá, a imprensa italiana colocou em perigo o emprego de Frédéric Vasseur como chefe de equipe. Em caso de queda, os nomes mais cotados para o posto seriam Jérôme d’Ambrosio (chefe de equipe adjunto da Ferrari na F1) e Amato Ferrari (fundador e chefe de equipe da AF Corse no WEC, sem vínculo familiar com a Ferrari).
Em Montreal, Charles Leclerc foi quinto e Lewis Hamilton foi sexto. Mas antes da corrida, o heptacampeão foi questionado a respeito da pressão sobre Vasseur, e saiu em defesa do chefe.
“Só fiquei sabendo disso antes de chegar aqui, então não li as histórias. Definitivamente não é nada bom ouvir que existem histórias assim por aí. Primeiro, adoro trabalhar com o Fréd. O Fréd é o principal motivo de eu estar nesta equipe e tive a oportunidade de estar aqui – pela qual sou eternamente grato. Estamos juntos nisso. Estamos trabalhando duro nos bastidores”, disse Hamilton.
“As coisas não estão perfeitas. Mas, como eu disse, estou aqui para trabalhar com a equipe e com o Fréd. Quero o Fréd aqui. Acredito que o Fréd é a pessoa que vai nos levar ao topo, e é isso. Para mim, tudo o que as pessoas escreveram é bobagem. A maioria das pessoas não sabe o que está acontecendo nos bastidores. Não é tudo fácil, tipo, não é o caminho mais tranquilo. Estamos tendo que fazer mudanças e há muito trabalho a ser feito. Naturalmente há muita pressão porque queremos vencer, mas isso não faz parte da discussão no momento”, acrescentou.

