
Crise política segue abalando o São Paulo
Rubens Chiri/São Paulo
O clima político no São Paulo FC está fervendo e ganhou um novo capítulo nesta terça-feira (24). Um grupo de conselheiros protocolou um pedido de expulsão de Antonio Donizete, o Dedé, conselheiro vitalício e ex-diretor social do clube.
A acusação é grave: o dirigente teria fornecido provas e argumentos que agora são usados por uma empresa em um processo judicial de milhões contra o próprio Tricolor.
O "fogo amigo" e o processo da FGoal
A representação enviada à Comissão de Ética sustenta que Dedé agiu de forma incompatível com seus deveres ao municiar a empresa FGoal com diálogos e documentos. A FGoal, antiga fornecedora de alimentos e bebidas do MorumBis, processa o São Paulo tentando restabelecer um contrato rescindido após a descoberta de movimentações financeiras irregulares.
Para os conselheiros que assinam o pedido, a situação é um paradoxo: "A quem incumbe defender a instituição passa a municiar a parte adversa com argumentos contra o próprio Clube", diz o documento.
Taxas extras e investigação da Polícia Federal
Dedé já estava na mira das autoridades antes mesmo deste pedido de expulsão. Ele é alvo de inquérito da Polícia Federal e do Ministério Público devido a um áudio vazado.
Na gravação, o conselheiro fala sobre cobranças de taxas para empresas entrarem no clube, que variariam entre R$ 100 mil e R$ 150 mil, além de comissões de até 20% sobre o faturamento bruto.
Entenda a briga: São Paulo x FGoal
O conflito começou em fevereiro de 2026, quando o São Paulo rescindiu o contrato com a FGoal por justa causa. O motivo? Descontos não autorizados nos repasses feitos ao clube.
O esquema: O dinheiro das vendas no estádio e no clube social ia para uma conta controlada pela FGoal. Antes de repassar ao São Paulo, a empresa retinha uma parte.
A justificativa: Dedé afirma que havia um "acordo verbal" com aval da diretoria financeira para esses descontos. O São Paulo nega veementemente a existência desse acerto.
A suspeita: A Polícia Civil investiga possíveis desvios feitos através das máquinas de cartão vinculadas a essas operações.
Falta de transparência e contratos informais
A denúncia dos conselheiros também acende o alerta sobre a gestão interna. O texto aponta que operações milionárias foram realizadas através de fluxos informais e paralelos, sem contratos formais ou transparência perante os órgãos de controle do clube.
A defesa de Antonio Donizete afirma que ele apenas respondeu a uma notificação formal por "obrigação moral e legal" e que ainda não foi notificado oficialmente sobre o pedido de expulsão.
* Com informações do Estadão Conteúdo.
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