Esporte na Band

São Paulo: Conselheiros pedem a expulsão de ex-diretor por "traição"

Conselheiro teria ajudado empresa em processo milionário contra o clube

Da redação
DA REDAÇÃO

24/03/2026 • 13:05 • Atualizado em 24/03/2026 • 13:15

Crise política segue abalando o São Paulo

Crise política segue abalando o São Paulo

Rubens Chiri/São Paulo

O clima político no São Paulo FC está fervendo e ganhou um novo capítulo nesta terça-feira (24). Um grupo de conselheiros protocolou um pedido de expulsão de Antonio Donizete, o Dedé, conselheiro vitalício e ex-diretor social do clube.

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A acusação é grave: o dirigente teria fornecido provas e argumentos que agora são usados por uma empresa em um processo judicial de milhões contra o próprio Tricolor.

O "fogo amigo" e o processo da FGoal

A representação enviada à Comissão de Ética sustenta que Dedé agiu de forma incompatível com seus deveres ao municiar a empresa FGoal com diálogos e documentos. A FGoal, antiga fornecedora de alimentos e bebidas do MorumBis, processa o São Paulo tentando restabelecer um contrato rescindido após a descoberta de movimentações financeiras irregulares.

Para os conselheiros que assinam o pedido, a situação é um paradoxo: "A quem incumbe defender a instituição passa a municiar a parte adversa com argumentos contra o próprio Clube", diz o documento.

Taxas extras e investigação da Polícia Federal

Dedé já estava na mira das autoridades antes mesmo deste pedido de expulsão. Ele é alvo de inquérito da Polícia Federal e do Ministério Público devido a um áudio vazado.

Na gravação, o conselheiro fala sobre cobranças de taxas para empresas entrarem no clube, que variariam entre R$ 100 mil e R$ 150 mil, além de comissões de até 20% sobre o faturamento bruto.

Entenda a briga: São Paulo x FGoal

O conflito começou em fevereiro de 2026, quando o São Paulo rescindiu o contrato com a FGoal por justa causa. O motivo? Descontos não autorizados nos repasses feitos ao clube.

O esquema: O dinheiro das vendas no estádio e no clube social ia para uma conta controlada pela FGoal. Antes de repassar ao São Paulo, a empresa retinha uma parte.

A justificativa: Dedé afirma que havia um "acordo verbal" com aval da diretoria financeira para esses descontos. O São Paulo nega veementemente a existência desse acerto.

A suspeita: A Polícia Civil investiga possíveis desvios feitos através das máquinas de cartão vinculadas a essas operações.

Falta de transparência e contratos informais

A denúncia dos conselheiros também acende o alerta sobre a gestão interna. O texto aponta que operações milionárias foram realizadas através de fluxos informais e paralelos, sem contratos formais ou transparência perante os órgãos de controle do clube.

A defesa de Antonio Donizete afirma que ele apenas respondeu a uma notificação formal por "obrigação moral e legal" e que ainda não foi notificado oficialmente sobre o pedido de expulsão.

* Com informações do Estadão Conteúdo.