Veja como cada clube se posicionou em audiência sobre bets no STF
Clubes usaram impacto dos patrocínios, salários de funcionários e diferentes categorias do futebol

Audiência sobre bets no STF
Rosinei Coutinho/STF
Clubes brasileiros tiveram a oportunidade de se pronunciar nesta terça-feira (3), na segunda audiência para discutir os efeitos das apostas online, no Supremo Tribunal Federal (STF). O encontro foi convocado pelo ministro Luiz Fux.
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Representante do governo federal, o ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva, argumentou pela proibição mencionando danos provocados pelas bets à saúde pública, à segurança pública e às famílias brasileiras.
De acordo com ele, o governo ouviu setores envolvidos e procurou alternativas, mas concluiu que as medidas de regulação eram insuficientes diante da dimensão do problema. O ministro citou dados sobre pessoas que apostam de forma arriscada, transtornos relacionados ao jogo, atendimentos no SUS e endividamento das famílias.
Os clubes, então, argumentaram sob a representação de seus advogados. Veja o que cada um falou:
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Flamengo
Um dos clubes que mais protestou contra a proibição, o Flamengo foi representado por seu vice-presidente, Flávio de Araújo Willeman, que destacou a influência do valor do patrocínio das casas de apostas para as finanças dos clubes.
“O Flamengo possui mais de 1.200 empregados que poderão ser comprometidos com a queda de aproximadamente 430 milhões de reais de receitas anuais com o futebol e com o esporte”, disse.
Fluminense
Na sequência, o presidente do Fluminense, Mattheus Reis e Montenegro, afirmou que a proibição das bets pode causar desemprego no futebol.
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“Um ponto que me chamou muita atenção é que eu ouvi muito se falar sobre drama, o drama das famílias, o drama do endividamento. E isso é verdade, o Fluminense não nega isso. Só que também existe um drama do desemprego. O que os clubes vão fazer se a receita acabar? Eu já vi muitas vezes a Suprema Corte discutir a ponderação de princípios, mas aqui, neste caso, infelizmente, nós teremos que fazer a ponderação entre os dramas. O drama de uma família endividada não pode ser maior do que o drama de uma família que vai ter que sofrer os efeitos do desemprego, que é o que vai acontecer na cadeia do futebol, especialmente das agremiações menores com base nessa perda de receita”, argumentou.
Botafogo
O advogado Bichara Abidão Neton optou por destacar o impacto financeiro para além do futebol profissional masculino.
“Esse patrocínio era o maior da história do clube nos seus mais de 100 anos. Era uma receita, não só a principal receita comercial do clube, que ajudava a fomentar o futebol masculino, mas não se pode deixar de observar que é justamente esse tipo de receita que fomenta também as categorias de base e o futebol feminino do clube. O doutor Flávio Willeman fez lembrar muito bem que nós estamos já num ciclo olímpico para as Olimpíadas de Los Angeles, mas é importante lembrar também que o Brasil sediará no ano que vem a Copa do Mundo Feminina. Naturalmente, é uma conclusão muito lógica que se chega, que se ao diminuir a receita da categoria, a receita do clube como um todo, as categorias de base e o futebol feminino vão ser os primeiros a sofrer essa perda de receita”, explicou.
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Cruzeiro
O discurso da Raposa foi semelhante ao do Botafogo. O representante José Francisco Cimino Manssur destacou a quantia dos patrocínios e mencionou o futebol feminino do clube.
“No caso do Cruzeiro, um clube que fez um trabalho de recuperação excepcional ao longo dos últimos anos, saiu de situações dificílimas, seja do ponto de vista financeiro, seja do ponto de vista esportivo, a partir da constituição da Sociedade Anônima do Futebol. Hoje, o Cruzeiro está recuperado, disputando as grandes competições. E o contrato de patrocínio feito com a maior empresa de apostas do mundo era responsável por algo como quatro ou cinco folhas de pagamento dos atletas, dos funcionários. Mais importante, ministro [Luiz] Fux, o Cruzeiro, no último domingo, se sagrou campeão da Libertadores da América Feminina. Faz um trabalho de fomento do futebol feminino, que é algo muito importante e que necessita prioritariamente das receitas advindas do patrocínio das empresas de apostas, que vão ser perdidas pela impossibilidade de cumprimento do contrato a partir da edição da medida provisória”, defendeu.
São Paulo
Assim como outros clubes, a responsável por representar o Tricolor Paulista, Danielle Maiolini Mendes, se baseou na receita de patrocínio e mencionou o impacto além do futebol profissional masculino.
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“Como já mencionado, São Paulo conta com a contratação de milhares de profissionais, cerca de 300 crianças que se formam por meio das suas categorias de base e possui também um clube social que atende a outros tantos associados. Uma despesa operacional que, entre fevereiro e setembro deste ano, soma cerca de R$ 350 milhões em custos. De janeiro a setembro de 2026, as receitas decorrentes do patrocínio Master e da publicidade derivada do segmento, somam cerca de R $ 101 milhões e representam cerca de 30% do valor total de receitas do clube no mesmo período".
"O São Paulo, de boa fé, celebrou um contrato longevo com uma empresa autorizada pela União e sob as regras que a própria União estabeleceu. Especialmente no nosso caso, a ruptura da segurança jurídica tem efeitos ainda mais drásticos. O São Paulo conta com o contrato de patrocínio mais longo do Campeonato Brasileiro da Série A, com vigência até 2030. E também destes valores depende um planejamento que vai muito além da temporada de 2026 e do custeio do futebol masculino profissional. Eles custeiam as categorias de base, essas que especificamente oportunizam que diversas famílias estruturem também as suas vidas por meio do esporte, assim como o futebol feminino, as Soberanas, que são as atuais campeãs do Campeonato Brasileiro de 2026”.
Corinthians
Ao também usar o futebol femino como exemplo, o Corinthians pediu por um período de transição antes do banimento completo das casas de apostas. No argumento, citou salários de jogadores.
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"Que tenha que ocorrer um período de transição, uma adequação. O que não pode é, de um momento para o outro, isso ser cerceado do clube de futebol. O Sport Club Corinthians Paulista é um clube de inclusão social. O futebol feminino, que foi dito aqui, o Corinthians, em 10 anos, foi 22 vezes campeão. Ele é campeão seis vezes campeão da Libertadores, sete vezes campeão brasileiro e outros campeonatos. Vice-campeão mundial. Essa verba, independente da empresa, vai fazer falta de uma forma que coloque em risco todas as categorias do clube. Foram feitos diversos acordos, inclusive com a União, de pagamentos que agora ficaram comprometidos pela falta de orçamento. Nós temos, além disso, o principal direito do trabalhador, que o jogador de futebol é um trabalhador, o salário desses trabalhadores, que não basta você falar, olha, vamos fazer a rescisão deste trabalhador e vamos indenizá-lo. A indenização do trabalhador é o contrato todo. Então, nós fizemos um contrato de 60 meses, ele trabalhou um mês, ele vai receber 59 de indenização. Então, é muito desproporcional”.
