Técnico treinou "na lama", ficou desempregado e pode ser campeão do mundo
Luis de la Fuente já trabalhou na 5ª divisão espanhola e ficou 19 meses sem clube

Luis de la Fuente
REUTERS/Matthew Childs
Luis de la Fuente, técnico da Espanha, está no topo do futebol mundial. Vai disputar a final da Copa do Mundo contra a Argentina e tem sido muito elogiado pelo que fez desde as categorias de base. Mas antes disso, ele trilhou o caminho mais difícil: começou nas últimas divisões e ficou 19 meses sem clube, até chegar na seleção espanhola.
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De la Fuente é ex-jogador: foi lateral-esquerdo e conquistou títulos pelo Athletic Bilbao na década de 1980. Mas quando decidiu ser treinador, partiu de baixo.
O início da carreira de De la Fuente
A caminhada de Luis de la Fuente como técnico começou em 1997 no modesto Club Portugalete, equipe que disputava uma competição regional da Espanha, equivalente à 5ª divisão
O técnico precisou lidar com orçamentos minúsculos, campos castigados pela chuva e jogadores que dividiam a rotina de treinos com seus empregos diários.
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Em entrevista recente à GQ, ele recordou com orgulho esse período.
Nunca fugi das minhas origens. Venho do futebol de lama, como alguns dizem. E soube evoluir e trilhar meu caminho, superando adversidades e dificuldades. Mas certamente não teria chegado onde estou sem elas
Ele também trabalhou no Aurrerá de Vitoria, na dura 3ª divisão nacional (a antiga Segunda B). Então partiu para as categorias de base do Sevilla. Entre 2001 e 2005, viveu o primeiro grande laboratório de formação de talentos. Ajudou a lapidar garotos que depois se destacaram, como Sergio Ramos e Jesús Navas.
Os 19 meses desempregado
Em julho de 2011, De la Fuente assumiu o Deportivo Alavés com o objetivo de conquistar o acesso para a segunda divisão nacional. No entanto, foi demitido após 11 jogos oficiais. Foram quatro vitórias, quatro empates e três derrotas. Ficou sem emprego a partir de outubro de 2011.
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Foram 19 longos meses. Ele usou esse tempo para estudar, assistir jogos, refletir sobre o trabalho e criar contatos.
Uma oportunidade surgiu em maio de 2013, quando a federação espanhola lhe ofereceu um contrato temporário, de apenas três meses, para dirigir a seleção Sub-19. O rendimento e a seriedade do trabalho transformaram a experiência de curto prazo em um projeto duradouro.
Da base aos títulos
De la Fuente comandou as equipes do Sub-18 ao Sub-23, acumulando taças importantes como a Eurocopa Sub-19 (2015) e a Eurocopa Sub-21 (2019), além da Medalha de Prata nas Olimpíadas de Tóquio, em 2021.
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Ao assumir o time profissional, em dezembro de 2022, ele ajudou a revolucionar o jogo espanhol. Criou um "tiki-taka" mais vertical, focando no jogo pelas pontas. Renovou a seleção, com garotos que ele tinha treinado na base. E conseguiu sucesso imediato, com os títulos da Liga das Nações (2023) e da Eurocopa (2024).
Malhado, religioso e "paizão"

Nos bastidores, De la Fuente tem algumas curiosidades. Aos 65 anos, exibe uma forma física saudável, fruto de uma rotina rigorosa de musculação diária na academia.
Sua fé católica também é um pilar público inegociável. Ele já viralizou quando foi perguntado se fazer o sinal da cruz, antes das partidas, era uma superstição. Respondeu: "Se eu me benzer, não é superstição. É fé".
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E também chama atenção pela figura dócil e paternal no vestiário. É conhecido por tratar os atletas como filhos. Constrói relações de extrema lealdade e afeto. E apesar de todos elogios, não quer a popularidade.
As verdadeiras estrelas dessa história são os jogadores. Eu não quero tirar o protagonismo deles. E mais: quando vejo algum treinador que quer ser mais protagonista do que os jogadores, não gosto
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