Esporte

Uefa manda recado à Fifa após projeto para vender direitos da Copa; veja

Proposta colocaria à disposição 20% das ações do Mundial para investidores

4 min

01/08/2026 08:34 • Atualizado há 7 horas

Infantino

Infantino

REUTERS/Henry Romero

Após a Fifa desistir de vender parte dos direitos da Copa do Mundo, a Uefa, entidade máxima do futebol europeu, divulgou um comunicado parabenizando a decisão, mas reforçou que as relações entre as instituições está, de fato, abalada.

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Na última semana, Gianni Infantino se tornou o protagonista de um projeto que colocaria à venda 20% das ações do Mundial de seleções, após a divulgação do material a Uefa foi a primeira entidade a se opor e contou com o apoio de suas 55 federações. Em nota, a entidade ameaçou boicotar de quaisquer competições da Fifa.

No entanto, depois de muita pressão a própria Fifa desistiu do projeto e a Uefa gostou da posição da entidade máxima do futebol. Contudo, em novo comunicado, ela declarou que a confiança na liderança de Infantino está quebrada.

“Esta é uma vitória para todo o mundo do futebol. Mas não pode ser o fim da história. A proposta já foi apresentada. A tarefa de restabelecer a confiança na FIFA mal começou", destacou.

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Leia o comunicado completo:

A UEFA congratula-se com a decisão da FIFA de retirar o seu plano de vender uma participação nas suas competições — incluindo o Campeonato do Mundo — a entidades privadas.

A proposta foi rejeitada por unanimidade pelas federações nacionais da UEFA e por muitas outras federações e confederações de todas as dimensões em todo o mundo, cuja missão é proteger o futebol.

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A UEFA agradece a todos os adeptos, ligas, clubes, jogadores, indivíduos, federações e confederações que se opuseram a este esquema, bem como aos muitos primeiros-ministros, chefes de Estado e comentadores que demonstraram ao presidente da FIFA que o futebol não está à venda.

Não podemos continuar assim, com esquemas secretos levados a cabo a um ritmo acelerado, arquitetados por indivíduos anónimos e cujos benefícios para o desporto são duvidosos. Temos de identificar os responsáveis e exigir que prestem contas.

É correto que, nos próximos dias e semanas, a UEFA trabalhe com as suas federações e em estreita cooperação com outras confederações para refletir sobre como isto aconteceu e elaborar um plano que garanta que tal não volte a ocorrer. Essa análise deve ser exaustiva e profunda. Nenhuma opção deve ser excluída. A atual direção da FIFA não só perdeu a confiança da UEFA, como também a de muitos outros membros da família do futebol.

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Quando Gianni Infantino pediu a confiança e os votos das federações membro da FIFA para ser eleito seu presidente em 2016, afirmou: "É claro que temos de ser transparentes. Fui assim nos últimos 15 anos da minha vida na UEFA. Vocês terão de desempenhar um papel diário na vida da FIFA", antes de dizer às partes interessadas reunidas na ocasião: "O dinheiro da FIFA é o vosso dinheiro. Não é o dinheiro do Presidente da FIFA. É o vosso dinheiro. Vocês são as federações nacionais e o dinheiro da FIFA tem de servir para o desenvolvimento do futebol e não para mais nada."

Em relação a ambas as promessas, ele não cumpriu o que prometeu. O acordo mesquinho, feito nos bastidores e opaco que ele arquitetou e tentou impor estava longe de ser transparente.

E com reservas que ascendem a mais de 5000 milhões de dólares, também falhou em utilizar o dinheiro das federações em benefício do desporto.

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A UEFA começará a trabalhar imediatamente com os seus parceiros e partes interessadas em todo o mundo e em todos os sectores do futebol para propor uma nova forma de distribuir recursos através do programa FIFA Forward já existente.

Temos de começar a utilizar parte desse dinheiro que está parado na conta bancária da FIFA para dar o impulso inicial de que as bases do futebol e o futebol em geral necessitam em cada um dos 211 países da FIFA. Mas não precisamos de vender os bens mais valiosos da família para pagar isso.

Esta é uma vitória para todo o mundo do futebol. Mas não pode ser o fim da história. A proposta já foi apresentada. A tarefa de restabelecer a confiança na FIFA mal começou.