Esporte na Band

Fifa desiste de vender parte dos direitos da Copa do Mundo, diz jornal

Plano previa receber até US$ 4,2 bilhões de investidores privados e enfrentou resistência de confederações e dirigentes

Da redação
DA REDAÇÃO

31/07/2026 • 19:54 • Atualizado em 31/07/2026 • 19:54

Resumo

A Fifa abandonou o plano de vender cerca de 20% de uma nova empresa responsável pelos negócios comerciais da Copa do Mundo.

A operação poderia arrecadar até US$ 4,2 bilhões, mas enfrentou forte oposição da Uefa e de outras confederações.

A informação foi publicada pelo New York Post. A entidade ainda não confirmou oficialmente o encerramento do projeto.

A Fifa abandonou o projeto de vender a investidores privados uma participação nos negócios comerciais da Copa do Mundo. A informação foi publicada nesta sexta-feira (31) pelo jornal norte-americano New York Post e repercutida pela agência Reuters.

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O plano previa a criação da Fifa Forward Enterprise, a FFE. A nova empresa assumiria áreas lucrativas da entidade, como direitos de transmissão, patrocínios, licenciamento e venda de ingressos.

A Fifa pretendia negociar cerca de 20% da companhia e arrecadar até US$ 4,2 bilhões — aproximadamente R$ 22 bilhões na cotação atual. A avaliação estimada da FFE chegava a US$ 20 bilhões.

Segundo o New York Post, fontes envolvidas nas conversas afirmaram que a operação não deve mais avançar. A Fifa ainda não anunciou oficialmente o fim do projeto.

Pressão derrubou projeto da Fifa

A proposta defendida pelo presidente Gianni Infantino provocou forte reação no futebol internacional. A Uefa liderou a oposição e ameaçou retirar suas seleções das competições organizadas pela Fifa caso o negócio fosse aprovado.

O risco de perder países como Inglaterra, Espanha, França, Alemanha e Itália reduziu o valor comercial do projeto. Sem as principais seleções europeias, a Copa do Mundo sofreria impacto nas receitas de televisão e patrocínio.

Concacaf e Confederação Asiática também manifestaram resistência ao modelo. A reação ampliou o isolamento da presidência da Fifa e colocou em dúvida o apoio necessário para levar a proposta adiante.

Como funcionaria a Fifa Forward Enterprise

A Fifa manteria o controle majoritário da FFE, mas permitiria a entrada de capital externo. A Thrive Capital, comandada pelo empresário norte-americano Joshua Kushner, aparecia como uma das principais interessadas. O banco JPMorgan atuava como consultor da operação.

Infantino havia dado às 211 associações nacionais prazo até 19 de setembro para analisar o projeto. O pacote incluía a promessa de aumentar os repasses destinados ao desenvolvimento do futebol.

A proposta transferiria para a FFE a exploração de transmissão, patrocínio, bilheteria e licenciamento dos torneios. A empresa também participaria da operação das competições organizadas pela entidade.

Crise atingiu dirigentes da entidade

A resistência chegou à estrutura interna da Fifa. Kevin Lamour, diretor de operações da entidade, afirmou à Associated Press que funcionários de alto escalão se sentiram enganados pela falta de transparência na condução das negociações.

Lamour classificou a iniciativa como um projeto pessoal de Infantino e citou problemas de confiança e governança. Segundo o dirigente, suas críticas poderiam até provocar sua demissão.

Antes da informação sobre o abandono da proposta, a Fifa havia defendido publicamente o projeto. Em comunicado, declarou que “ninguém está vendendo o futebol” e afirmou que não avançaria sem amplo apoio das associações nacionais.

Com a retirada dos investidores, a tendência é que a entidade mantenha internamente a comercialização dos direitos de suas competições. O futuro da FFE e uma eventual reformulação do modelo ainda não foram detalhados pela Fifa.