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Investidor explica SAF do Santa Cruz: “A expectativa é subir uma série por ano”

Marcio Cadar comentou sobre folha salarial, aportes, reforma no estádio, construção do novo CT e mais mudanças

Allan Brito
ALLAN BRITO

10/02/2025 • 20:06 • Atualizado em 10/02/2025 • 20:06

Depois de chegar ao fundo do poço, sem divisão nacional em 2024, o Santa Cruz encontrou uma esperança: está prestes a virar SAF (Sociedade Anônima do Futebol) e ter uma nova gestão, com 5 investidores. A torcida tem celebrado essa oportunidade. E Marcio Cadar, um dos empresários da SAF, falou com o Band.com.br, explicou detalhes da mudança e provou que compartilha essa empolgação.

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A nossa expectativa é subir uma série por ano. Não estamos afirmando que a gente vai subir uma série por ano. Mas estamos trabalhando para que isso ocorra

Marcio Cadar já foi conselheiro do Atlético-MG, trabalha no mercado financeiro e tem sido o porta-voz do projeto. Vinicius Diniz, que participou da SAF do Athletic, é outro nome importante que estará no Santa Cruz. Já os outros empresários são menos conhecidos no futebol: Alexandre Kubitschek, Iran Barbosa e Marcos Bittar. Eles já se conheciam e, juntos, prometem gerar uma renda de pelo menos R$ 1 bilhão durante 15 anos - somando valores que são investidos por eles e a renda gerada pelo time.

Por enquanto os investidores não estão com a “caneta na mão” A SAF ainda precisa ser aprovada e criada, o que deve ocorrer em até 60 dias. E assim o Santa Cruz já vai se beneficiar do dinheiro para buscar o acesso na Série D de 2025. Cadar comentou que a folha salarial terá um aumento considerável: “A folha salarial vai subir, lógico que vai subir, porque nós estamos pegando peças que virão para o Santa Cruz sabendo que o Santa Cruz tem um projeto. Isso é importante para os jogadores, para eles conseguirem enxergar uma perspectiva futura”.

Outra promessa importante é o investimento em estrutura. A SAF quer reformar o Estádio do Arruda. "A nossa primeira meta com relação ao Arruda é devolver a capacidade total dele", revelou Cadar.

Recentemente Cadar também falou ao Band.com.br sobre a relação difícil com as torcidas organizadas. Ele pretende apostar no diálogo e na educação para resolver o problema da violência.

Outros desafios da SAF são a possível troca de material esportivo, a venda dos naming rights do Arruda e a construção de um novo Centro de Treinamento. Marcio Cadar comentou sobre tudo isso. Leia a entrevista completa:

Band.com.br: Quero primeiro dar espaço para você contar exatamente quem é o Márcio Cadar. A gente sabe algumas informações básicas, que você é do mundo dos negócios e que já teve ligação com o Atlético Mineiro. Mas quero saber um pouco mais, porque é muito importante saber exatamente quem está por trás dessa SAF.

Marcio Cadar: Marcio é um cara que, até três semanas atrás, vivia uma vida tranquila, vivia uma vida no anonimato e voava abaixo dos radares. E de repente, de uma hora para outra, minha vida virou um turbilhão de emoções, digamos assim. E só emoções boas. Eu venho do mercado financeiro há muitos anos. Trabalho no mercado financeiro há muitos anos fazendo estruturação de fundos, estruturas de operações complexas, para grandes empresas, para grandes clientes. E eu tenho uma ligação muito forte com futebol, por causa da minha família. Meus tios e primos foram conselheiros do Atlético Mineiro por muitos anos. Eu fui conselheiro do Atlético Mineiro por muitos anos também. A gente participava ativamente da política do clube e, enfim, sempre fui apaixonado pelo futebol, pelo espetáculo que o futebol proporciona. Sempre tive muita curiosidade de entender o fenômeno social do futebol. Então isso me dá uma certa tranquilidade de fazer o que eu tô fazendo. Todo mundo vira para mim assim: ‘Poxa, você é um louco de querer assumir um negócio desse’. E aí eu falo assim: "Não sou louco não. Eu acho que de certa maneira eu fui preparado a vida inteira para estar onde estou agora, entendeu? É uma coisa super gostosa, tá sendo bastante prazeroso para mim. Sei que a gente tá vivendo agora uma lua de mel com a torcida. É natural. E as coisas vão mudar no futuro. Não que vão ter algumas revelações, mas cobranças acontecem. Tem hora que o time tá bem, tem hora que o time tá mal. A gente sabe como funciona. E nós estamos preparados para enfrentar o desafio da melhor maneira possível.

O que tem chamado atenção é que você tem tido um perfil muito participativo. Tem aparecido bastante, falado bastante sobre a SAF e aparece nas redes sociais. Isso não é tão comum em todas as SAFs. Às vezes os donos até se escondem de entrevistas. Você pretende, quando a SAF for constituída, manter esse perfil bastante participativo mesmo?

Totalmente. Eu acredito que você não faz uma SAF se distanciando da torcida. Muito pelo contrário, você faz uma SAF se aproximando cada vez mais da torcida. Eu sempre percebi isso de alguns donos de SAF. E sempre achei: ‘Se fosse eu ali, eu faria melhor e com mais proximidade com a torcida’. Eu pretendo continuar sim. Eu sou uma pessoa simples, sou uma pessoa que não tenho nada a esconder e sou uma pessoa transparente. Sou alegre, gosto do que eu faço, gosto de ter contato com pessoas e de ouvir opinião. Eu não sou o dono da verdade e acho que grande parte do meu crescimento profissional vem de saber ouvir. Então eu pretendo cada vez mais estar perto da torcida. Me incomoda um pouco esse distanciamento que certos gestores tem da torcida. Eu acho que, quanto mais transparente você é com a torcida, mais ela vai te entender, inclusive nos momentos ruins e vai poder te ajudar nos momentos ruins. E pode ser que surja uma parceria espetacular entre a SAF e a torcida

E é importante dizer que não é só você. Tem outros investidores. A gente conhece bastante o Vinícius Diniz, que foi dirigente na ascensão do Athletic, mas tem outros sócios também, né? E devem vir mais investidores também?

Tem eu, Vinicius e tenho mais sócios que estão participando também do projeto, cada um na sua área específica - na área financeira, na área de desenvolvimento e na área institucional. Então cada sócio tem a sua área na qual é especialista. E o fundo de investimento, eventualmente, vamos abrir. Temos uma série de contatos e já tem muita gente querendo participar. Mas tem mais gente querendo participar do que espaço para participar. Então a gente tá pensando como acomodar as pessoas da melhor maneira possível. Mas para esse início de trabalho, está tudo muito bem equacionado e desenhado.

Então são quantos investidores atualmente?

Nós somos em 5.

A gente já tem alguns modelos de SAF no futebol brasileiro, com perfis diferentes, tanto na gestão, quanto no modelo financeiro. Vocês tem algum tipo de inspiração? Você esteve, há algum tempo, como conselheiro do Atlético Mineiro. Dá para dizer que o Atlético Mineiro é uma inspiração para o modelo financeiro que você pretende implantar no Santa Cruz?

Veja bem. Nós sempre pegamos as melhores práticas. Eu gosto muito de aprender com os outros. Com os acertos e com os erros dos outros. Então nós estudamos bastante o que aconteceu de errado na SAF do Vasco e o que aconteceu de errado na SAF do Coritiba, por exemplo. A gente estudou muito a questão de estruturação do Atlético Mineiro - que independente da SAF estar dando certo ou não, da torcida estar reclamando ou não, é uma SAF muito bem estruturada financeiramente. Então nós pegamos essas melhores práticas, pegamos práticas do exterior também, e a gente procura entender. Eu costumo dizer que gosto muito de aprender com o passado, porque o futuro é uma coisa incerta. O que funciona para uma SAF, pode ser que não funcione para nossa SAF. Isso é uma coisa meio bastante óbvia na minha cabeça. Não quer dizer que, se deu certo em uma SAF, vai dar certo na outra. Porque cada SAF tem as suas características, tem características diferentes de torcida, tem características diferentes de patrimonial, e tem características diferentes de momentos financeiros. Também vai muito das personalidades das pessoas, né? A minha personalidade é muito mais expansiva do que outros dirigentes de SAF. A minha equipe é um pouco mais coesa. A gente trabalha junto há muito tempo, então a gente sabe mais ou menos o que o outro pensa. Então a gente já tem mais ou menos um modus operandi. Tudo isso você vai colocando dentro de um contexto de SAF no Santa Cruz e procura o melhor modelo, para que a coisa flua de uma maneira mais tranquila.

Nesse momento de aprovação da SAF, como tá a aceitação dentro do clube? A gente sabe que a torcida tá apoiando bastante, mas dentro do clube tem alguma resistência ainda?

Não. Todo clube tem correntes políticas, né? Tem aquelas correntes políticas que são declaradas, abertas e tem as correntes políticas que não são declaradas. São correntes fechadas e que tentam te minar de alguma maneira, mas de uma maneira que eles não apareçam. No caso do Santa Cruz, todas as pessoas que eu conheci, todas as correntes que eu conheci até agora, são super pró-SAF. É óbvio que nós temos correntes contrárias dentro de Santa Cruz. Mas essas correntes se escondem. Elas não dão a cara, não aparecem, justamente por medo de serem questionadas. Então a gente sabe que isso é normal. Isso é uma coisa tranquila. Todo clube de futebol existe isso. Não poderia deixar de ser diferente, porque eu acho também que toda unanimidade é burra. O que eu não gosto, o que eu não acho que é legal, são correntes políticas que fazem deslealdade ou que jogam baixo com isso. Isso para mim, no meu caso, não me atinge e eu acho que ninguém tá preocupado com isso. Não vai ter muito problema em relação a isso não.

Então o que pode atrasar mais é a Recuperação Judicial?

Eu não acho que vai atrasar não, tá? Porque nós já tivemos muitas sinalizações positivas do judiciário, das pessoas que estão envolvidas na Recuperação Judicial. Vai ser um processo que vai andar rápido. Então eu não tô muito preocupado com isso. O que a gente tem hoje são prazos legais a serem cumpridos, né? Você vai fazer agora uma convocação do conselho. Você tem um prazo legal de 30 ou 45 dias, uma coisa assim, para que você faça efetivamente a reunião. Mas eu acho que vai tudo correr dentro do prazo legal.

Para o Campeonato Pernambucano não vai dar tempo de fazer um impacto financeiro. Mas para a Série D, imagino que sim. Foi noticiado que o Santa Cruz teria 100% de aumento de folha salarial para a Série D, que iria dobrar a folha salarial. Você já tem essa projeção realmente de como deve ficar a folha salarial do Santa Cruz para a série D?

Não. A gente tem estudos e projeções. Porque a característica de um jogador de série D é diferente da característica do jogador de série B e de série C. Cada série tem algumas características específicas.A série D é muito física e com uma técnica um pouco menor, porque a pessoa joga em campos horrorosos e faz viagens longas, às vezes extremamente cansativas, para jogar no dia seguinte ou até no mesmo dia. Então a Série D é uma coisa bastante peculiar, vamos dizer assim. A questão da folha vai muito das peças que são necessárias, porque para ganhar a série D, a gente precisa ter um time de série C. E assim sucessivamente. É uma subida paulatina. A gente não vai colocar um jogador de série A para jogar uma série D, mesmo porque ele não vai querer vir. Então isso é uma coisa discutida com a comissão técnica. ‘Olha, eu preciso dessa, dessa e dessa peça’. Aí nós vamos no mercado pegar esses jogadores com essa característica. A folha salarial vai subir, lógico que vai subir, porque nós estamos pegando peças que virão para o Santa Cruz sabendo que o Santa Cruz tem um projeto. Isso é importante para os jogadores, para eles conseguirem enxergar uma perspectiva futura. Até mesmo em questão de contrato e questão salarial. Às vezes pra um jogador é mais importante o tempo de contrato do que o valor do salário. Mas é óbvio que a folha do Santa Cruz vai subir bem. Eu não sei precisar quanto. Não sei percentual. Não é uma coisa que a gente tenha palpável neste momento. Mas acredito que, com os jogadores que a gente tem perspectiva de vir, vai ser um time bem competitivo para a Série D.

O contrato da SAF vai ter um orçamento determinado por divisão, é isso?

Isso, nós temos um orçamento para série D, um orçamento para série C, um orçamento para série B e um orçamento para série A. Esse orçamento foi estabelecido em contrato como orçamento mínimo. E nós acreditamos que já seja mais do que suficiente para ter um time competitivo em todas essas séries. Agora, no eventual caso da gente ter algum percalço, a gente pode aumentar, para que a gente tenha mais conforto e ficar mais competitivo. É óbvio que a nossa expectativa é subir uma série por ano, mas é uma expectativa. Nós não estamos afirmando que a gente vai subir uma série por ano. Nós estamos trabalhando para que isso ocorra. Agora, futebol é uma caixinha de surpresa. A gente não sabe. É uma bola que bate na trave, é um pênalti que vai para fora, é um chute que o goleiro franga, é um chute que o goleiro defende. A beleza do futebol é justamente isso, é justamente o imponderável. E a gente vai fazer tudo para que a gente consiga, da melhor maneira possível, diminuir o máximo essas variáveis

E esses valores do orçamento de cada série, você pode contar? Já tá definido?

Esses valores eu não posso falar porque existe uma cláusula de confidencialidade que foi assinada na proposta vinculante, tá? Eu acho que no momento oportuno, quando a gente passar por tudo, passar pela diligência, passar pela pelo conselho, passar pela SAF, isso naturalmente vai ser uma coisa aberta e todo mundo vai saber. Mas vocês podem ficar tranquilos, que todo esse recurso é mais do que suficiente pra gente ter um time competitivo.

E tem uma coisa que também vai ser colocada em contrato que é um aporte mínimo, né? Quanto é o valor de aporte mínimo que os investidores tem que colocar? Tem confidencialidade?

Tem. O que não tem confidencialidade, que não tá em aporte nenhum, e que foi feito de coração, por exemplo, é a questão que nós vamos mudar o sistema de entrada no Arruda. Isso o nosso grupo tá fazendo sem a menor contrapartida do Santa Cruz. Nós estamos fazendo porque já nos apaixonamos com o Santa Cruz, já achamos que o Santa Cruz já merece ter um sistema de acesso de primeira linha dentro do Arruda para coibir cambista. Não vai acabar 100% com cambista, mas vai acabar com entradas indesejadas dentro do estádio,

E aí a gente entra em um aspecto legal da SAF, que é essa essa vontade de vocês de fazer uma melhoria grande no Arruda. Uma coisa que eu tenho muita curiosidade de ver novamente é o Arruda totalmente liberado, com capacidade completa. Você falou que já fez alguns estudos sobre as reformas que serão feitas. Dá para ter uma estimativa de quando a gente pode ver de repente o Arruda todo liberado?

Vai ser a nossa primeira meta com relação ao Arruda. É devolver ao Arruda a capacidade total dele. Essa é a nossa primeira meta. A gente quer que o Arruda tenha capacidade total. Para isso, a gente já tem um grupo já de engenheiros, um grupo de arquitetos, que já estão mapeando, junto com o pessoal da diretoria patrimonial do Santa Cruz, quais são as exigências dos Bombeiros. Uma vez tendo isso equacionado, nós vamos partir para melhorias estéticas e melhorias estruturais do Arruda. O primeiro laudo que nós recebemos do Arruda, com relação à estrutura, foi o melhor possível. O Arruda é extremamente sólido e extremamente bem construído. As construções de antigamente eram super dimensionadas. Então o que faltava ali no Arruda é basicamente uma manutenção, que é coisa rápida. A nossa grande questão é liberar o Arruda para a sua capacidade máxima e, a partir disso, fazer as melhorias necessárias para que o torcedor tenha mais conforto e uma experiência melhor.

Mas por enquanto ainda não tem uma previsão de quando essa primeira fase deve ficar pronta, né?

Quando a gente tiver a caneta na mão, a gente vai começar a atacar imediatamente. Mas o fato de eu não ter a caneta na mão, não me impede de eu fazer um bom planejamento. Isso que nós estamos fazendo agora é um bom planejamento. É aquele negócio da gente deixar tudo pronto. E a partir do momento da caneta na mão, no dia seguinte já entra a gente lá para começar arrumar as coisas.

E outra coisa que você pretende fazer com a Arruda é vender os naming rights, né? Quanto você estima que o Santa Cruz pode ganhar com a venda de naming rights do Arruda?

Nós estamos conversando. A gente está em conversas iniciais com alguns parceiros. É difícil falar, porque eu acho que o Arruda é o melhor estádio do Brasil. Eu vendo o Arruda como se fosse o melhor estádio do Brasil. O cara, para ser parceiro nosso, tem que entender que não existe estádio no Brasil hoje igual ao Arruda. No sentido de colocar pessoas lá dentro. No sentido de potencial de exposição de marca. No sentido de exposição de produtos. Pessoas que são especialistas em fazer eventos me falam: ‘Não existe melhor acústica do que o Arruda. Não existe melhor logística para você chegar e sair do estádio. Não existe melhor posicionamento geográfico dentro do Recife do que o Arruda’. Então isso é uma coisa que vale. E hoje, com a gente, tem nossa equipe que é especialista também em eventos. A gente quer escolher com bastante cuidado. A nossa ideia é vender os naming rights para 10 ou 15 anos. Essa pessoa tem que ser uma pessoa que vai caminhar junto com a gente dentro dessa dessa estratégia, porque daqui a um tempo o Santa Cruz pode estar jogando uma série A dentro do Arruda. E aí é televisão para o Brasil inteiro, é Rede Globo, Bandeirantes, SBT, é canal aberto para o Brasil inteiro.

Outra questão de estrutura importante para a gente falar é sobre o CT. Eu vi uma entrevista em que você praticamente confirmou que a intenção é ter um um novo CT. Não vão reformar o CT atual do Santa Cruz. Me parece que a ideia é pegar um CT que já está pronto. É o CT do Unibol?

Engraçado, todo mundo me fala desse CT do Unibol, mas eu nem conheço onde que é. Isso é pura especulação. O que acontece hoje é o seguinte: a gente tem algumas opções e nós estamos olhando, tá? Elas passam por algumas por alguns critérios, né? Primeiro que, na prática, o CT do Santa Cruz hoje não é do Santa Cruz. Eles têm um combinado lá com uma associação, mas não é do Santa Cruz. Então o que a gente quer é um CT próprio, com alojamento, com departamento médico, com academia e um CT de Série A. Porque, se eu não puder dar uma estrutura para os jogadores desenvolverem o seu melhor potencial, eu posso trazer quem for, posso trazer Neymar, posso trazer Cristiano Ronaldo, posso trazer Messi, que não vai desenvolver. Eles não vão jogar o potencial deles se eles não tiverem uma base. Então nós estamos realmente olhando um terreno para um CT. Estamos olhando algumas opções, mas não tem nada definido ainda. Por enquanto tá na fase de especulação.

E uma questão que a torcida pergunta muito é sobre a questão de material esportivo. Me parece que tem um problema em Pernambuco com a distribuição de camisas, muitas lojas com dificuldade de ter uniforme de Santa Cruz para vender. Há também uma questão de qualidade, tem críticas. Vocês estão planejando essa troca de material esportivo?

Eu tive uma conversa com o pessoal da Volt, para entender, porque eu acho muito importante a gente entender os dois lados. Eu acho importante a gente entender as críticas da torcida, as críticas da diretoria e é importante também você entender a crítica do fabricante e do fornecedor de material esportivo. Eu tive uma conversa com o pessoal da Volt e eles me explicaram. A conversa foi de alto nível, foi bastante esclarecedora sobre vários aspectos. O torcedor tem razão sim, está faltando camisa sim. E estou falando uma opinião particular: eu acho a qualidade da camisa da Volt muito boa. Não teve nada de soltar escudo com as que tive acesso até agora. Agora, você tem que convir comigo, que uma empresa que está sendo ameaçada de ser retirada do processo de fornecimento de camisas para um clube, ela não vai investir em fornecimento de camisa. Ela não vai conseguir aumentar a produção. Ela não vai ficar abastecendo loja, porque você tem que ter um processo de pelo menos 90 a 120 dias para você fazer uma linha toda de material. Então ela fica usando o que ela tem, fica repondo o que ela tem. E a própria Volt não esperava esse boom que aconteceu com o Santa Cruz. Hoje a loja da Volt vende 480% a mais do que ela vendia uma semana antes da gente anunciar a proposta vinculante. E o que mudou de lá para cá? Nada, só um anúncio da SAF, uma perspectiva. Então nós temos que sentar com calma, com cuidado, entender quais são as coisas, entender os dois lados da questão e tentar achar um denominador comum. A Volt tem um contrato que encerra agora em 2025, em dezembro. E tem outras empresas que já nos procuraram também, mas eu acho que é tudo uma questão de sentar na mesa, entender qual é a situação e entender o que essas empresas podem agregar a mais para gente. Dar uma oportunidade para a Volt para ela tentar corrigir a rota do que tá acontecendo. É uma série de fatores que a gente tem que sentar e conversar. Eu acho que tudo, com conversa, a gente se resolve. Estou chegando agora, então não posso te falar assim ‘vamos tirar, não vamos tirar’. Eu acho que tem que sentar e conversar com todo mundo.

Pra encerrar, quero deixar você sonhar um pouquinho. Quero te perguntar onde você enxerga o Santa Cruz daqui a 15 anos, que é o período de comprometimento de investimento que vocês tiveram inicialmente. Como você enxerga o Santa Cruz?

Você tá perguntando pro Marcio da SAF ou pro Marcio torcedor do Santa Cruz?

Da SAF

Nós vamos manter estritamente o nosso planejamento. Eu sou uma pessoa com bastante rigor nas questões financeiras. Tenho bastante disciplina financeira, eu não faço loucura, o meu time não faz loucura, a gente sabe até onde a gente pode ir, a gente sabe a hora de parar, a gente sabe a hora de avançar. A gente tem o planejamento, e isso não é segredo para ninguém, que a nossa meta é subir uma série por ano. Essa é a meta. Eu não estou falando que isso vai acontecer, mas isso é a nossa meta. E aí é devolver ao Santa Cruz o protagonismo no cenário esportivo brasileiro, né? Não só com a equipe masculina, mas reativar a equipe feminina, e fazer tudo aquilo que a gente tem que fazer para que o Santa Cruz seja um protagonista. Uma coisa que não foi falada, mas que é importante ressaltar, é que vamos investir bastante na base. A base hoje é o celeiro de grandes craques, ela é o que sustenta um clube no longo prazo. Então, essas coisas são muito importantes.

E o Márcio Torcedor?

Eu quero que o Santa Cruz seja campeão da Taça Libertadores e dispute um Mundial, no mínimo.

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