
João Fonseca hoje, em Roland Garros
Reprodução/Instagram
O brasileiro João Fonseca estreia no torneio de Wimbledon 2026 nesta segunda-feira (29), contra Roberto Bautista Agut, como um dos 24 principais cabeças de chave do torneio.
O feito, que tira João do caminho de qualquer tenista top 8 do ranking até as oitavas de final de Wimbledon, coroa a boa fase do jovem de 19 anos.
Até aqui, o tenista brasileiro tem uma temporada de recuperação física, de consolidação em grandes torneios e de uma campanha de destaque em Roland Garros, que o levou ao 25º lugar da ATP.
Na semana passada, o carioca desistiu do Eastbourne Open, na Inglaterra, por causa de desconforto no ombro. Segundo postou nas redes sociais, o objetivo é estar bem justamente para o terceiro Grand Slam da temporada.
Lesão lombar e queda no ranking
O início de 2026 trouxe um desafio físico para Fonseca. Uma lesão na região lombar o tirou dos torneios preparatórios de Brisbane e Adelaide e comprometeu a preparação para o Australian Open.
No primeiro Grand Slam do ano, o brasileiro caiu na estreia em Melbourne, derrotado em quatro sets pelo norte-americano Eliot Spizzirri.
Sem conseguir defender o título conquistado em Buenos Aires na temporada anterior, o brasileiro perdeu pontos importantes e chegou a fevereiro na 34ª posição do ranking mundial.
Primeiro título de duplas no Rio Open

X/Rio Open
A recuperação começou diante da torcida, no Rio Open, ATP 500 disputado em fevereiro. Em simples, Fonseca parou nas oitavas de final, mas encontrou um novo impulso na chave de duplas.
Ao lado do veterano Marcelo Melo, especialista na modalidade, o carioca formou parceria que combinou a agressividade do fundo de quadra com a experiência na rede.
Eles conquistaram o título ao vencer os europeus Constantin Frantzen e Robin Haase na final, garantindo o primeiro troféu de nível ATP em duplas da carreira de Fonseca.
Consolidação nos Masters 1000 de Indian Wells e Miami
Completamente recuperado da lesão lombar, Fonseca viajou para a gira de quadras rápidas nos Estados Unidos e consolidou sua presença em torneios Masters 1000.
Em Indian Wells, ele alcançou as oitavas de final pela primeira vez na carreira nesse nível de torneio. No caminho, salvou dois match points contra Karen Khachanov e superou o norte-americano Tommy Paul em sets diretos, mostrando força mental em momentos decisivos.
Nas oitavas, protagonizou duelo equilibrado com o número 2 do mundo, Jannik Sinner. O italiano venceu por duplo 7/6, mas o brasileiro chegou a liderar o primeiro tiebreak por 6/3 e chamou atenção pelos forehands que atingiram até 193 km/h.
Em seguida, em Miami, Fonseca bateu Fabian Marozsan e caiu na segunda rodada diante de Carlos Alcaraz, por duplo 6/4.
Campanha de destaque no saibro e quartas em Roland Garros

REUTERS/Guglielmo Mangiapane
Na sequência, o saibro europeu se tornou o palco das maiores campanhas de Fonseca em 2026. Ele chegou às quartas de final nos ATPs de Monte-Carlo, onde derrotou Matteo Berrettini em sets diretos, e de Munique, resultado que levou confiança para Roland Garros.
Em Paris, o brasileiro se tornou o mais jovem tenista do país, na Era Aberta, a alcançar as quartas de final. Na terceira rodada, obteve uma vitória de grande repercussão para o tênis brasileiro ao derrotar, de virada, o sérvio Novak Djokovic, tricampeão do torneio e dono de 24 títulos de Grand Slam.
Depois de perder os dois primeiros sets por 6/4, 6/4, Fonseca reagiu e fechou a partida com 6/3, 7/5 e 7/5, após 4h53 de confronto diante do sérvio. A partir do terceiro set, ele somou 30 winners de forehand e encerrou o jogo ao salvar um break point com três aces consecutivos.
Foi a segunda virada seguida de 0-2 em um Grand Slam, após superar Dino Prizmic na rodada anterior, resultado que o colocou como o primeiro adolescente em 30 anos a conseguir duas reviravoltas desse tipo em majors.
Nas oitavas de final, sob o olhar de Gustavo Kuerten nas arquibancadas, Fonseca venceu o norueguês Casper Ruud, duas vezes finalista em Paris, por 7/5, 7/6(8), 5/7 e 6/2. Após o duelo, Ruud descreveu o jogo do brasileiro como "verdadeiramente impressionante".
A campanha terminou nas quartas de final, com derrota para o tcheco Jakub Mensik, mas rendeu a Fonseca uma nova marca pessoal: 1.735 pontos e o 25º lugar na classificação da ATP.
Adaptação à grama e cenário para Wimbledon
A transição para a grama começou no ATP 500 de Halle e evidenciou o desafio de ajustar o jogo à superfície mais rápida.
Em simples, Fonseca perdeu na estreia para o alemão Yannick Hanfmann por duplo 6/2, em partida na qual somou apenas dois winners e sentiu a dificuldade com os apoios e o quique baixo da bola.
Em duplas, porém, a semana na Alemanha teve saldo positivo. Jogando ao lado do alemão Daniel Altmaier, a dupla entrou na chave principal como lucky losers e avançou até a final, encerrando a campanha com o vice-campeonato após derrota para os franceses Theo Arribage e Albano Olivetti.
Graças à sequência de resultados na temporada, Fonseca garantiu matematicamente um lugar entre os 24 principais cabeças de chave de Wimbledon 2026. Essa condição evita cruzamentos com qualquer um dos 8 melhores do mundo nas três primeiras fases de Wimbledon.

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