
Julio Casares, presidente do São Paulo
Pedro França/Agência Senado
Resumo
O Ministério Público de São Paulo procurou o São Paulo Futebol Clube para esclarecimentos sobre a venda de jovens atletas por valores considerados baixos, o déficit financeiro de 2024, a parceria com o fundo de investimentos Galápagos e a cessão de parte do CT de Cotia, após denúncia anônima de suposta gestão temerária.
O clube confirmou o recebimento dos questionamentos, respondeu ao Ministério Público e afirmou estar à disposição para fornecer mais informações, destacando que as denúncias ainda não resultaram em abertura formal de investigação.
A diretoria do São Paulo justificou a venda de seis jogadores da base, incluindo Henrique Carmo e Matheus Alves, como medida de recuperação financeira diante de uma dívida de R$ 856 milhões, e anunciou plano de reestruturação com a Galápagos, que prevê aporte de R$ 250 milhões em troca de 30% do CT de Cotia.
Após receber uma denúncia anônima, o Ministério Público de São Paulo (MP-SP) procurou o São Paulo Futebol Clube em busca de repostas sobre 4 questões ligadas a atual gestão do clube comandada pelo presidente Julio Casares.
Os pontos questionados pela entidade são:
- A venda de jovens formados no clube por preços considerados baixos;
- O déficit na temporada de 2024;
- A parceria com a Galápagos, que é um fundo de investimentos;
- A cessão de 30% de Centro de Formação Laudo Natel, o CT de Cotia, e a sociedade do filho do presidente, Julio Casares Filho, com um empresário que tem atletas na base tricolor.
A denúncia, que veio de forma anônima, acusa de "gestão temerária" a atual diretoria do São Paulo.
O Ministério Público ainda não abriu investigação e teria procurado o clube para esclarecimentos em um primeiro momento.
São Paulo se posiciona
O São Paulo confirmou que recebeu questionamentos e pedidos de esclarecimento do Ministério Público, que recebeu as denúncias a partir de uma fonte anônima.
O clube acrescentou que respondeu ao pedido e se colocou à disposição para eventuais novas informações.
O que diz o advogado do São Paulo sobre cada ponto
O advogado do São Paulo, Guilherme Salutti, classificou a denúncia como estratégia política da oposição, em entrevista ao Grupo Bandeirantes, e rebateu todos os pontos.
- Déficit: "O simples fato do São Paulo ter apresentado um déficit...e isso já é uma das matérias da nossa defesa [...].Todas essas contas foram fiscalizadas, pela auditoria externa, uma empresa que foi contratada pelo clube...aprovou essas contas sem reservas.
- Cotia: "A questão do projeto de Cotia é o seguinte, na denúncia, ele traz o projeto como se ele partisse da ideia de compartilhar direitos econômicos de atletas, não é isso...entre o investidor e o São Paulo, o escopo é diferente [...]. O que a gente explicou para o Ministério Público...é um projeto já em stand by."
- Venda de jogadores da base: "Contamos com ajuda do pessoal de scout do São Paulo, e pegamos jogadores vendidos em 2024 e 25, jogadores formados em categoria de base...e por valores muito condizente. Então, a gente conseguiu demonstrar para o Ministério Público...a gente está trabalhando com o que o mercado oferece."
- Filho de Casares: "Lá em 2020, o Julinho Casares estava na faculdade e ele se reuniu com dois amigos na faculdade...veio a pandemia esse projeto morreu [...]. Só que tempos depois, um desses amigos seguiu a carreira de empresário de futebol [...]. Foi de fato uma coincidência de um rapaz que tinha uma relação...virou empresário de atletas."
Parceria com a Galápagos
Por meio de uma rede social pessoa, o presidente Julio Casares anunciou, em outubro, um plano de reestruturação financeira com o fundo de investimentos Galápagos à frente. O projeto foi aprovado pelo Conselho Deliberativo.
Na ocasião, o Tricolor tinha uma dívida que girava em torno de R$ 856 milhões. O valor inclui divididas bancárias que ultrapassam a casa de R$ 220 milhões, impostos e acordos que chegam a R$ 258 milhõe e dívidas operacionais que giram em torno de R$ 376 milhões.

Henrique do Carmo foi uma das joias negociadas pelo São Paulo. Foto: Rubens Chiri/São Paulo FC
Venda de jovens da base
Neste temporada, a diretoria do São Paulo abriu mão de seis destaques da categoria de base. Um dos casos de maior repercussão foi o de Henrique Carmo, vendido ao CSKA, da Rússia, por seis milhões de euros fixos (cerca de R$ 32,5 milhões), com possibilidade de mais 1 milhão de euros em bônus por metas.
Henrique se juntará ao meia Matheus Alves, outro atleta da base negociado com o CSKA por seis milhões de euros, cerca de R$ 37,9 milhões na cotação da época.
Além deles, também deixaram o clube William Gomes, vendido ao Porto por R$ 55 milhões; Lucas Ferreira, ao Shakhtar Donetsk por R$ 50,6 milhões; Ângelo, ao Strasbourg por R$ 32,2 milhões; e Luiz Henrique, ao Real Múrcia, da terceira divisão espanhola.
"O São Paulo vive um momento de recuperação financeira, de necessidade. É uma questão difícil, mas que está melhorando. O clube precisa vender jogadores", justificou Casares à época.
Cessão de parte de Cotia
Em parceria com o mesmo fundo de investimentos, Galápagos, o São Paulo planejou a criação de um novo fundo investimento para a categoria de base. A proposta é de ter R$ 250 milhões injetados. Em troca, a Galápagos ficaria com 30%.
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