Esporte na Band

Polícia vê 'associação criminosa' em venda ilegal de camarotes no Morumbi

Investigação do DPPC aponta esquema clandestino com divisão fixa de lucros entre quatro integrantes, que estavam no São Paulo

Da redação
DA REDAÇÃO

20/03/2026 • 10:45 • Atualizado em 20/03/2026 • 10:57

Resumo

Uma investigação do Departamento de Polícia de Proteção à Cidadania concluiu que o São Paulo foi alvo de uma associação criminosa profissionalizada, que operava um esquema de venda clandestina de camarotes no Morumbi, com estrutura organizada e divisão fixa de lucros entre Adriana Prado, Mara Casares, Douglas Schwartzmann e Marcio Carlomagno.

Um caderno apreendido na casa de Adriana Prado serviu como memorial contábil do grupo, detalhando a participação dos quatro integrantes, a duração do esquema por quase dois anos, e a admissão indireta da ilegalidade nas anotações, além da mudança de status de Carlomagno, antes visto como facilitador e agora apontado como sócio relevante na estrutura.

Uma descoberta do esquema ocorreu após vazamento de áudios de Douglas Schwartzmann, e os quatro envolvidos negam participação ou questionam a validade das provas, enquanto a defesa de Adriana Prado destaca o segredo de justiça e a necessidade de contraditório judicial.

Uma investigação conduzida pelo Departamento de Polícia de Proteção à Cidadania (DPPC) concluiu que o São Paulo foi alvo de uma "associação criminosa profissionalizada". O grupo operava um esquema de comercialização clandestina de camarotes no estádio do Morumbi, atuando como sócios informais em uma estrutura organizada. A informação foi divulgada inicialmente pelo ge.globo.

Compartilhar

O "Memorial Contábil" do crime

A base das novas revelações da polícia é um caderno apreendido na residência de Rita de Cássia Adriana Prado, apontada como a operadora logística e financeira do esquema. Nas anotações, os investigadores encontraram o que classificaram como um "memorial contábil", contendo registros de uma divisão fixa de 25% dos lucros para cada um dos quatro integrantes: Adriana Prado, Mara Casares, Douglas Schwartzmann e o ex-superintendente Marcio Carlomagno.

O documento detalha que a exploração ilegal durou quase dois anos, com início no show da banda Coldplay, em março de 2023, e estendendo-se até a apresentação da cantora Shakira, em fevereiro de 2025.

Morumbi, estádio do São Paulo. Foto: São Paulo FC/X/Divulgação

Morumbi, estádio do São Paulo. Foto: São Paulo FC/X/Divulgação

Hierarquia e admissão de ilegalidade

O relatório destaca a mudança de status de Marcio Carlomagno na investigação. Antes visto apenas como um facilitador, ele agora é considerado pela polícia como parte integrante da sociedade. Nas anotações de Adriana, ele era referido como "vice-presidente", evidenciando sua relevância no clube, onde chegou a ser cotado para a sucessão presidencial antes de sua demissão.

Em seus escritos, Adriana Prado chegou a questionar se a "corrupção era só da parte deles" e manifestou o desejo de atuar "legalmente" no futuro. Para os investigadores, as frases funcionam como uma admissão da ilegalidade das atividades. Adriana também registrou temor por sua integridade física. Atualmente, todos os envolvidos já se desligaram do São Paulo.

Como o esquema foi descoberto

A operação clandestina veio à tona após o vazamento de áudios de Douglas Schwartzmann, nos quais ele admitia que "todo mundo ganhou" dinheiro com as atividades.

O que dizem as defesas

Os citados no relatório policial se manifestaram por meio de seus representantes:

  • Marcio Carlomagno: Seus advogados negam qualquer vínculo com Adriana Prado ou com a venda de ingressos.
  • Douglas Schwartzmann: A defesa critica o vazamento de documentos sigilosos e afirma que as anotações no caderno são isoladas e sem confiabilidade jurídica.
  • Mara Casares: Seus representantes argumentam que o relatório é meramente interpretativo e baseado em conjecturas dos policiais.
  • Adriana Prado: A defesa ressalta que o caso corre sob segredo de justiça e que a culpa não pode ser afirmada antes do contraditório judicial.

Com informações da Estadão Conteúdo