Esporte na Band

Secretário-geral da Fifa publica carta e aumenta pressão sobre Infantino

Mattias Grafstrom envia memorando a funcionários em meio à pressão sobre o presidente

Da redação
DA REDAÇÃO

04/08/2026 • 09:57 • Atualizado em 04/08/2026 • 09:57

Resumo

Fracasso do plano Fifa Forward Enterprise resultou em forte contestação interna, envolvendo críticas do secretário-geral Mattias Grafstrom e de outros dirigentes à condução do projeto, estimado em US$ 20 bilhões para gerir ativos comerciais como a Copa do Mundo.

Pressão política aumentou sobre o presidente Gianni Infantino após memorando interno, declarações do diretor de operações Kevin Lamour sobre indução ao erro dos funcionários e renúncia do conselheiro Carlos Cordeiro por discordância com a iniciativa.

Oposição liderada pela Uefa destacou preocupações sobre transparência e influência de investidores, ameaçou boicote a torneios da Fifa e provocou perda de apoio à reeleição de Infantino por federações de países como Inglaterra, País de Gales e Sérvia.

O secretário-geral da Fifa, Mattias Grafstrom, manifestou-se internamente sobre o plano fracassado da entidade para a criação da Fifa Forward Enterprise (FFE) — subsidiária privada estimada em cerca de US$ 20 bilhões (aproximadamente R$ 102 bilhões) destinada a administrar ativos comerciais do órgão, incluindo a Copa do Mundo.

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Em memorando direcionado aos colaboradores da instituição, o dirigente afirmou que "indivíduos, momentos de instabilidade e episódios infelizes vêm e vão". Os detalhes da mensagem, veiculados pelo site The Athletic, intensificam a pressão política sobre o presidente Gianni Infantino.

Segundo na hierarquia diretiva da organização, Grafstrom definiu as articulações para a criação da FFE como uma "série de eventos tristes e repreensíveis".

Gianni Infantino, presidente da Fifa. Foto: REUTERS/Lisi Niesner

Gianni Infantino, presidente da Fifa. Foto: REUTERS/Lisi Niesner

A última semana foi extraordinária e desafiadora para todos os funcionários da Fifa em nossos escritórios ao redor do mundo. Por isso, queria que vocês fossem os primeiros a saber de mim.

Todos nós fomos lançados no meio de uma turbulência, algo difícil de compreender e aceitar. Garanto-lhes que, como membros da administração, vocês serão defendidos e protegidos do contexto político que vivenciamos atualmente. Não precisam se preocupar.

Indivíduos, momentos de instabilidade e episódios infelizes vêm e vão. A instituição, sua missão e sua responsabilidade para com o futebol mundial permanecem, e é por isso que devemos sempre manter nosso profissionalismo, senso de perspectiva e compostura.

Contestação interna e pedido de demissão na cúpula

A rejeição ao projeto de Infantino espalhou-se por múltiplos setores do alto escalão da entidade. Além das ponderações enviadas por Grafstrom, outros dirigentes apresentaram questionamentos sobre a condução das propostas da FFE.

Em declarações concedidas à Associated Press na última semana, o diretor de operações da Fifa, Kevin Lamour, declarou que o quadro de funcionários foi induzido ao erro na apresentação do plano e pontuou que a iniciativa refletia o desejo individual de apenas uma pessoa. O desgaste provocou ainda o desligamento de Carlos Cordeiro, um dos principais conselheiros de Infantino, que renunciou ao posto por discordar da medida.

Oposição europeia e perda de apoio para reeleição

A derrocada do projeto de Infantino ocorreu após a Uefa capitanear uma onda de questionamentos ao mandatário, alegando falta de transparência nas tratativas e demonstrando receio de que o esporte ficasse submetido aos interesses de investidores do mercado financeiro.

A confederação europeia acenou com o boicote aos principais torneios promovidos pela Fifa caso o plano avançasse e, atualmente, atua pela destituição do dirigente ítalo-suíço. Paralelamente, federações de países como Inglaterra, País de Gales e Sérvia anunciaram a retirada do apoio à candidatura de reeleição de Infantino.

Com informações da Estadão Conteúdo