
Infantino está pressionado pela Uefa
REUTERS/Dado Ruvic/Illustration
Resumo
Ameaça de processo judicial da Uefa contra o presidente da Fifa, Gianni Infantino, intensifica crise na entidade após divulgação de carta que alerta sobre destruição de provas e contesta o projeto Fifa Forward Enterprise (FFE), que previa a venda de direitos da Copa do Mundo a investidores privados.
Reação internacional liderada pela Uefa, presidida por Aleksander Ceferin, inclui ameaça de boicote dos 55 membros à Copa do Mundo, pressão para saída imediata de Infantino e notificação formal exigindo preservação de documentos e identificação dos responsáveis pelo cumprimento da ordem.
Citação de nomes como Joshua Kushner, Greg Maffei, Arsene Wenger, Mattias Grafstrom e Kevin Lamour indica envolvimento de executivos ligados ao projeto e à administração da Fifa, enquanto a entidade não emitiu posicionamento oficial sobre as denúncias e exigências apresentadas pela Uefa.
O clima de tensão em torno do presidente da Fifa, Gianni Infantino, intensifica-se no comando da entidade. Uma carta enviada pela Uefa ao dirigente veio a público contendo ameaças de processos judiciais em relação ao projeto da Fifa Forward Enterprise (FFE) — que previa a "venda" da Copa do Mundo —, além de um alerta formal para que Infantino "não destrua provas".
As informações foram reveladas pelo jornal britânico The Telegraph, que teve acesso ao documento. A mensagem enviada pela entidade responsável pelo futebol europeu também foi dirigida a Joshua Kushner, Greg Maffei, JP Morgan e OpenEconomics, indicando que a instituição está "avaliando ativamente medidas legais, arbitragem e/ou denúncias regulatórias" ligadas ao empreendimento da FFE.
Após uma reação internacional sem precedentes contra a proposta, que envolvia nomes ligados ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, Infantino cancelou os planos da FFE. O projeto visava comercializar participações do seu principal torneio e de outros eventos a investidores privados.
O protesto contra a medida foi liderado pela Uefa, que declarou que seus 55 membros iriam boicotar a Copa do Mundo caso os planos seguissem adiante. A entidade também pressiona para que o mandatário deixe o cargo imediatamente. Cabe destacar que Fifa e Uefa acumulam conflitos públicos desde 2021, época em que a Superliga foi criada.
Presidida desde 2016 pelo esloveno Aleksander Ceferin, um dos principais opositores ao modelo de gestão de Infantino, a Uefa agora ameaça acionar a Justiça por conta da FFE.
Exigência de preservação de documentos e alerta sobre destruição de provas
Na carta enviada a Infantino na última sexta-feira, 31 de julho, o órgão europeu formalizou o aviso sobre as ações em andamento:
A Uefa, por meio deste instrumento, notifica formalmente que está avaliando ativamente medidas legais, arbitragem e/ou denúncias regulatórias (conjuntamente, os "processos") decorrentes e relacionados ao plano FFE proposto pela Fifa e a todos os assuntos correlatos, conforme descrito em mais detalhes abaixo.
Em outro trecho da mensagem divulgada pelo jornal, a Uefa exige a retenção de dados e arquivos mantidos pela Fifa:
Você (Infantino) e a Fifa devem tomar medidas imediatas para identificar, localizar e preservar todos os documentos e informações armazenadas eletronicamente descritos neste aviso que estejam em sua posse, custódia ou controle, ou na posse, custódia ou controle da Fifa. Essas obrigações existem independentemente de qualquer política interna de retenção que você ou sua organização mantenham e prevalecem sobre quaisquer políticas de rotina de destruição ou exclusão de documentos que, de outra forma, se aplicariam.
A notificação prossegue reforçando o caráter obrigatório da medida preventiva:
Considerando que é previsto um processo judicial, você (Infantino) é obrigado a preservar todos os materiais relevantes (definidos abaixo) para efeitos imediatos.
O documento listou informações e registros que devem ser guardados, além dos nomes das pessoas que estariam com a posse dos materiais.
Foram citados Arsene Wenger, chefe de desenvolvimento global do futebol da Fifa, Mattias Grafstrom, secretário-geral da entidade, e Kevin Lamour, diretor de operações — dirigentes que divulgaram um comunicado na última sexta-feira afirmando que eles e outros haviam sido "enganados" por Infantino.
A Uefa destacou que eventuais sumiços de arquivos serão interpretados como destruição de prova e fez quatro exigências a Infantino, estabelecendo um prazo de cinco dias para confirmação:
- Confirmar o recebimento e o entendimento da carta;
- Confirmar que tomou medidas imediatas para preservar os materiais solicitados;
- Informar a identidade do funcionário ou indivíduo responsável por supervisionar o cumprimento da notificação na Fifa;
- Informar caso tenha conhecimento de algum material relevante que já tenha sido destruído ou apagado.
Nomes citados e falta de posicionamento
Na terça-feira, a Fifa teria anunciado os nomes dos envolvidos no projeto. A lista inclui Joshua Kushner — cujo irmão mais velho, Jared, é genro de Donald Trump — e Greg Maffei, presidente-executivo da Bann Ventures e ex-presidente e diretor-executivo da Liberty Media durante a aquisição da Fórmula 1, também ligado ao presidente norte-americano.
Procurada pelo jornal The Telegraph, a Fifa não se manifestou sobre o assunto.
Com informações da Estadão Conteúdo
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