Internacional

Trump pode virar "pato manco" se onda azul se confirmar nos EUA, diz analista

Em entrevista à BandNews TV, a cientista política Denilde Holzhacker afirmou que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pode se tornar um "pato manco"

5 min

03/11/2026 11:26 • Atualizado há 1 hora

Em entrevista à BandNews TV, a cientista política Denilde Holzhacker afirmou que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pode se tornar um "pato manco" caso o Partido Democrata conquiste o controle da Câmara e do Senado nas eleições de meio de mandato, que acontecem nesta terça-feira (3).

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"Se as pesquisas estiverem corretas e, de fato, os democratas tiverem uma onda azul e domínio tanto da Câmara dos Deputados quanto do Senado, o Trump entra na segunda metade do mandato com bastante complicação", avalia Denilde Holzhacker, PhD em ciência política.

"Aumentam as chances de investigações, os democratas vão ampliar a fiscalização sobre o governo dele, e é o que se chama de pato manco, um presidente que tem um período ainda de governo, mas perde capacidade de definir a agenda política e a agenda do país. Isso, do ponto de vista político, significa que o governo dele vai ter muito mais complicação", completa.

Para a especialista, o impacto não se limita à política. "Do ponto de vista econômico, as eleições de meio de mandato representam um referendo sobre o governo e o ponto central da disputa tem sido a questão econômica", explica.

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Denilde lembra que a aprovação do republicano caiu nos últimos meses. "A popularidade do Trump já vem caindo há algum tempo, chega aos níveis mais baixos e representa uma visão negativa sobre as decisões políticas, decisões econômicas que afetaram o dia a dia da população. Custo de vida, aumento do preço da gasolina, o aumento do custo de energia, tudo isso tem mobilizado os eleitores e mesmo os eleitores que já votaram no Trump em outras eleições contra o seu governo", diz.

Na visão dela, o resultado pode desencadear mudanças internas. "Há uma expectativa muito forte de que, ao final do resultado, haja mais pressão para que tenha mudanças mais drásticas no governo, especialmente na área econômica", afirma. "Mas o Trump é uma caixa de surpresas, tem uma imprevisibilidade muito grande. Há também a expectativa, e os democratas estão já se preparando para qualquer tipo de contestação sobre os resultados, então pode ser que, após os resultados, tenha um momento de muita turbulência para o governo Trump e para o que vão significar esses dois anos de governo", conclui.

Se Trump mantiver maioria

Denilde também traça o cenário em que os republicanos preservem o controle do Legislativo. "Se ele conseguir uma vitória, acho que o governo dele vai sentir que teve o apoio popular suficiente para manter as suas políticas", avalia. "Ele já havia sinalizado que ampliaria inclusive a atuação internacional, teria uma nova ação no Irã. Se é um referendo e ele consegue mostrar que tem apoio popular, isso amplia a capacidade dele de atuação e a força desses dois anos de mandato", resume.

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Segundo a cientista política, esse resultado fortaleceria a agenda externa da Casa Branca. "Ele vai ampliar o uso das sanções, ampliaria a capacidade de intervenção e países como Brasil, Canadá, México, que vêm sendo os países da região que resistem à pressão e à força de intervenção americana, vão ter uma fase de ampliação dessa presença e dessas pressões. Ele não mudaria a política", projeta.

Brasil vira exemplo

Na entrevista, Denilde afirma que o cenário brasileiro entrou de vez no debate eleitoral dos Estados Unidos, especialmente após a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). "Tem sido bastante explorado pelos democratas como mais um exemplo de como o Trump se associa a aliados da direita que contestam resultados, então a mesma estratégia que o Flávio Bolsonaro, que o Bolsonaro tem usado, o uso dos recursos públicos para atender interesses de familiares, de amigos e de aliados próximos", aponta.

Para ela, a reação da sociedade brasileira também chama atenção. "Vem sendo muito explorado um fator, que é como foi a organização e a lógica do eleitorado brasileiro se posicionando de forma bastante intensa nas mobilizações, nas redes sociais, em defesa da democracia. Esse discurso forte de que a democracia está em jogo entrou em vários discursos dos democratas no final dessa campanha", observa.

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"Um Congresso mais democrata vai ser um Congresso mais fiscalizador, que vai impor limites e esse também é um ponto que mostra, e o Brasil é uma referência nesse processo, como o Legislativo consegue ser, junto com o Judiciário, um ponto importante na defesa da democracia", avalia a pesquisadora. Segundo ela, esse exemplo tem sido usado para mobilizar grupos que tradicionalmente participam menos da política, como jovens.

Denilde destaca que a experiência brasileira repercute além dos Estados Unidos. "O Brasil passa a ser uma referência, não só nos Estados Unidos, mas em outras partes do mundo, como um país que conseguiu se colocar e em que a democracia foi um ponto importante para a defesa e para a eleição do presidente Lula, para o seu quarto mandato", afirma.

Do ponto de vista das relações diplomáticas, ela lembra que "os democratas, desde o processo de imposição de tarifas, sempre se posicionaram favoráveis ao Brasil". "Como já falei, a política externa é uma prerrogativa do presidente, mas os democratas podem convocar o Marco Rubio para solicitar justificativas sobre a conduta e de apoio ao Flávio Bolsonaro. Você tem aí um papel importante do Legislativo, que pode ajudar o Brasil não só do ponto de vista das questões tarifárias, mas também de questionar esse relacionamento entre a direita brasileira e a direita americana", conclui.