
Madonna está há 40 anos ditando tendência na moda
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Quando Madonna lançou seu primeiro álbum, em 1983, música e imagem já apareciam como partes da mesma estratégia. Saias de tule, laços grandes, crucifixos, luvas de renda e peças sobrepostas ajudaram a construir uma personagem facilmente reconhecida e reproduzida nas ruas. A combinação entre referências punk, romantismo e sensualidade criou uma legião de admiradoras que copiava não apenas suas roupas, mas também o cabelo, a maquiagem e os acessórios.
A fase de “Like a Virgin”, a partir de 1984, levou lingerie, corsets e símbolos religiosos para o centro da cultura pop. Madonna percebeu antes de grande parte da indústria que um figurino poderia provocar debates, contar histórias e ampliar o alcance de uma música. O vestido de noiva usado na apresentação do MTV Video Music Awards daquele ano permanece entre as imagens mais reproduzidas de sua carreira.
Em 1990, a parceria com Jean Paul Gaultier para a turnê “Blond Ambition” criou o sutiã de cones, peça que rompeu a separação entre figurino musical e alta-costura. O desenho transformava uma roupa associada à intimidade feminina em armadura de palco e colocava o corpo no centro de uma discussão sobre poder, sexualidade e controle. O impacto foi tão profundo que a colaboração ajudou a consolidar a relação entre estrelas pop e grandes estilistas.
Madonna voltou a mudar de aparência nos anos 1990 com uma estética mais escura de “Erotica” e do livro “Sex” foi seguida pelo glamour das campanhas da Versace, fotografadas por Mario Testino em 1995. Em seguida, “Ray of Light”, lançado em 1998, apresentou cabelos longos, referências orientais e uma imagem menos excessiva, acompanhando a busca espiritual presente no álbum. Cada transformação funcionava como um novo capítulo visual, sem depender do estilo anterior para ser compreendida.
Os anos 2000 reuniram referências country, disco, militar e esportiva. O collant rosa de “Hung Up”, os figurinos de inspiração equestre e as colaborações com marcas como Dolce & Gabbana mostraram que Madonna não tratava nostalgia como repetição. Ela recuperava símbolos conhecidos e os adaptava ao momento cultural.
Essa influência continua visível nas passarelas. A Dolce & Gabbana dedicou sua coleção de primavera-verão 2025 a códigos associados à cantora, incluindo corsets pontiagudos, perucas loiras e silhuetas que remetiam à era “Blond Ambition”.
A própria Madonna acompanhou o desfile em Milão, confirmando como sua imagem permanece comercialmente relevante para a moda décadas depois de ter sido criada.
Artistas mais jovens também recorrem ao seu repertório para comunicar independência, provocação e domínio da própria imagem. O legado de Madonna não está ligado a uma peça específica, mas à liberdade de abandonar uma identidade antes que ela se torne previsível. Em quatro décadas, ela ensinou a indústria que estilo não precisa ser permanente para se tornar inesquecível.

