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63% dos usuários de apps de namoro aceitariam sair com IA, aponta estudo

Relatório revela como solidão, tecnologia e golpes digitais estão redesenhando as relações afetivas

Da redação
DA REDAÇÃO

27/01/2026 • 15:03 • Atualizado em 27/01/2026 • 15:03

Freepik

Você sairia com uma inteligência artificial? Para uma parcela significativa dos brasileiros que usam aplicativos de relacionamento, essa ideia deixou de ser ficção científica. Um estudo divulgado neste início de 2026 mostra que 63% dos usuários de apps de namoro no Brasil afirmam que considerariam sair com uma IA, enquanto 39% acreditam ser possível desenvolver sentimentos românticos por um sistema artificial.

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Os dados fazem parte do Norton Insights Report 2026: Artificial Intimacy, que analisa a relação entre tecnologia, intimidade emocional e segurança digital. O levantamento indica que a abertura a vínculos com a IA ocorre em um contexto mais amplo de solidão crescente. Segundo o estudo, 82% dos brasileiros dizem se sentir solitários, índice que sobe para 90% entre jovens da Geração Z.

Solidão e busca por conexão

O relatório aponta que o isolamento emocional tem levado muitas pessoas a buscar apoio fora das relações tradicionais. Mais da metade dos usuários de aplicativos de namoro (52%) afirma que recorreria a um chatbot com IA como forma de “terapia” após um término, enquanto 61% dos que já usaram IA para conselhos amorosos dizem confiar mais nesses sistemas do que em amigos ou familiares.

Para parte dos entrevistados, a IA já funciona como um espaço de acolhimento emocional. Quase um terço (29%) afirma conversar com chatbots para lidar com dias difíceis, e 50% dizem confiar total ou parcialmente na IA para oferecer orientações amorosas seguras ou éticas.

De apoio emocional a vínculo afetivo

O estudo também mostra que a fronteira entre ferramenta e parceiro emocional está se tornando menos clara. Quase metade dos usuários de apps (47%) acredita que um parceiro de IA poderia ser mais compreensivo emocionalmente do que um humano. A disponibilidade constante e o tom empático dos sistemas ajudam a explicar esse apego, segundo o relatório.

Especialistas alertam, no entanto, que essa relação pode criar uma falsa sensação de intimidade. “Quando os níveis de solidão são altos, a confiança se forma muito rapidamente no ambiente online”, afirma Leyla Bilge, líder global de pesquisa de golpes da Norton, citada no estudo. Ela destaca que a IA pode oferecer conforto, mas não substitui a complexidade da conexão humana.

Golpes românticos em alta

O cenário também preocupa do ponto de vista da segurança. O relatório aponta que 27% dos usuários brasileiros de aplicativos de namoro já foram alvo de golpes, e 84% dos que foram abordados acabaram caindo na fraude. Entre os casos, 36% relataram pressão para enviar dinheiro, e 35% disseram ter sido contatados por perfis que se passavam por celebridades ou figuras públicas.

Globalmente, os chamados golpes românticos seguem em expansão. Apenas no quarto trimestre de 2025, mais de 17 milhões de tentativas foram bloqueadas, um crescimento de 19% em relação ao ano anterior. Segundo o levantamento, ameaças baseadas em manipulação emocional e psicológica representam mais de 90% dos ataques digitais direcionados a pessoas.

Um novo desafio para as relações digitais

O estudo conclui que a popularização da IA nos relacionamentos expõe uma tensão central da vida digital contemporânea: ao mesmo tempo em que a tecnologia oferece companhia e orientação, ela também amplia os riscos de exploração emocional e financeira.

Para pesquisadores, o debate sobre intimidade artificial vai além da curiosidade tecnológica e passa a envolver saúde emocional, ética e segurança. Em um ambiente onde solidão, algoritmos e golpes se cruzam, a confiança se torna um ativo cada vez mais frágil — e essencial.