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A geração que transforma roupas usadas em negócio está movimentando bilhões

A revenda de moda cresce impulsionada por jovens empreendedores; veja quem são estes jovens que apostam sem medo de 'quebrar' e faturam alto

Lucas Machado
LUCAS MACHADO

29/06/2026 • 07:00 • Atualizado em 29/06/2026 • 07:00

Moda de revenda movimenta cifras altíssimas em todo o mundo

Moda de revenda movimenta cifras altíssimas em todo o mundo

Canva

Uma peça comprada em um brechó, fotografada com o celular e anunciada em uma plataforma digital pode percorrer um caminho muito diferente daquele imaginado há poucos anos. Em 2026, a revenda de roupas usadas deixou de ser apenas uma alternativa para quem queria economizar dinheiro. Ela se transformou em um dos segmentos mais dinâmicos da indústria da moda, movimentando centenas de bilhões de dólares e atraindo uma geração que enxerga valor tanto na compra quanto na revenda.

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Os números ajudam a dimensionar o fenômeno. Relatórios publicados em 2026 apontam que o mercado global de moda de segunda mão já movimenta cerca de US$ 240 bilhões e continua crescendo em ritmo superior ao da moda tradicional. Projeções indicam que esse setor pode ultrapassar a marca de US$ 360 bilhões até o fim da década.

O crescimento tem um protagonista claro: a Geração Z. Pesquisas mostram que uma parcela significativa dos jovens consumidores já incorpora produtos de segunda mão ao guarda-roupa de forma permanente. Em mercados como os Estados Unidos, cerca de um terço das peças utilizadas por esse público já vem do universo da revenda.

A mudança vai além da economia. Durante décadas, comprar roupas usadas esteve associado principalmente à busca por preços menores. O comportamento atual é mais complexo. Muitos consumidores procuram itens que não estão mais disponíveis nas lojas, coleções descontinuadas, peças vintage ou produtos capazes de transmitir uma identidade diferente daquela oferecida pelo varejo tradicional.

Nesse cenário, plataformas digitais passaram a ocupar papel central. Empresas como Depop, Vinted, Vestiaire Collective e ThredUp ajudaram a transformar a revenda em um ecossistema global. A Depop, por exemplo, reúne mais de 30 milhões de usuários e possui um perfil fortemente ligado aos consumidores mais jovens. Em vez de funcionar apenas como um marketplace, a plataforma mistura elementos de rede social, descoberta de tendências e comércio digital.

O comportamento também mudou do lado de quem vende. Muitas pessoas começaram anunciando peças que estavam esquecidas no armário e acabaram descobrindo uma nova fonte de renda. E acaba virando pequenos negócios digitais, combinando garimpo em brechós, curadoria de produtos, produção de conteúdo e vendas online. Embora não existam números consolidados sobre quantos jovens atuam profissionalmente neste segmento, os relatórios de 2026 mostram crescimento consistente no número de vendedores ativos e na busca por renda complementar através da revenda.

Parte relevante dos consumidores mais jovens utilizam essas plataformas para descobrir produtos, acompanhar tendências e encontrar peças consideradas exclusivas. A lógica se aproxima mais da caça ao tesouro do que da compra convencional. Encontrar uma jaqueta rara, um tênis limitado ou uma camiseta vintage pode gerar tanto interesse quanto adquirir um lançamento recém-chegado ao mercado.

As categorias mais procuradas ajudam a entender essa transformação. Vestuário, calçados, bolsas e artigos de couro continuam liderando o volume de transações. Ao mesmo tempo, segmentos como relógios e joias vêm registrando crescimento acelerado dentro do mercado de revenda. Produtos com potencial de valorização ou forte apelo de exclusividade passaram a despertar atenção crescente entre compradores e colecionadores.A revenda deixou de ocupar uma posição periférica na indústria da moda e passou a integrar sua estrutura de forma permanente.

O avanço desse mercado mostra que a relação das novas gerações com o consumo está mudando. Em vez de enxergar valor apenas na novidade, muitos consumidores passaram a procurar história, exclusividade e oportunidade. O resultado é um setor que cresce rapidamente, movimenta bilhões de dólares e transforma roupas usadas em um negócio cada vez mais relevante dentro da economia global.

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