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De roupa usada a negócio lucrativo: os brechós estão na moda

Sala Digital mostra o avanço do interesse por roupas de segunda mão em um mercado que já soma mais de 118 mil lojas no país

Da redação
DA REDAÇÃO

16/06/2026 • 18:00 • Atualizado em 16/06/2026 • 18:07

Brasileiros buscam por "brechó perto de mim" no Google

Brasileiros buscam por "brechó perto de mim" no Google

Imagem gerada por IA

Se existe uma palavra que ajuda a explicar as novas formas de consumo dos brasileiros, talvez ela seja "brechó". O que antes era associado apenas à economia ou à compra de roupas usadas se tornou um mercado bilionário, impulsionado pela sustentabilidade, pelas redes sociais e pela busca por qualidade a preços mais acessíveis.

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Os dados da Sala Digital ajudam a entender esse movimento. Entre os termos mais buscados pelos brasileiros no Google no último ano, "brechó perto" lidera com folga o ranking de interesse. Logo atrás aparecem pesquisas como "brechó infantil", "brechó online" e até "brechó de luxo".

O comportamento online revela um consumidor interessado em comprar itens de segunda mão sem precisar se deslocar muito e sem abrir mão de peças de qualidade.

E lugares não faltam para isso. Segundo um levantamento do Sebrae, o Brasil já contava com mais de 118 mil brechós em funcionamento em 2023. E a expectativa é de crescimento. Estimativas apontam que o mercado global de produtos de segunda mão deve movimentar US$ 393 bilhões até 2030.

O que explica o sucesso dos brechós?

A resposta passa por uma combinação de economia e propósito. Ainda segundo o Sebrae, o preço continua sendo o principal fator para quem compra em brechós. Uma pesquisa realizada pela entidade em 2024, com 2.254 entrevistados, mostrou que 73% dos consumidores buscam boas oportunidades e preços competitivos. Na sequência aparecem aqueles motivados pelo consumo consciente, que representam 31%.

Quando a análise é feita por faixa etária, os adultos respondem por 60% dos compradores. Os jovens têm uma participação menor, porém, relevante e representam 12% do público.

De um empréstimo da avó a uma rede nacional

Do lado dos empreendedores, poucas histórias ilustram tão bem o crescimento desse mercado quanto a da rede Peça Rara.

Em entrevista ao programa Tem Negócio, da BandNews FM, a fundadora da rede, Bruna Vascone, contou que começou a empreender por necessidade financeira. Enquanto cursava Psicologia, vendia cosméticos, doces, velas e semijoias para complementar a renda e pagar os estudos.

A ideia do brechó surgiu após a leitura de uma reportagem sobre uma loja infantil em São Paulo. Inspirada pelo modelo, abriu sua primeira unidade em Brasília com um investimento de apenas R$ 14 mil — metade emprestada pela avó e metade aportada pela sócia. O estoque inicial era formado por roupas dos próprios filhos e de amigas. "O negócio faturou R$ 100 mil logo no primeiro mês", relembra a empresária.

Após encerrar a primeira sociedade, Bruna recomeçou do zero ao lado da mãe. Foi nesse momento que nasceu oficialmente a Peça Rara, que ampliou o mix de produtos, adotou um modelo rigoroso de consignação e iniciou uma trajetória acelerada de crescimento. Hoje, a rede conta com cerca de 130 lojas espalhadas pelo Brasil e faturou R$ 156 milhões em 2023.

Para Bruna, um dos maiores desafios no início era convencer as pessoas de que comprar peças usadas fazia sentido. Agora, a realidade é outra. "Antes precisávamos explicar por que comprar usado fazia sentido. Hoje, muitos consumidores procuram primeiro a economia circular e só depois consideram comprar um produto novo", afirma.

Um dos diferenciais da marca está justamente na forma de apresentar os produtos. As lojas contam com araras amplas, peças organizadas por tamanho e uma curadoria cuidadosa. A proposta é transformar a experiência de garimpar roupas usadas em uma jornada de compra semelhante a de uma loja de varejo tradicional.

Confira a entrevista completa a seguir:

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