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Alopecia feminina: relato de Maiara expõe impacto da queda de cabelo

Desabafo da cantora da dupla com Maraisa chama atenção para uma condição comum entre mulheres, com causas variadas e impacto emocional significativo

Da redação
DA REDAÇÃO

04/02/2026 • 14:59 • Atualizado em 04/02/2026 • 14:59

O recente desabafo da cantora Maiara, da dupla sertaneja com Maraisa, sobre a luta contra a alopecia trouxe visibilidade a um problema que atinge milhões de mulheres no Brasil e ainda é cercado por tabu, desinformação e sofrimento silencioso. Mais do que uma questão estética, a queda de cabelo feminina pode afetar diretamente a autoestima, a saúde emocional e a qualidade de vida.

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Segundo o dermatologista José Roberto Fraga Neto, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), a alopecia feminina é mais frequente do que se imagina e pode ter diferentes origens. “A queda de cabelo na mulher não deve ser normalizada. Quando há afinamento dos fios, redução significativa do volume ou surgimento de falhas, é fundamental investigar a causa o quanto antes, porque muitos quadros têm tratamento e até possibilidade de reversão quando diagnosticados precocemente”, explica.

Entre os tipos mais comuns está a alopecia androgenética feminina, caracterizada pelo afinamento progressivo dos fios e pela diminuição do volume capilar, especialmente no topo da cabeça e na região do rabo de cavalo. Outro quadro recorrente é a alopecia areata, de origem autoimune, que provoca falhas localizadas no couro cabeludo. Já as alopecias cicatriciais, menos frequentes, são consideradas mais graves, pois podem levar à perda definitiva dos fios se não forem identificadas e tratadas rapidamente.

O especialista também alerta para a importância de diferenciar essas condições do eflúvio telógeno, que não é classificado como alopecia. Trata-se de uma alteração temporária do ciclo do cabelo, geralmente desencadeada por fatores como estresse intenso, infecções, cirurgias, parto, perda rápida de peso ou uso de determinados medicamentos. Nesses casos, ocorre uma queda difusa e abrupta dos fios, que tende a regredir quando a causa é corrigida.

“A perda diária de até 50 a 100 fios faz parte do ciclo normal do cabelo. A queda se torna patológica quando há aumento persistente da perda, afinamento progressivo dos fios, redução visível do volume ou aparecimento de falhas. É importante reforçar que queda de cabelo não é um diagnóstico, mas um sintoma”, destaca Fraga Neto.

O fator emocional também tem peso relevante. Situações de estresse intenso podem desencadear ou agravar quadros de queda capilar, especialmente no eflúvio telógeno e na alopecia areata. No caso de artistas e figuras públicas, a exposição constante, a cobrança estética e a pressão emocional podem potencializar o problema, afetando não apenas a aparência, mas também o bem-estar psicológico.

O tratamento da queda de cabelo varia conforme a causa e pode incluir medicações tópicas ou orais, correção de deficiências nutricionais, controle de alterações hormonais e procedimentos médicos realizados em consultório. A avaliação com um dermatologista é fundamental e pode envolver exames como a tricoscopia, além de testes laboratoriais e, em situações específicas, biópsia do couro cabeludo.

“O transplante capilar não é indicado para todos os casos e não substitui o tratamento da causa. Ele pode ser considerado quando existe diagnóstico bem definido, estabilidade da doença e área doadora adequada”, explica o médico.

Ao tornar pública sua experiência, Maiara contribui para ampliar o debate sobre a alopecia feminina e reforça a importância do diagnóstico precoce. O relato de figuras conhecidas ajuda a quebrar tabus e pode incentivar mulheres que enfrentam a queda de cabelo em silêncio a buscar orientação médica especializada.c