Lifestyle

Cafeterias ganham importância no dia-a-dia das pessoas em grandes cidades

Nova geração usa as cafeterias como espaço um de trabalho, convivência e experiências presenciais

Lucas Machado
LUCAS MACHADO

27/06/2026 • 14:00 • Atualizado em 27/06/2026 • 14:00

Cafeterias se tornam os terceiros lugares prefeiros da geraçãoZ

Cafeterias se tornam os terceiros lugares prefeiros da geraçãoZ

Canva

Encontrar alguém trabalhando no notebook, participando de uma reunião, estudando para uma prova, encontrando amigos, fazendo aniversários e até casamentos ou marcando um primeiro encontro dentro de uma cafeteria deixou de ser uma exceção. Em muitas cidades, esses estabelecimentos passaram a exercer uma função que vai muito além da venda de café. Eles se transformaram em espaços de convivência que ocupam uma posição cada vez mais importante na vida urbana.

Compartilhar

O fenômeno tem relação com um conceito criado pelo sociólogo americano Ray Oldenburg, que definiu os chamados "terceiros lugares". A ideia descreve ambientes que não são nem a casa nem o trabalho, mas que funcionam como pontos de encontro para interação social, troca de experiências e construção de comunidade. Para Oldenburg, esses espaços desempenham um papel fundamental na vida das cidades e ajudam a fortalecer os vínculos sociais.

Durante décadas, bares, clubes, praças e centros comunitários ocuparam esse papel em diferentes regiões do mundo. A transformação dos hábitos urbanos, a digitalização das relações e a popularização do trabalho remoto abriram espaço para que as cafeterias assumissem parte dessa função.

O movimento ganhou força especialmente entre os mais jovens. A geração Z passou a frequentar cafeterias não apenas pelo consumo da bebida, mas pela experiência oferecida pelo ambiente. Em vez de locais de passagem rápida, muitos cafés passaram a ser planejados para permanência prolongada, com mesas compartilhadas, tomadas, internet de alta velocidade e espaços pensados para trabalho e socialização.

O Brasil acompanha essa tendência. Em cidades como São Paulo, Belo Horizonte, Curitiba e Porto Alegre, diversas cafeterias passaram a incorporar características que antes eram associadas aos coworkings. Alguns estabelecimentos oferecem salas para reuniões, espaços para eventos, programação cultural e áreas desenhadas para quem pretende permanecer durante horas.

Outro sinal dessa mudança apareceu nas chamadas "coffee parties". O formato nasceu em mercados internacionais e começou a ganhar espaço também no Brasil. Em vez de encontros noturnos centrados em bebidas alcoólicas, esses eventos reúnem música, café especial, gastronomia e convivência durante o dia. O modelo encontrou receptividade principalmente entre jovens interessados em experiências sociais diferentes das tradicionais festas noturnas.

A valorização dos cafés especiais também contribuiu para essa transformação. O produto deixou de ser apenas uma bebida cotidiana para se tornar parte de uma experiência mais ampla. Métodos de preparo, origem dos grãos, torra, harmonizações e contato com baristas passaram a fazer parte da proposta de valor desses estabelecimentos. Em muitos casos, a visita à cafeteria envolve aprendizado, descoberta e interação social.

A mudança acontece em um momento em que muitos profissionais já não trabalham exclusivamente em escritórios tradicionais. Com modelos híbridos e atividades remotas mais difundidas, cresceu a procura por ambientes que ofereçam conforto, conectividade e uma atmosfera menos formal. As cafeterias encontraram uma oportunidade justamente nessa necessidade de equilíbrio entre produtividade e convivência.

O resultado pode ser observado no perfil dos frequentadores. Pessoas chegam para tomar café e acabam permanecendo por horas. Algumas realizam reuniões de trabalho, outras estudam, produzem conteúdo para redes sociais, encontram clientes ou simplesmente buscam um ambiente mais agradável do que permanecer em casa.

O sucesso desses espaços revela uma transformação maior nas cidades contemporâneas. Em uma rotina marcada por telas, aplicativos e comunicação digital, cresce o interesse por ambientes que permitam contato humano, trocas presenciais e sensação de pertencimento.

O café continua sendo o protagonista do cardápio, mas deixou de ser o único motivo que leva tanta gente a atravessar a porta de uma cafeteria. Para uma nova geração, esses locais passaram a cumprir uma função social que vai muito além da bebida servida na xícara.

Tópicos relacionados