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À Band, Clodd Dias fez apelo por mais atores trans no audiovisual

Em entrevista à Band, atriz que morreu aos 49 anos falou sobre dificuldades enfrentadas pela comunidade LGBTQI+ no meio da atuação

Guilherme Machado
GUILHERME MACHADO

07/08/2026 • 10:15 • Atualizado em 07/08/2026 • 10:20

Atriz Clodd Dias morreu aos 49 anos

Atriz Clodd Dias morreu aos 49 anos

Reprodução/Instagram/@clodd.dias_official

Em entrevista ao Band.com.br, a atriz Clodd Dias, que morreu nesta quinta-feira (6) aos 49 anos, fez um apelo por mais presença de atores e atrizes transsexuais em produções audiovisuais. Parte do elenco do filme “Lago dos Afogados”, um de seus últimos trabalhos em vida, a intérprete vibrou com a possibilidade de interpretar um papel com um grande nível de camadas, uma conquista que lhe tocou fundo devido à sua trajetória.

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No curta, ela interpreta uma mulher que vivie a dor de ter a filha assassinada e que luta para descobrir a verdade.

"Eu sou uma mulher trans preta. Dentro desse recorte no Brasil, são três marcadores que acabam não tendo tanto eco; as pessoas não se importam tanto. O feminicídio e a violência contra a mulher ainda são muito grandes no Brasil, o racismo estrutural é muito grande, e a transfobia também. Então, para mim, emprestar um pouco dessas dores... eu empresto para a Sandra, que clama por justiça", ressaltou.

Eu sou uma atriz que também milita dentro do movimento LGBTQIA+. Quero existir enquanto atriz, lógico. Como sou uma sobrevivente dentro desse sistema, emprestei isso para a Sandra. Porque muitas vezes é isso: a gente não é ouvida quando precisa ser. Esse sangue nos olhos, essa garra de uma mulher que tem coragem de ir três vezes brigar na Justiça pela filha dela, está muito dentro de mim.

Artista disse ter ciência de que o mercado do trabalho ainda pode ser bastante hostil para a comunidade LGBTQIA+. Neste ano, por exemplo, se falou muito sobre as dificuldades enfrentadas pela Parada LGBTQIA+ em São Paulo e o fim do mês do orgulho só deixa mais evidente que a trajetória ainda é longa.

Clodd, que já trabalhou em projetos como “Manhãs de Setembro”, relatou esperar que essa realidade fique cada vez mais evidente, e se dissipe.

“Fica o meu apelo: estou disponível para o mercado de trabalho. E é bom dizer que a falta de oportunidades talvez seja um reflexo do preconceito. Nós — mulheres trans, homens trans, pessoas não binárias — estamos aqui para o mercado. Por isso, é importante que produtores de elenco, diretores e autores nos chamem. E mais: a gente não quer fazer só papel de pessoa trans ou ficar presa a estereótipos da hipersexualização dos corpos trans. Quem tem poder dentro do audiovisual precisa entender e ser aliada de verdade do nosso movimento”, frisou.

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