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Harmonização no bumbum com bioestimuladores ganha espaço entre as famosas

Especialistas explicam benefícios, riscos e limites do procedimento que promete firmeza e contorno natural

GABRIELLE PEDRO

12/02/2026 • 11:37 • Atualizado em 12/02/2026 • 11:37

Reprodução/Instagram/virginia/gretchen

A harmonização no bumbum tem ganhado cada vez mais espaço nos consultórios e nas redes sociais, impulsionada por famosas como Gretchen, Bianca Andrade, Karoline Lima e Virginia Fonseca. O procedimento reúne técnicas que buscam melhorar o contorno, a firmeza e o volume da região, com destaque para o uso dos bioestimuladores de colágeno, considerados uma alternativa menos invasiva quando comparada a cirurgias tradicionais.

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Segundo o dermatologista Dr. Lourenço Azevedo, quando bem indicados, os bioestimuladores apresentam bom perfil de segurança. “Quando utilizados com produto registrado, técnica adequada e volumes compatíveis com a anatomia, eles apresentam baixo risco, mas não risco zero”, explica.

De acordo com o especialista, a principal indicação é para pacientes com flacidez leve a moderada, melhora da qualidade da pele e sustentação do contorno corporal. “É importante que o paciente entenda que não se trata de um implante de volume, e sim de um procedimento com resultado progressivo”, destaca.

O cirurgião plástico Dr. Tarik Nassif, membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, reforça que os bioestimuladores são considerados seguros justamente por serem substâncias absorvíveis pelo organismo, como o ácido polilático e a hidroxiapatita de cálcio. Ele ressalta, porém, que a indicação deve ser individualizada. “É necessário avaliar idade, qualidade da pele, estrutura muscular, hábitos de vida e expectativa do paciente”, afirma.

Diferenças entre as técnicas

Embora os bioestimuladores estejam em alta, eles não são a única opção para a harmonização glútea. Cada técnica apresenta indicações e limitações específicas.

Os bioestimuladores atuam estimulando a produção natural de colágeno, promovendo melhora da firmeza e textura da pele ao longo dos meses. Já o ácido hialurônico funciona como preenchedor, proporcionando aumento de volume e contorno mais imediato, mas com duração limitada.

A lipoenxertia, por sua vez, utiliza gordura retirada do próprio paciente para remodelar o glúteo. Segundo os especialistas, o método pode gerar resultados naturais, mas envolve procedimento cirúrgico e variação na absorção da gordura enxertada.

Outra técnica que ainda gera debates é o uso do polimetilmetacrilato (PMMA), um preenchedor permanente. Dr. Lourenço afirma que o uso do material exige cautela. “Qualquer complicação pode ser definitiva e difícil de tratar, já que não existe antídoto simples”, alerta.

Dr. Tarik acrescenta que o PMMA possui regulamentação restrita pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), sendo indicado principalmente para fins reparadores. “Não é recomendado para aumento estético geral de volume e deve ser utilizado apenas por profissionais treinados”, explica.

O que define um resultado natural

Entre celebridades e influenciadoras, o conceito de resultado natural tem sido amplamente divulgado. Para os especialistas, o efeito está diretamente ligado à harmonia corporal.

“O glúteo precisa ser proporcional ao quadril e às coxas, com transições suaves e sem aparência artificial”, afirma Dr. Lourenço. Ele alerta que excessos de volume, falta de planejamento e negligência da musculatura são erros comuns que comprometem o resultado.

Dr. Tarik destaca que o planejamento deve considerar medidas corporais, firmeza muscular, flacidez e características individuais. “Exageros podem deixar o glúteo desproporcional e com aspecto pesado”, diz.

Limites do procedimento

Apesar da popularidade, os bioestimuladores possuem limitações. Segundo os especialistas, eles são mais indicados para flacidez leve a moderada e graus iniciais de celulite.

“Em casos de excesso importante de pele ou queda significativa da região, pode haver indicação de cirurgia, como lifting de glúteo ou até uso de prótese”, explica Dr. Tarik.

Dr. Lourenço reforça que os bioestimuladores não substituem procedimentos cirúrgicos quando há indicação formal. “Eles podem trazer excelente melhora na textura e firmeza, mas dentro de limites claros”, afirma.

Idade e musculatura influenciam resultado

O procedimento pode ser realizado em diferentes faixas etárias, mas exige adaptações em pacientes mais velhos. “Em pessoas acima dos 60 anos, normalmente optamos por protocolos mais conservadores e sessões adicionais, pois a capacidade de produção de colágeno tende a ser menor”, explica Dr. Lourenço.

Outro fator determinante é a base muscular. “Sem musculatura glútea fortalecida, o resultado tende a ser mais limitado, já que estamos melhorando a cobertura, mas não a estrutura”, acrescenta o dermatologista.

Dr. Tarik reforça que hábitos saudáveis são fundamentais para manter os resultados. “Pacientes que não associam alimentação equilibrada e exercícios costumam apresentar resultados menos duradouros”, afirma.

Riscos e cuidados na escolha do profissional

Embora sejam considerados seguros, os procedimentos podem apresentar complicações. Entre as mais comuns estão hematomas, inchaço, assimetrias, nódulos e inflamações. Em casos mais graves, especialmente envolvendo PMMA, pode haver infecções, dor crônica e até embolia vascular.

Os especialistas recomendam que o paciente verifique o registro do médico no Conselho Regional de Medicina (CRM) e busque profissionais vinculados a sociedades médicas reconhecidas, como a Sociedade Brasileira de Dermatologia e a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica.

Planejamento antes de eventos como o Carnaval

Com a proximidade do Carnaval, cresce a procura por procedimentos estéticos corporais. No entanto, especialistas alertam que a harmonização glútea exige planejamento.

Segundo Dr. Lourenço, o ideal é realizar bioestimuladores com antecedência mínima de 8 a 12 semanas, já que o efeito é progressivo. Dr. Tarik recomenda um prazo ainda maior, entre três e quatro meses, enquanto procedimentos cirúrgicos podem exigir até seis meses de preparação e recuperação.

“Quanto mais próximo do evento, mais conservadora deve ser a abordagem, porque não existe procedimento sem risco”, conclui Dr. Lourenço.

Especialistas reforçam que, apesar da tendência entre celebridades, o principal objetivo da harmonização glútea deve ser a melhora da autoestima e do bem-estar, respeitando as características individuais de cada paciente.

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