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Resumo
Levantamento da ABIPEA divulgado na Intimi Expo 2026 revela protagonismo feminino na gestão de sex shops no Brasil, com 77,9% das empresas do setor lideradas por mulheres, que buscam independência financeira e conexão com temas como autoestima e bem-estar, apoiadas por dados confirmados também pelo Guia de Sex Shop.
Perfil dos empreendedores mostra predominância de pessoas entre 26 e 45 anos, maioria à frente de micro e pequenas empresas, alta taxa de renovação com quase metade das lojas abertas nos últimos cinco anos, crescimento nas vendas para 50,7% dos negócios e intenção de expansão de 64,7% dos entrevistados, mesmo diante de desafios econômicos e obstáculos na divulgação digital, como bloqueios em redes sociais.
Mercado adulto brasileiro é formado majoritariamente por microempresas com faturamento mensal inferior a R$ 10 mil, apresenta consolidação impulsionada pelo empreendedorismo feminino, mudança no perfil dos consumidores que buscam bem-estar e saúde íntima, e relatos de mulheres que tiveram transformação profissional e financeira ao ingressar no segmento.
Às vésperas do Dia dos Namorados, um levantamento inédito divulgado durante a Intimi Expo 2026, maior feira do mercado adulto da América Latina, revelou que as mulheres são protagonistas absolutas na gestão de sex shops no Brasil. De acordo com o Censo ABIPEA 2026, realizado pela Associação Brasileira da Indústria e Profissionais do Entretenimento Adulto (ABIPEA), 77,9% dos lojistas e empreendedores do setor são mulheres.
A pesquisa ouviu 1.271 profissionais de todo o país e traçou um panorama detalhado de um segmento que tem crescido de forma consistente nos últimos anos. O resultado reforça uma transformação no perfil do mercado adulto brasileiro, que deixou de ser visto apenas como um nicho de entretenimento para se consolidar como uma alternativa de empreendedorismo e geração de renda.
Segundo a presidente da ABIPEA e coordenadora do estudo, Paula Aguiar, a presença feminina está diretamente ligada à busca por independência financeira e à conexão do setor com temas como autoestima, bem-estar e relacionamentos.
"Estamos em meio a uma transformação no perfil do setor, hoje impulsionado principalmente por empreendedoras que encontraram no mercado erótico uma oportunidade de independência financeira, geração de renda e conexão com temas ligados ao bem-estar, autoestima e relacionamentos", afirma.
Os dados também foram confirmados pelo Guia de Sex Shop, diretório nacional apresentado em sua terceira edição durante a feira. Mais de 79% das lojistas cadastradas na plataforma são mulheres.
Perfil das empreendedoras
O levantamento mostra que a maior parte dos empresários do setor está na faixa entre 26 e 45 anos, representando 69,1% dos entrevistados. A maioria administra micro e pequenas empresas, frequentemente sem funcionários ou com equipes de até três colaboradores.
Mesmo diante de um cenário econômico considerado desafiador, o setor demonstra resiliência. Mais da metade dos negócios consultados (50,7%) registrou aumento nas vendas nos últimos meses. Além disso, 64,7% dos empreendedores afirmaram que pretendem investir ou expandir suas operações ao longo de 2026.
Outro dado que chama atenção é a renovação constante do segmento. Quase metade das empresas identificadas (49,6%) foi criada nos últimos cinco anos, entre 2021 e 2026.
Mercado muda vidas
Para muitas mulheres, o setor representou uma oportunidade de transformação profissional e financeira.
É o caso de Inês Barros, proprietária da Fascinação Boutique, em Rio Branco (AC), considerada uma das pioneiras do segmento na região.
"No início foi uma oportunidade, pois aqui na minha cidade não tinha em 2007. Mas me apaixonei pelo ramo e estou até hoje. Mudou 100% a minha vida. Devo muito a esse mercado", relata.
Já a empresária Poliana Bassetto, da Khira Moda Íntima, em São Paulo, entrou no mercado como uma estratégia para ampliar a renda familiar.
"Sempre me interessei por produtos eróticos e sensuais e pesquisava muito sobre o assunto", afirma.
Consumidor busca bem-estar e autoestima
O estudo também aponta mudanças no comportamento dos consumidores. Os produtos mais vendidos atualmente são os cosméticos íntimos, responsáveis por 31,3% das vendas, seguidos pelos vibradores, com 23,9%. Juntos, eles representam mais da metade do volume comercializado pelo setor.
Segundo Inês Barros, o acesso à informação ajudou a transformar o perfil dos clientes.
"Com acesso às redes sociais e a muitas informações, o consumidor está mais exigente e consciente do que quer consumir. O cliente de sex shop hoje busca prazer, saúde íntima, autoestima e bem-estar e cada vez mais sabe exatamente o que quer", afirma.
Redes sociais ainda são desafio
Apesar do crescimento, o mercado enfrenta obstáculos importantes, principalmente na divulgação digital. O WhatsApp já é utilizado como canal ativo de vendas por 90% das empresas entrevistadas, enquanto o Instagram lidera como principal plataforma de conteúdo.
No entanto, 38,4% dos negócios afirmaram já ter sofrido algum tipo de bloqueio de conta nas redes sociais, tornando a visibilidade digital um dos maiores desafios para o segmento.
De acordo com Paula Aguiar, trata-se de um problema recorrente para empresas que atuam no mercado adulto, mesmo entre aquelas que investem regularmente em publicidade online.
Setor ganha relevância econômica
O Censo ABIPEA 2026 mostra ainda que o mercado adulto brasileiro é composto majoritariamente por micro e pequenas empresas, com lojas de até 50 metros quadrados e faturamento mensal predominantemente abaixo de R$ 10 mil.
Mesmo assim, os indicadores de crescimento e expansão apontam para um setor em consolidação, impulsionado principalmente pelo empreendedorismo feminino e pela mudança na percepção dos consumidores sobre sexualidade, saúde íntima e qualidade de vida.
Apresentado durante a Intimi Expo 2026, o estudo é considerado o retrato mais abrangente já realizado sobre o mercado adulto brasileiro e reforça a crescente participação das mulheres na liderança de um dos segmentos mais dinâmicos do varejo nacional.

