
"Nova Gaza"
Reprodução/Casa Branca
Resumo
Apresentação de plano para reconstrução de Gaza foi feita por Donald Trump e Jared Kushner em Davos, destacando proposta de arranha-céus, porto, aeroporto e desmilitarização total, com nova polícia palestina sob filtro israelo-americano e anistia para membros do Hamas.
Conselho da Paz, fundado por Trump, recebeu adesão de países como Bahrain, Marrocos, Arábia Saudita e Israel, com ausência de Netanyahu e Herzog nas cerimônias e tensões diplomáticas envolvendo restrições a Turquia e Catar e divergências sobre a reabertura da passagem de Rafah.
Declarações de Kushner e autoridades como Steve Witkoff e Marco Rubio reforçaram objetivo de paz entre israelenses e palestinos, início imediato da reconstrução em áreas desmilitarizadas e intenção de usar o Conselho como modelo para outras regiões em conflito.
A nova Gaza de arranha-céus, com porto e aeroporto, sem vestígios do Hamas e das forças armadas de Israel, “lindamente reconstruída e governada apropriadamente”, segundo o presidente Donald Trump, foi apresentada em slides a líderes mundiais em Davos, na Suíça, como a missão de estreia do Conselho da Paz.
“Nós poderemos fazer inúmeras outras coisas...”, explicou o presidente Trump, ao fundar oficialmente o Conselho da Paz. “Poderemos fazer o que quisermos, e o faremos em conjunção com as Nações Unidas”, acrescentou, desmentindo a percepção generalizada de que ele estaria planejando uma mini ONU, da qual seria o presidente vitalício e único com poder de veto.
Adesões e Ausências Diplomáticas em Davos
O presidente de Israel, Isaac Herzog, estava em Davos para o Fórum Econômico Mundial, mas não compareceu à cerimônia das assinaturas de adesão do Conselho da Paz, nem respondeu às questões da imprensa.
O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu não viajou à Suíça, talvez por causa da ordem de prisão emitida pelo Tribunal Penal de Haia. Coube ao Bahrain e ao Marrocos o “prestígio” das primeiras duas assinaturas da fundação do Conselho da Paz -- os dois países que fazem parte dos Acordos de Abraão com Israel.
Os países que aceitaram o convite de Trump, enviado inclusive ao Brasil, que ainda não o respondeu, são a Arábia Saudita, Argentina, Azerbaijão, Bahrain, Bielorrússia, Cazaquistão, Egito, Emirados Árabes Unidos, Hungria, Israel, Kosovo, Marrocos e Vietnã.
Tensões entre Trump e Netanyahu
Netanyahu e Trump estão em rota de colisão. Israel não quer a Turquia e o Catar no Conselho da Paz e nem seus soldados em Gaza. Os Estados Unidos os mantiveram. Outro ponto de atrito está relacionado a Rafah, uma das principais portas de entrada de Gaza.
Israel a fechou, disposto a abri-la só depois de o Hamas entregar suas armas e os restos mortais do último refém israelense ser devolvido. Pelos discursos desta manhã, Rafah deverá ser logo reaberta.
O Plano de Desmilitarização e Reconstrução
A Gaza futurística foi apresentada por Jared Kushner, o genro de Trump. “Não há plano B”, ele advertiu. Sobre desmilitarização, explicou: “O armamento pesado será entregue imediatamente, e as armas pequenas serão devolvidas por setor para a nova polícia palestina. A reconstrução só começará nos setores totalmente desarmados”.
Um slide anuncia que os membros do Hamas ganharão anistia, reintegração ou passagem segura para fora de Gaza. Muitos palestinos poderão se tornar policiais, se aprovados por um filtro de “veto rigoroso” israelo-americano. Quando a desmilitarização for concluída, as Forças de Defesa de Israel (IDF, em inglês) recuarão para um perímetro em torno de Gaza. Aí, os próximos cem dias serão dedicados a ajuda humanitária, acolhida a desabrigados, retirada dos escombros da guerra, e reconstrução.
Visão de Futuro e o "Conselho de Ação"
“Nosso objetivo aqui é a paz entre Israel e o povo palestino. Todos querem viver em paz. Todos querem viver com dignidade” – disse Kushner. O enviado especial para o Oriente Médio, Steve Witkoff, chamou a atenção no momento dos cumprimentos saudando primeiro os líderes do Catar, Turquia e Egito, e só no fim o primeiro-ministro Netanyahu.
Para o secretário de Estado Marco Rubio, que também discursou, o Conselho da Paz é um “Conselho de Ação”. E o deu como exemplo para solução em outras partes do mundo.
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