Band Jornalismo

Acordo Mercosul-UE: o que fica mais barato e o que pode sumir do mercado

Entenda quais itens ficam mais baratos e quais nomes tradicionais, como o "champanhe", podem desaparecer das prateleiras brasileiras

Babi Fava
BABI FAVA

18/01/2026 • 16:45 • Atualizado em 18/01/2026 • 16:45

Mercosul e União Europeia

Mercosul e União Europeia

União Europeia/Mercosul/Agência Brasil

O acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia, assinado após mais de 25 anos de negociações, é o maior tratado birregional do mundo, conectando um mercado de 720 milhões de pessoas e um PIB combinado de US$ 22 trilhões. Na prática, ele funciona como uma gigantesca avenida comercial que vai reduzir ou eliminar tarifas de importação para quase tudo o que circula entre ambos.

Compartilhar

Mas uma das perguntas que lidera as buscas no Google sobre os blocos é direta: “O acordo UE-Mercosul é para quais produtos?” A resposta envolve desde o vinho do seu jantar até as máquinas que movem as fábricas brasileiras.

O que chega mais barato ao consumidor brasileiro

Para o brasileiro, o impacto mais visível estará nas prateleiras dos supermercados. Hoje, produtos europeus de alta qualidade enfrentam impostos pesados que encarecem o preço final. Com o tratado, as tarifas de importação de diversos itens serão gradualmente eliminadas.

Confira os principais destaques de redução tarifária:

  • Azeite de oliva: atualmente com tarifa de 10%, terá o imposto zerado de forma gradual.
  • Vinhos: Hoje tributados em 35%, chegarão ao imposto zero ao longo dos anos.
  • Chocolates e doces: A tarifa de 20% será eliminada.
  • Queijos: Atualmente com 28% de imposto, terão o tributo zerado dentro de uma cota de 30 mil toneladas anuais.
  • Leite em pó e fórmulas infantis: Redução gradual para zero dentro de cotas específicas.

O agro brasileiro ganhando a Europa

Do outro lado da avenida, o Brasil terá acesso facilitado para vender seus produtos para os 27 países da União Europeia. O bloco europeu se comprometeu a eliminar tarifas para 92% das exportações do Mercosul.

Os produtos brasileiros que ganham força na exportação incluem:

  • Carnes: cotas com tarifas reduzidas ou zero para carne bovina (99 mil toneladas), aves (180 mil toneladas) e suína (25 mil toneladas).
  • Frutas tropicais: abacate, limão, melão, melancia e uva de mesa terão tarifas zeradas imediatamente ou em poucos anos.
  • Café e suco de laranja: redução progressiva de impostos para café solúvel, torrado e sucos.
  • Etanol e açúcar: acesso preferencial via cotas com imposto zero ou reduzido.

O fim das "imitações"

Um dos capítulos mais profundos do acordo trata das Indicações Geográficas (IGs). Isso significa que nomes de produtos que são famosos por sua origem específica serão protegidos legalmente. Se um produto não vier daquela região exata, ele não poderá usar o nome original, nem termos como "tipo", "estilo" ou "imitação".

Produtos europeus protegidosNomes como champanhe, queijo feta, presunto parma, cognac e prosecco só poderão ser usados por produtores das regiões europeias originais.

Produtos brasileiros protegidosO Brasil também ganha proteção na Europa para a cachaça, o queijo da Canastra e o café da região do Cerrado Mineiro, impedindo que outros países usem esses nomes indevidamente.

Importante destacar que marcas brasileiras que já utilizam esses nomes terão prazos de transição de até dez anos para se adequar às novas regras.

Indústria e tecnologia: desafios e modernização

A indústria brasileira sentirá um impacto ambivalente. Por um lado, terá acesso a máquinas, insumos e tecnologias europeias mais baratas, o que pode acelerar a modernização do parque industrial nacional. Por outro, enfrentará a concorrência direta de produtos manufaturados europeus de alto valor agregado.

No setor automotivo, a abertura será muito cautelosa. As tarifas para carros a combustão serão reduzidas linearmente ao longo de 15 anos, com uma carência inicial de sete anos. Veículos elétricos e movidos a hidrogênio terão prazos ainda maiores, chegando a 30 anos para a desgravação total, visando proteger os investimentos locais na transição energética.

Quando isso chega ao seu bolso?

Embora a assinatura oficial tenha ocorrido neste sábado (17), os efeitos não são imediatos. O texto ainda precisa ser ratificado pelo Parlamento Europeu e pelo Congresso Nacional de cada país do Mercosul.

Especialistas e órgãos oficiais como o MDIC e a CNI estimam que os primeiros alívios reais nos preços comecem a ser sentidos a partir do final de 2026 ou em 2027, conforme os cronogramas graduais de redução de impostos entrem em vigor. A longo prazo, o Ipea projeta que o acordo pode elevar o PIB brasileiro em 0,46% e aumentar os investimentos no país em 1,49%.