
Patrícia Amieiro
Reprodução
Alexandre Dumans, advogado da família de Patrícia Amieiro, engenheira que está desaparecida desde 2008, lamentou a decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) que recusou, por unanimidade, o pedido para ouvir uma testemunha-chave do caso.
Em conversa com exclusividade com a reportagem do Band.com.br, Dumans afirmou que a decisão é uma “derrota na busca da verdade”.
“Se eles são inocentes, qual o problema em ouvir? É uma derrota do Ministério Público. É uma derrota porque a verdade continua existindo, mas é uma derrota do MP, para a Justiça, uma derrota na busca da verdade real”, declarou.
O advogado pontua que os policiais envolvidos no caso não estão impunes por estarem condenados por obstrução de justiça, no entanto, terá dificuldades para condenar por homicídio.
“Vou tentar sustentar que eles dispararam e que foram eles que mataram a Patrícia, mesmo sem a testemunha. Sem a testemunha, é um absurdo", disse.
Sobre a justificativa de que passou o tempo para inserir a testemunha, Alexandre questiona a decisão. "Como você pode limitar o tempo? Tem o homicídio, ninguém sabe quem é o homicida, o processo anda, aparece uma testemunha e qual o problema? Se o objetivo é descobrir a verdade real?”, pergunta.
"Essa decisão diz respeito apenas à oitiva da testemunha, aquela que apareceu. É uma reclamação feita pelo MP, acolhida pelo tribunal. E não tem mais condições de recurso, o fato é que ela não vai ser ouvida”, afirmou.
Relembre o caso
Patrícia Amieiro, à época com 24 anos, desapareceu no dia 14 de junho de 2008, quando voltava de uma festa na Zona Sul do Rio de Janeiro. O carro dela foi encontrado no Canal de Marapendi, na região da Barra da Tijuca. O caso chegou a ser tratado como acidente, mas o corpo de Patrícia não foi encontrado e marcas de tiros foram encontradas na lataria do veículo, abrindo a hipótese de homicídio. Nas investigações, o Ministério Público afirmou que os policiais Marcos Paulo Nogueira Maranhão e William Luís Nascimento teriam efetuado disparos de arma de fogo e fazendo Patrícia colidir com dois postes e um muro. O MP pontuou que o crime de homicídio não se consumou por má pontaria. Mas, em uma nova denúncia, o MP identificou que após a colisão do carro, o corpo de Patrícia foi retirado do local. Ele teria sido jogado no Canal de Marapendi para encobrir o crime. O MP aponta que os policiais tentaram criar falsos fatos. O corpo de Patrícia Amieiro nunca foi encontrado.
São réus os policiais militares Marcos Paulo Nogueira Maranhão e William Luís Nascimento, por tentativa de homicídio e os agentes Fábio Silveira Santana e Marcos Oliveira por fraude processual. Marcos Paulo e William Luís já foram condenados a três anos de prisão por fraude processual e os outros dois absolvidos. Mas, em 2020, uma nova testemunha no caso se apresentou e foi ouvida, o que causou a anulação do julgamento e marcação de um novo júri.
Fique bem informado!
Receba gratuitamente as notícias mais importantes do dia direto no seu e-mail
Escolha quais newsletters quer receber

