
Terremoto destruiu aldeias na província de Kunar, no Afeganistão
Reprodução/Bakhtar
Há exatos quatro anos, os últimos militares americanos deixavam o Afeganistão, em 31 de agosto de 2021, depois de 20 anos do domínio ocidental no território do país islâmico. Os Estados Unidos invadiram aquele território em 2001, pouco depois dos atentados do dia 11 de Setembro, em Nova York.
No mesmo dia, porém, por volta de 23h (horário local), o que seria um período de celebração do regime governado pelo Talibã, grupo islâmico radical e fundamentalista, foi surpreendido por um terremoto de magnitude 6. Em meio à carência de recursos, muitas aldeias atingidas foram destruídas.
Informações do Ministério da Saúde do Afeganistão, divulgadas pela agência estatal de notícias Bakhtar, dão conta de que, até o momento, 812 pessoas morreram e mais de 2,5 mil se feriram em decorrência do terremoto. As províncias de Kunar, com 800 óbitos, e Nangarhar, 12, foram as mais afetadas pelo tremor. Ambas estão localizadas no leste do país, perto da fronteira com o Paquistão.
Imagens do Ministério da Defesa do Afeganistão mostram a ação de helicópteros no resgaste das vítimas. Em Cabul, a capital do país, militares foram direcionados para as regiões remotas, onde aldeias foram destruídas.
Para a imprensa local, o porta-voz do regime liderado pelo Talibã, Mawlavi Zabihullah Mujahid, anunciou 100 milhões de afeganes para ações emergenciais. O tremor de domingo foi seguido por cinco réplicas, sentidas a centenas de quilômetros.
Governo celebrava retirada de tropas
No último domingo (31), regime do Emirado Islâmico do Afeganistão, nome atual adotado pelo Talibã, celebrava o aniversário da saída das tropas americanas. Em declaração divulgada pela imprensa local, o governo mencionou “derrota vergonhosa” para os EUA.
“Esses dias históricos enviam uma mensagem às nossas futuras gerações de que, enquanto os afegãos estiverem unidos e fizerem sacrifícios pela liberdade do país, o destino de qualquer invasor será uma derrota vergonhosa”, diz declaração publicada pelo conglomerado de rádio e TV Shamshad News, baseado em Cabul.
Invasão americana
Na época da invasão americana, o objetivo era caçar Osama Bin Laden, mentor do 11 de Setembro. Pairavam suspeitas de que o extremista estivesse escondido, justamente, no Afeganistão, protegido pelos talibãs, então governantes do país, mas expulsos com a entrada das tropas ocidentais.
Apesar da operação, Bin Laden só foi encontrado e executado pelos EUA 10 anos depois, no Paquistão. O terrorista liderava a Al-Qaeda, responsável pela morte de mais de 2,9 mil nos atentados do 11 de Setembro.
A retirada das tropas americanas do Afeganistão foi autorizada pelo então presidente Joe Biden. A ação deixou afegãos contrários aos talibãs em desespero, devido à eminente volta do regime fundamentalista. Imagens de moradores de Cabul que tentavam deixar o país chocaram o mundo.
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