O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil), citou "presunção de inocência" ao falar sobre a Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal (PF), na manhã desta quinta-feira (18), contra o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT).
Alcolumbre reiterou o discurso que fez no plenário do Senado, na última terça-feira (16), quando negou ter recebido dinheiro de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Ele rebateu uma reportagem publicada pela revista Veja, que relatou o recebimento pelo senador de US$ 30 milhões do banqueiro.
Em seguida, o presidente do Senado manifestou "solidariedade integral" a Wagner e elogiou a sua trajetória política.
"Nós precisamos entender que ninguém neste País pode ser condenado antes do trânsito em julgado de um processo. E todos neste País podem ser investigados, todos podem ter, por parte do Judiciário, algum questionamento, e isso é normal no Estado democrático de direito. Mas todos também têm que ter a presunção de inocência", declarou Alcolumbre.
O senador continuou: "Não comemoro nada contra a história de ninguém antes do trânsito em julgado de um processo neste País. Neste País, muitas autoridades já foram vítimas dessa execração pública. E no passar do tempo, a maioria delas provou que, no decorrer das investigações, a sua inocência".
Alcolumbre disse ainda que há casos em que alvos de operações sequer sabem sobre o teor do processo e que advogados se queixam de falta de acesso aos autos. "Só temos um problema: está todo mundo culpado, até que se prove o contrário. E isso é muito triste. Todo mundo é culpado e condenado antes de ser julgado", disse. O senador acrescentou: "Eu respeito o papel de todas as instituições, da Polícia Federal, do Ministério Público Federal, da Justiça brasileira, mas a gente precisa ter a compreensão de que esse mantra que todo mundo é culpado até que prove que é inocente está errado no Brasil".
Operação
A Polícia Federal (PF) deflagrou nesta quinta-feira (18) a 9ª fase da Operação Compliance Zero, que investiga crimes contra o Sistema Financeiro Nacional. Entre os alvos estão Jaques Wagner (PT), líder do governo Lula no Senado, e o banqueiro Augusto Lima.
A Polícia Federal (PF) deflagrou nesta quinta-feira (18) a 9ª fase da Operação Compliance Zero, que investiga crimes contra o Sistema Financeiro Nacional. Entre os alvos estão Jaques Wagner (PT), líder do governo Lula no Senado, e o banqueiro Augusto Lima.
Os policiais federais cumprem 18 mandados de busca e apreensão, expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
Os mandados são cumpridos nos estados da Bahia, São Paulo e no Distrito Federal.
Nesta fase, os investigadores apuram a eventual participação de agente público com prerrogativa de foro "em esquema de irregularidades envolvendo instituições do sistema financeiro nacional."
Outras medidas cautelares, diversas de prisão, como proibição proibição de contato entre os investigados, suspensão de passaporte e monitoração eletrônica, estão sendo cumpridos.
"Os fatos investigados podem caracterizar, em tese, os crimes de corrupção passiva, corrupção ativa e lavagem de dinheiro", diz a PF.
*Com Estadão Conteúdo.
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