Em um anúncio que capturou a atenção mundial, o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, comunicou a primeira fase de um acordo de paz entre Israel e o grupo terrorista Hamas. A notícia, que representa um potencial cessar-fogo no devastador conflito em Gaza, foi analisada no programa "Edição da Noite", da Band News, pelo professor de Relações Internacionais da ESPM, Leonardo Trevisan. Segundo o especialista, embora seja um passo significativo, muitas questões cruciais permanecem em aberto.
O acordo, conforme detalhado por Trevisan, atende aos dois principais objetivos que impediam o início das negociações. Para Israel, a principal exigência era a devolução completa dos 48 reféns, incluindo os corpos dos falecidos e os cerca de 20 que se acredita estarem vivos. Para o Hamas, a condição era a retirada das tropas israelenses do território ocupado em Gaza. "Ao que parece, os dois objetivos principais, de um lado e de outro, para que sentassem à mesa e discutissem os restantes, foram alcançados", explicou o professor.
No entanto, o especialista ressaltou que este é apenas o começo de um processo complexo. Questões fundamentais como o desarmamento do Hamas e a futura governança de Gaza ainda precisam ser negociadas. Trevisan mencionou um plano que prevê um comitê tecnocrata formado por palestinos, supervisionado por uma comissão internacional liderada pelo próprio Trump, mas os detalhes de como isso funcionaria são desconhecidos.
O Futuro do Hamas e o papel de Trump
Questionado sobre o futuro do Hamas após o acordo, que remove sua principal moeda de troca — os reféns —, Trevisan apresentou uma análise sombria sobre a capacidade militar do grupo. Citando uma matéria do jornal britânico The Guardian, ele afirmou que Israel conseguiu eliminar 90% da liderança militar do Hamas e 98% de seus foguetes. Contudo, a ameaça persiste. "Sobraram, e aí é que está o ponto, praticamente apenas 40% das linhas de túneis foram dominadas. O que isto significa? Que o Hamas tem ainda onde guardar tanto armas como proteger os soldados que sobraram", analisou, o que coloca em dúvida a promessa de "eliminação completa" feita pelo primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu.
Sobre o envolvimento de Donald Trump, o professor destacou a dualidade de sua atuação: uma parte midiática e outra pragmática. "Ele é muito bom de mídia, ele sabe fazer isso", comentou Trevisan, sugerindo que o anúncio serve como uma grande vitória política para Trump, que cumpre uma promessa de campanha de resolver conflitos internacionais.
A ação concreta, segundo o analista, foi a forte pressão exercida sobre Netanyahu, que se encontrava politicamente isolado e sem apoio claro para os próximos passos da guerra. "O papel de Trump foi definir os termos para Netanyahu", afirmou Trevisan, indicando que o ex-presidente americano pode ter oferecido garantias para que o primeiro-ministro israelense se mantenha no poder. A chegada do genro de Trump, Jared Kushner — arquiteto dos Acordos de Abraão —, às negociações no Egito foi vista como um momento decisivo para selar o pacto.
O acordo representa, portanto, uma esperança de paz imediata, mas o caminho para uma solução duradoura ainda é longo e repleto de desafios, dependendo de negociações futuras sobre o desarmamento e o complexo cenário político da região.
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