
Presidente dos EUA, Donald Trump
Reprodução: Reuters / Brian Snyder
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou na noite desta quarta-feira (8) que Hamas e Israel assinaram a primeira fase do plano de paz proposto pelo país. Ainda segundo o líder dos EUA, isso significa que os reféns serão libertados em breve.
“Isso significa que TODOS os reféns serão libertados muito em breve, e Israel retirará as suas tropas para uma linha acordada como os primeiros passos em direção a uma Paz Forte, Duradoura e Eterna. Todas as Partes serão tratadas de forma justa! Este é um GRANDE Dia para o Mundo Árabe e Muçulmano, Israel, todas as Nações vizinhas e os Estados Unidos da América”, escreveu Trump em sua conta na rede social Truth Social.
Ele agradeceu ainda os negociadores do Catar, Egito e Turquia que contribuíram com o acordo. Segundo o jornal “The Times of Israel”, a previsão é que a libertação dos reféns aconteceça no próximo sábado (11).
O acordo prevê a libertação dos reféns mantidos pelo grupo terrorista e o recuo das tropas israelenses que estão posicionadas na Faixa de Gaza. A expectativa é que o documento seja assinado às 6h da manhã, no horário de Brasília (meio-dia no horário do Cairo), após negociações realizadas na cidade de Sharm el-Sheikh. As conversas contam com a presença de lideranças do Hamas, do governo israelense e de emissários de Donald Trump.
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, manifesta-se nas redes sociais, afirmando que é um "grande dia para Israel" e expressando a confiança de que "com a ajuda de Deus, nós estaremos todos para casa", em referência à libertação dos reféns israelenses.
Desafios da reconstrução e ajuda humanitária
O encerramento do conflito, no entanto, marca o início de um gigantesco desafio de reconstrução. Um relatório recente das Nações Unidas escancara a dimensão da destruição no território palestino. Estima-se que, em dois anos de intensos conflitos, Israel destruiu 83% dos prédios da Faixa de Gaza.
O custo total para reconstruir o enclave é estimado em 52 bilhões de dólares. A assistência humanitária e o acesso de materiais de construção se tornam prioridades imediatas no pós-acordo.
Proposta de reconstrução da Faixa de Gaza
Além do fim do atual conflito, o governo norte-americano também propõe a criação de uma comissão internacional responsável pela reconstrução da Faixa de Gaza, devastada após dois anos de bombardeios. Trump estaria disposto a participar pessoalmente do processo e chegou a cogitar viajar ao Egito para assinar o acordo, caso as negociações avancem.
O presidente americano diz que pretende garantir a retirada dos escombros e a reconstrução de prédios e moradias destruídos durante o conflito. A proposta inclui ainda a criação de um governo temporário internacional para administrar a região e permitir o retorno gradual dos palestinos que sobreviveram aos ataques.
Balanço de dois anos de guerra
O conflito iniciado em 7 de outubro de 2023 deixou uma marca profunda no Oriente Médio. Naquele dia, o Hamas lançou um ataque surpresa contra Israel, matando cerca de 400 pessoas e sequestrando 251 reféns. Desde então, os bombardeios israelenses na Faixa de Gaza provocaram, segundo estimativas locais, mais de 67 mil mortes, a maioria de mulheres e crianças.
As manifestações em memória das vítimas se espalharam pelo mundo nesta semana, enquanto milhares de famílias seguem em busca de notícias de parentes desaparecidos ou mortos. No território palestino, centenas de milhares de pessoas foram forçadas a abandonar suas casas, vivendo agora em condições precárias.
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