A crise entre Lula e Donald Trump começou em julho, com o anúncio, surpresa, da tarifa de 50% sobre produtos importados do Brasil. É, até hoje, a taxa mais alta aplicada pelo tarifaço americano.
Ao mesmo tempo, os Estados Unidos impuseram sanções a autoridades brasileiras, como ao ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes, alvo da Lei Magnitsky, que implica em punições econômicas e restrições de visto.
A Casa Branca justificou a medida como uma resposta ao que chamou de caça às bruxas do nosso judiciário contra o ex-presidente Jair Bolsonaro. Com a condenação de Bolsonaro, em 11 de setembro, a pressão aumentou, e o governo Trump sancionou também a mulher de Moraes.
Mas, tudo mudou no final de setembro, durante a Assembleia Geral da ONU, em Nova York. O presidente americano disse, em discurso, que se encontrou com Lula por alguns segundos. Falou que houve química entre eles e anunciou um encontro em breve.
Lula confirmou a química, e a partir daí os dois governos começaram a articulação para uma reunião. O diálogo agora é visto como uma oportunidade para reconstruir os laços, abalados pela pior crise das relações diplomáticas. E o Jornal da Noite ainda vai falar desse assunto nesta edição.
Conversa de 30 minutos, 'boa química' e troca de telefones
Segundo o Palácio do Planalto, por meio de nota, em tom amistoso, os líderes conversaram por 30 minutos, quando relembraram a “boa química” que tiveram ao se encontrarem na Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU), em Nova York, em 23 de setembro. “Os dois presidentes reiteraram a impressão positiva daquele encontro”.
Lula descreveu o contato como uma “oportunidade para a restauração das relações amigáveis de 201 anos entre as duas maiores democracias do Ocidente. Recordou que o Brasil é um dos três países do G20 com quem os Estados Unidos mantêm superávit na balança de bens e serviços”.
Trump disse a Lula que EUA sentem falta do café brasileiro e sinalizou que não virá à COP 30
Mais detalhes do telefonema entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, vieram à tona nas últimas horas.
Segundo autoridades que acompanharam a conversa, o chefe de Estado norte-americano afirmou que os Estados Unidos “sentem falta do café brasileiro”. Lula respondeu dizendo estar disposto a retomar as negociações e pediu o fim da tarifa extra de 40% imposta recentemente ao produto do Brasil.
De acordo com o Escritório de Estatísticas dos Estados Unidos, o preço do café pago pelos consumidores americanos teve, em agosto, o maior aumento mensal em 14 anos, com alta de 3,6%. O avanço ocorreu no primeiro mês de vigência da tarifa contra o café brasileiro — uma elevação nove vezes superior à taxa média de inflação do período, de 0,4%.
Fique bem informado!
Receba gratuitamente as notícias mais importantes do dia direto no seu e-mail
Escolha quais newsletters quer receber

