Novos protestos contra a falta de energia elétrica foram registrados durante a madrugada desta sexta-feira (5) em Havana, capital de Cuba. Moradores realizaram panelaços em diferentes bairros da cidade em meio à piora da crise energética que afeta a ilha.
Nas regiões mais pobres, a escuridão era total. A escassez de combustível tem comprometido o funcionamento das usinas termoelétricas, provocando apagões frequentes e sucessivos colapsos na rede de distribuição de energia.
O governo cubano atribui a crise ao embargo econômico imposto pelos Estados Unidos, que restringe o acesso do país a combustíveis e outras fontes de financiamento.
Enquanto isso, Washington ampliou a pressão sobre Havana. Nesta semana, o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, anunciou uma nova rodada de sanções contra integrantes da cúpula do governo cubano.
Entre os alvos estão Alejandro Castro, filho de Raúl Castro e sobrinho de Fidel Castro; o presidente Miguel Díaz-Canel; e a primeira-dama Lis Cuesta Peraza. Além das autoridades, cinco entidades cubanas também foram sancionadas. Segundo Rubio, os grupos estariam ligados à promoção do que classificou como "terrorismo marxista" e representariam uma ameaça à segurança dos Estados Unidos.
O governo do presidente Donald Trump também ameaçou ampliar as restrições contra empresas estrangeiras que mantêm negócios na ilha. Entre as medidas anunciadas está a suspensão do uso de cartões das bandeiras Visa e Mastercard em Cuba a partir deste sábado.
Em nota, o governo cubano reagiu às sanções e classificou as medidas como uma nova ofensiva imperialista dos Estados Unidos, considerada "agressiva" e "perversa".
As novas sanções foram anunciadas após Trump afirmar que pretende voltar sua atenção para Cuba assim que encerrar o conflito envolvendo o Irã. Apesar do discurso mais duro da Casa Branca, uma eventual ação militar contra a ilha não encontra amplo apoio entre os americanos.
No fim de maio, Raúl Castro foi alvo de uma acusação apresentada em Miami. A ação o responsabiliza por supostamente ter ordenado o ataque a aviões da organização dissidente Brothers to the Rescue, em 1996. O episódio resultou na morte de quatro pessoas, entre elas três cidadãos americanos.
Sanções contra autoridades
Os Estados Unidos anunciaram nesta quinta-feira (4) sanções econômicas contra o presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, sua esposa e seu enteado, além de dois integrantes da família Castro. A medida intensifica a pressão americana sobre a liderança comunista da ilha caribenha.
O governo cubano não comentou imediatamente as sanções, que atingiram também cinco entidades, incluindo o Ministério das Forças Armadas Revolucionárias de Cuba.
Entre os alvos, estão ainda Alejandro Castro Espín, filho de Raúl Castro, bem como um neto do ex-presidente. Ele já não ocupa cargo oficial, mas continua sendo uma figura-chave nas decisões sobre o futuro de Cuba.
Díaz-Canel, de 60 anos, ocupa a Presidência desde 2018, tendo sucedido Raúl, que é irmão do ex-líder Fidel Castro.
Trump quer "país bem administrado"
No mesmo dia, o chefe da Casa Branca, Donald Trump, disse a jornalistas que os Estados Unidos querem que Cuba "seja um país bem administrado", e não mais uma "nação fracassada".
Os EUA já haviam imposto sanções, no mês passado, a onze autoridades cubanas, incluindo o ministro das Comunicações, vários líderes militares e a principal agência de inteligência do país. A escalada de pressão dos últimos meses tem levado a uma debandada de empresas, bem como a uma crise de abastecimentode energia e insumos.
Em maio, os Estados Unidos também acusaram Raúl Castro de assassinato por seu suposto envolvimento em um incidente ocorrido em 1996, quando caças cubanos derrubaram aviões operados por um grupo de exilados cubanos.
Esta não é a primeira vez que os EUA impõem sanções a chefes de Estado ou de governo e a seus familiares.
No início dos anos 2000, o país aplicou a medida contra o então presidente do Sudão, Omar al-Bashir, e o ex-presidente do Zimbábue, Robert Mugabe. Mais recentemente, foi a vez de Nicolás Maduro e a sua esposa, antes de serem detidos e levados da Venezuela aos Estados Unidos em janeiro.
Desde então, Trump vem ameaçando uma intervenção também em Cuba, tendo, inclusive, falado numa possível "tomada amigável".
Com DW
Fique bem informado!
Receba gratuitamente as notícias mais importantes do dia direto no seu e-mail
Escolha quais newsletters quer receber

