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Após sanções dos EUA, crime no Brasil passa a ser visto como desafio global

Medidas anunciadas pelo governo Trump vão muito além do bloqueio de bens ou de contas bancárias, já que Washington passou a tratar o PCC como uma ameaça à própria segurança dos EUA

Por Redação
REDAÇÃO

02/07/2026 • 09:27 • Atualizado em 02/07/2026 • 09:27

Sonia Blota
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PCC

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Estadão Conteúdo

O crime organizado brasileiro é mais uma vez destaque no noticiário internacional . Os Estados Unidos anunciaram sanções contra dois brasileiros, três empresas brasileiras por ligação com o Primeiro Comando da Capital (PCC) e acusam os envolvidos de lavagem de dinheiro entre a Flórida e São Paulo.

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Entre os alvos está o empresário Victor Henrique de Oliveira Shimada, apontado pelas autoridades americanas como um dos principais operadores financeiros da facção, responsável por movimentar milhões de dólares por meio de um esquema internacional de lavagem de dinheiro. Também foi sancionada Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira, acusada de atuar na estrutura financeira da organização.

Essas medidas vão muito além do bloqueio de bens ou de contas bancárias, já que Washington passou a tratar o PCC como uma ameaça à própria segurança dos Estados Unidos. Ao anunciar as sanções, o governo de Donald Trump classificou o PCC como a maior organização criminosa transnacional do Hemisfério Ocidental. Não é uma definição qualquer. É uma sinalização política e estratégica de que o crime organizado brasileiro deixou de ser visto como um problema interno e passou a ser tratado como um desafio internacional.

Esse movimento começou em maio, quando os Estados Unidos decidiram enquadrar o PCC e também o Comando Vermelho como organizações terroristas. A partir daí, o país usou instrumentos legais para congelar ativos, punir empresas, atingir operadores financeiros e ampliar a cooperação internacional no combate às facções.

E é importante observar que essa preocupação não está restrita aos Estados Unidos. Na Europa, o tema aparece cada vez mais nas discussões sobre segurança. As autoridades acompanham de perto a expansão do PCC e do Comando Vermelho, principalmente por causa das rotas do tráfico de cocaína que abastecem o mercado europeu. As facções brasileiras estabeleceram conexões com organizações criminosas locais e ampliaram presença em vários países do continente.

O jornal francês Le Figaro dedicou uma reportagem inteira a esse assunto. O diário destacou o fortalecimento das facções brasileiras na Europa, a utilização de grandes portos para a entrada de drogas e o aumento da preocupação das autoridades europeias com uma organização criminosa que nasceu nas prisões brasileiras e hoje atua em escala global.

Além disso, segundo a reportagem, o crime organizado é um grande frio na economia brasileira e que o custo da criminalidade e corrupção em geral no Brasil pode chegar a mais de um trilhão e meio por ano. O que equivale entre 12 a 14% do PIB do país. O Le Figaro cita que isso equivale ao tamanho das economias de Portugal e República Tcheca. E as empresas brasileiras para não sofrerem mais ainda, vão ter que se adaptar.

Em entrevista à BandNews TV, a professora de Direito Internacional da USP Maristela Basso destacou que as empresas brasileiras terão que se adequar às regras de “boa governança” para evitar que sejam sancionadas por eventuais acusações de relação com o PCC.

A criminalidade do Brasil não é só com Trump e Estados Unidos. Está chamando a atenção no mundo todo. Este é um problema que o país deixou crescer, não adianta colocar a culpa em ninguém. Agora é correr atrás desse prejuízo e combater o crime de forma concreta e não só promessas em um ano eleitoral.

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