
Islamabad, capital do Paquistão, virou centro de negociações do conflito entre EUA e Irã
REUTERS/Waseem Khan
Em uma noite de tensão máxima, quando Donald Trump ameaçou que "uma civilização inteira morreria" caso o Irã não cedesse ao seu ultimato, foi um país pouco lembrado nos tabuleiros da geopolítica que salvou o mundo de uma possível carnificina. O Paquistão surgiu como o mediador que ninguém esperava e agora vê sua capital, Islamabad, como o palco das negociações entre os dois países.
Tradicionalmente, as negociações entre EUA e Irã passam por países como Omã ou Catar. Porém, com o avanço da guerra e ataques iranianos contra países do Golfo, esses atores perderam espaço ou neutralidade.
Foi neste contexto que o Paquistão emergiu como alternativa viável para a diplomacia. O fato dos paquistaneses não manterem relações diplomáticas com Israel por apoiar a causa palestina reforçou sua imagem de interlocutor aceitável para Teerã. Além disso, o “fator nuclear” pesa a seu favor: o país faz parte do grupo das nove nações que possuem bombas atômicas.
Porém, se é o nome, a bandeira e a diplomacia paquistanesa que estão em campo, por trás das cortinas age um personagem muito mais relevante: a China. Os dois países têm relação muito próxima e, de acordo com a imprensa internacional, teria exercido influência decisiva nas negociações que culminaram com o cessar-fogo bilateral de duas semanas – liderado, ao menos publicamente, pelo Paquistão.
A proposta de cessar-fogo foi compartilhada com persas e americanos na noite de domingo (5). O plano foi baseado em dois pilares: a pausa nos ataques com a reabertura do Estreito de Ormuz, rota estratégica para o transporte global de petróleo, e um prazo de 15 a 20 dias para as negociações. A proposta chegou a ser recusada pelos dois países, mas com o prazo de Trump se esgotando às 21h (horário de Brasília) da terça (7), a aposta paquistanesa se converteu em resultado concreto.
As negociatas para um fim pacífico do conflito continuam. O primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, convidou Irã e dos Estados Unidos para reuniões em Islamabad nesta sexta-feira (10). Há a expectativa de que o enviado especial de Donald Trump para o Oriente Médio, Steve Witkoff, o genro Jared Kushner e o vice-presidente JD Vance compareçam.
A região voltou a viver momentos de tensão e vê a possibilidade de um fim do cessar-fogo próximo desde os ataques de Israel ao Líbano na última quarta (8) que, segundo agências, deixou centenas de mortos e feridos.
Segundo Trump, o acordo não incluiu a interrupção do cessar-fogo de Israel ao Líbano. A declaração contraria a declaração do primeiro-ministro Sharif, que afirmou que o acordo era para todo o Oriente Médio.
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