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Prisão onde está Maduro é marcada por passado sombrio e presos famosos

As condições precárias do local já levaram diferentes juízes a se recusarem a enviar presos para a unidade

Da redação
DA REDAÇÃO

06/01/2026 • 11:11 • Atualizado em 06/01/2026 • 11:18

Não faltam adjetivos sombrios para descrever a prisão federal do Brooklyn, em Nova York (EUA), onde o ditador venezuelano deposto Nicolás Maduro e a esposa, Cilia Flores, estão detidos desde o último sábado, 3.

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Única unidade prisional de Nova York destinada a detentos que aguardam julgamento ou transferência, o Metropolitan Detention Center (MDC) está localizado no sul da cidade e é uma das maiores do tipo nos Estados Unidos, com capacidade para cerca de 1.600 pessoas.

As condições precárias do local já levaram diferentes juízes a se recusarem a enviar presos para a unidade. Durante um inverno rigoroso em 2019, o MDC enfrentou um apagão que durou cerca de uma semana, comprometendo os sistemas de calefação e energia elétrica.

Na ocasião, os detentos permaneceram em celas congelantes, sem aquecimento. Uma investigação do jornal The New York Times apontou que o episódio foi apenas mais um em uma série de casos de negligência e brutalidade registrados na prisão.

Já no verão de 2024, dois presos foram mortos a facadas por outros detentos. À época, o advogado de uma das vítimas classificou o MDC como um “inferno na terra”, ao afirmar que a morte poderia ter sido evitada.

Um juiz chegou a afirmar que as mortes evidenciavam “um ambiente de ilegalidade” e uma “gestão inaceitável, repreensível e mortal”.

Em março de 2025, a Justiça acusou 25 pessoas — entre detentos, colaboradores externos e um ex-agente penitenciário — por envolvimento em uma série de casos de contrabando e violência. Em diversas decisões, magistrados de Nova York também criticaram a falta de acesso dos presos a atendimento médico, as condições indignas e recorrentes problemas de corrupção na unidade.

Mais recentemente, autoridades passaram a encaminhar ao MDC pessoas em situação migratória irregular. “O MDC do Brooklyn é um desastre sombrio e desumano que não deveria ter qualquer papel na aplicação das leis migratórias”, declarou em agosto Daniel Lambright, assessor da União de Liberdades Civis de Nova York.

Um ex-funcionário da unidade afirmou ao jornal que a prisão é “uma das mais problemáticas, senão a mais problemática, de todo o sistema federal”. Um relatório do Departamento de Justiça concluiu que as autoridades lidaram de forma extremamente inadequada com as crises enfrentadas no local.

Presos famosos

Entre os detentos que já passaram pelo MDC está o rapper e produtor musical Sean Combs, conhecido como P. Diddy, acusado de tráfico sexual. Outro nome é Luigi Mangione, que aguarda julgamento pelo assassinato do CEO da UnitedHealthcare, Brian Thompson.

Ghislaine Maxwell, ex-namorada de Jeffrey Epstein, presa por participação no esquema de exploração sexual comandado pelo financista, também esteve detida no MDC antes de ser transferida para outra unidade.

O cantor R. Kelly, condenado a 30 anos de prisão por pornografia infantil e extorsão, é outro famoso que passou pela prisão antes de ser transferido para a Carolina do Norte.

O ex-presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), José Maria Marin, também esteve detido no local antes de iniciar o cumprimento de pena por corrupção.

Outro nome conhecido é Samuel Bankman-Fried, apelidado de “rei das criptomoedas”, condenado por fraude e conspiração envolvendo as empresas FTX e Alameda Research.